Páscoa. A origem dos ovos de Páscoa. Aviso: Proibido para menores – trechos de extrema violência.

Uma semana antes da Páscoa.

Madrugada gelada e chuvosa.

Rua de acesso ao portão lateral de uma grande empresa de ovos de Páscoa. Brasil.

– Vem Flidais. – Pã puxou o braço da amiga para atravessar a rua deserta e mal iluminada.

– Ai, não me puxa, estou indo. – Revoltou-se Flidais.

FLIDIAS 3

– Não podemos ser vistos. Nossa “janela” fecha em cinco minutos segundo o guardinha. – Chegando ao portão da empresa, Pã o empurrou lentamente para não fazer barulho. Entraram.

– Viu? Eu disse que aquele segurança era confiável. E olha a câmara está desligada. Ficará assim por mais… três minutos. Só precisávamos molhar a mão dele. – Arrematou confiante.

– Eu ainda acho que não deveríamos estar aqui. Poderíamos fazer uma denúncia às autoridades. – Argumentou nervosa Flidais.

– Isso já foi feito! No governo há um monte de corruptos. – Falou Pã em tom de voz perigosamente alto. – Ninguém fiscaliza nada! Só fiscalizam quando algum escândalo sai na mídia ou depois de uma tragédia. Isso aqui é Brasil. Precisamos fazer isso sair na imprensa. Vamos tirar as fotos dos maus tratos dos animais e divulgar ou ninguém vai acreditar na gente.

– Fale baixo! – Sussurrou Flidais, tensa, colocando a mão sobre a boca do amigo ambientalista.

Flidais e Pã percorreram o pátio vazio da empresa encobertos pelo breu noturno e pela chuva continua. Seguindo orientações do vigilante mancomunado com eles, chegaram ao último galpão do complexo fabril, o maior deles.

– Que cheiro forte de bicho é esse? – Perguntou–se Pã, quase inaudível. – Venha Flidais. – Puxou a companheira pelas mãos ao mesmo tempo que empurrava a porta entreaberta que dava acesso ao galpão iluminado e que expelia um bafo quente.

– Que porra é essa?! – Espantou-se. Pã viu milhares de coelhos empoleirados em milhares de cubículos individuais, à semelhança de um gigantesco galinheiro. Flidais, igualmente pasma, adiantou-se e colocou a mão sobre um dos enormes e obesos coelhos presos naqueles cubículos. O bichano comia compulsivamente cacau, manteiga e açúcar. Abaixo de cada coelho havia uma grande cesta que captava as fezes do animal. Estranhamente, tais fezes não tinham cheiro de bosta e nem de merda. Parecia, na verdade, chocolate… Pã, impressionado, enfiou o dedo naquele monte de excremento de coelho e o colocou na boca. Não deu outra. Era chocolate e dos mais finos e gostosos que já havia comido.

coelhinho da páscoa

– Então a lenda dos ovos de Páscoa é verdadeira. Há coelhos que botam ovos de chocolate! – Balbuciou embasbacado e enojado o invasor. Flidais passou mal e vomitou. Neste momento, porém, a porta pela qual haviam entrado se fechou violentamente com a força do vento. Isso tirou ambos do estado de incredulidade e choque fisiológico. Parcialmente recuperados e repletos de adrenalina no sangue, tiraram inúmeras fotos do local. Precisavam denunciar aquele absurdo, precisavam mostrar à sociedade o que acontecia naquela fábrica: maus tratos aos animais e atentado à saúde pública.

Todavia, durante o trabalho de coleta de provas, Pã e Flidais ouviram outra porta bater. Esconderam-se incontinenti. Abaixados puderam perceber que havia dois homens robustos puxando uma grande máquina sobre rodas; tão grande que ali poderia caber várias pessoas deitadas enfileiradas ou uma sobre as outras. Para que serviria aquilo? Perguntaram-se. A máquina era toda cinza, metálica e apresentava inúmeras manchas de sangue. Passava a impressão que fora usada inúmeras vezes. Um dos homens passou a avaliar as cestas de chocolate de cada coelho. Transpostas dez cestas, aquele funcionário implicou com o coelho da décima primeira de uma determinada fileira.

ovo de páscoa

– A produção está baixa e de péssima qualidade. – Exclamou após experimentar inúmeras vezes o produto do metabolismo daquele coelho. – Precisamos trocar este bicho. Ele está velho. Não vale nada.

O outro homem imediatamente ligou a máquina. Um grande estrondo similar a uma turbina de avião ressoou pelo galpão. O primeiro homem, então, pegou o coelho improdutivo pelas orelhas e o jogou na máquina. Era um triturador gigante. Em um segundo o coelho foi destruído.

– Ah!!!!! – Flidais gritou horrorizada. Para azar dos intrusos,  o grito foi ouvido pelos homens.

– Ei! – Bradou um dos seguranças.

Pã e Flidais tentaram fugir pela porta por onde entraram, mas não conseguiram. Correram a esmo, buscando alguma saída, entretanto outros homens tão ou mais fortes quantos os primeiros apareceram e rodearam o casal intruso. Foram levados à força à sala do chefe: Vlad Tepes, um cristão reformado.

drácula genzoman

– Ora, ora, ora. Humanos não autorizados na fábrica. – Comentou reflexivo Vlad, sentado à mesa em seu escritório. – Vocês, crianças, serão punidas. – Gargalhou diabolicamente.

– A gente vai denunciar todo mundo aqui, porra! Essa fábrica vai fechar! Todo mundo vai para a cadeia. – Gritou Pã nervoso. – Eu quero meu advogado! E… hunfff – Pã foi atingido na boca do estômago por um soco.

– TIREM O CELULAR DELE! – Gritou Vlad alterado. – E O DA MOÇA TAMBÉM!

A ordem foi cumprida imediatamente.

– Vai denunciar o quê? Hein, seu filho da puta?! Fala! FALA CARALHO! – Vlad pegou a cadeira em que estava sentado e jogou contra Pã que antes do choque fora largado pelos seguranças. Pã ficou atordoado e caiu no chão. Mal ouviu os gritos desesperados de Flidais. Sangue correu da cabeça, muito sangue. A cadeira era muito pesada, de metal e pontiaguda.

cadeira

– CALA BOCA VAGABUNDA! Vocês não queriam salvar os bichinhos? – Fez gestos mesquinhos com a mão. – Sociedade protetora dos animais de merda! Estou cansado de vocês! – Um dos seguranças, cumprindo a ordem do ser sinistro, manietou a garota e tapou-lhe a boca. Flidais se debatia. – O que eu não faço para me reconciliar com os cristãos. Maldito o dia que renunciei e reneguei Deus. – Lamentou-se Vlad. Dirigiu-se a Flidais e deferiu uma potente bofetada na moça, deslocando o maxilar da invasora e a fazendo tombar no chão. – Levante a vadia! – Ordenou ao segurança.

– Traga um coelho! – Gritou Vlad impaciente e dirigiu-se para onde estava Pã. Pegou-o pelo pescoço com uma mão e o levantou. Tirou-o do chão. Pã debateu-se. Ficou sem ar.

– Como vocês entraram aqui, seu merda? Hein, mamífero consumista de bosta? – Soltou a vítima no chão, pegou a cadeira e bateu violentamente mais algumas vezes em Pã. Voltou para sentar-se à mesa. Acendeu um cigarro.

– Eu preciso de sangue, porra! – Disse resoluto.

O pescoço de Pã estava cheio de marcas vermelhas, o braço quebrou sob o impacto dos golpes da pesada cadeira e a barriga foi perfurada, tamanha a violência de Vlad Tepes.

– Então vocês descobriram o segredo, não é? – Continuou Vlad agora muito calmo. Parecia outra pessoa. – Vocês vão morrer! – Sorriu entusiasmado e logo arrematou consternado. – Morreriam mesmo que não tivessem descoberto nada. Não posso negar minha natureza.

Vlad fez uma pequena pausa para tomar um copo de um líquido vermelho.

– Maldição. – Disse inconformado para si mesmo enquanto bebia. – Tudo por causa daquela vagabunda idiota que achou que eu havia morrido. Não deveria ter renunciado a Deus por causa dela…

Vlad andava de um lado para o outro enquanto esperava o coelho chegar. Falava sozinho.

– Na antiguidade, presentear com ovos adornados e pintados para contemplar a chegada da estação das flores era um costume pagão ligado à deusa Ostera, sempre associada aos malditos coelhos.

Ostera - deusa pagando peitinho

Vlad parou e olhou para o nada, contemplativo.

– Essa tradição idiota foi absorvida pelo cristianismo para cooptar mais fieis. Foi um método eficaz, admito. – Continuou Vlad falando em tom de voz baixo e paranoico, absorto em seus próprios pensamentos. – E eu que lutava contra turcos… fui demonizado. Mas hoje ninguém se lembra da deusa e a Páscoa virou um grande negócio. Acrescentaram o elemento chocolate aos ovos para empanturrar as pessoas, tornando-as obesas e ridículas. Tenho que fazer isso para ser aceito novamente. – Balbuciou resignado. – Mais algumas décadas difundindo a ressurreição de Cristo por meio da venda maciça de ovos de Páscoa e estarei perdoado, segundo o Papa. Essa maldição me deixará. – Murmurava convicto para si mesmo.  – Os fins justificam os meios. Os fins justificam os meios. Os fins justificam os meios. Os fins justificam os meios.– Repetiu freneticamente. Após, calou-se.

Todavia, gemidos de angústia das vítimas quebraram o breve silêncio. Vlad, maligno, voltou a carga contra aqueles que perante eles estavam impotentes e indefesos.

– Sim. – Continuou o algoz peremptório. – Os ovos de Páscoa nada mais são do que bosta de uma determinada espécie de coelho. Humanos são tão idiotas… Nossa empresa recolhe as fezes dos coelhos, embala e vende. É muito mais barato que o processo mecânico. É uma raça especial de coelhos descoberta na Transilvânia que tem a capacidade de sintetizar em chocolate o cacau, o açúcar e a manteiga sem desperdício e de uma hora para outra. É claro que os cientistas deram uma turbinada no metabolismo dos animais. Seleção artificial, sabe? O mercado é duro lá fora, amigos. Outrora concorrentes roubaram alguns espécimes e perdemos a exclusividade… e eu ganhei mais alguns anos de maldição em virtude dessa falha. – Comentou o carrasco resignado. – Precisamos ser competitivos e guardar nossos segredos das outras empresas que ainda não o conhecem, do governo e dos ambientalistas. Estes são os mais chatos. Vocês não foram os primeiros a serem pegos aqui. – Sorriu diabólico e confiante.

Pã ainda tentava se levantar da poça de sangue em que estava mergulhado. Flidais, presa entre os braços de um segurança e com a boca tapada, olhava o amigo horrorizada. Nunca vira tamanha violência.

– Ah! Enfim, chegou um coelho. – Entusiasmou-se Vlad. – Agora me digam, como vocês entraram aqui? – Olhou sereno diretamente para Flidais. Ela balançou negativamente a cabeça suplicando para não delatar ninguém. Não queria mais sofrimento.

coelho da páscoa

Vlad ficou furioso. Tomou o coelho das mãos do segurança, chutou com violência a cabeça de Pã e colocou o coelho sobre ela. Apertou a barriga do bicho.

– Você vai comer merda de coelho da Páscoa saída diretamente do cu enquanto sua amiga não falar como entraram aqui! – Berrou Vlad para Pã. Imediatamente o bicho começou a cagar chocolate na boca e no nariz da vítima inerte.

Flidais tentou lutar, mas depois de ver que o coelho era uma fábrica de bosta, tamanha era a diarreia do bichano, e que Pã não conseguia respirar ou se mexer, fez menção de dizer o que Vlad queria saber. O segurança destampou a boca da moça.

– O vigia! O vigia! O da lateral, da rua x. – Gritou esbaforida e em prantos com o maxilar todo danificado. Havia perdido alguns dentes. A boca sangrava. Os lábios rompidos ardiam em contato com a profusão de lágrimas salgadas de Flidais.

– Traga-o. – Ordenou Vlad. O psicopata mordeu o pescoço do coelho que logo em seguida caiu sem vida e ensanguentado sobre Pã. Sangue e chocolate de coelho cobriam o rosto do ambientalista. Flidais já sem voz caiu ajoelhada no chão e estendeu um dos braços para Pã, mas não conseguia se mover. Estava apavorada e indefesa. Sentia-se presa, embora ninguém mais a segurasse.

Vlad fumava enquanto esperava o delatado. Fazia corações e bichinhos fofos com a fumaça que deixava sua boca.

fumaça

Logo entrou o vigia acompanhado pelos seguranças e antes que pudesse falar qualquer coisa tomou um tiro de fuzil na cara. O crânio explodiu. Foi sangue e massa encefálica para todo lado.

banho de sangue

Do pescoço saiu jatos vermelhos de sangue. Flidais ficou paralisada mesmo recebendo boa parte dos jatos sanguinolentos na fronte. Pã estava agonizando, quase inconsciente, mas ainda assim conseguiu ouvir de Vlad:

– Jogue-o no triturador.

Um dos seguranças foi buscar a máquina maldita. Enquanto isso, Vlad mandou:

– Tirem a roupa dela. – Imediatamente os seguranças arrancaram bruscamente todas as vestes de Flidais. – Um corpo bonito, mas os peitos são pequenos. – Ponderou o tirano, coçando o queixo e apagando o cigarro na ponta da língua. – Tragam-na até mim. – Flidais tentou lutar, mas foi contida pelos seguranças com socos e chutes violentos.

Posta sobre a mesa de Vlad, foi estuprada pelo amaldiçoado. Pã ergueu o braço, queria ajudar a amiga em pânico, mas o deixou cair. Mal sentia o corpo. Havia perdido muito sangue. Logo ouviu um grande estrondo: o som da máquina de triturar. A máquina estava no corredor, em frente da porta do escritório. De soslaio, viu os grandes rolos metálicos dentados girarem dentro da máquina, prontos para esmigalhar qualquer corpo orgânico que ali adentrasse. Primeiro viu o corpo do vigia ser jogado e desaparecer em um instante. Inúmeros jatos de sangue e órgãos despedaçados caíram por todos os lados do escritório, inclusive sobre Vlad que estava em pleno ato sexual. Vlad pouco se importou, parecia adorar sangue. Havia até se esquecido de Pã. Segurava uma das pernas de Flidais com uma das mãos e o pescoço com a outra enquanto consumava o crime e a lascívia. A moça já não lutava, havia perecido.

Pã, indefeso, impotente e derrotado sentiu o corpo ser removido, alçado e atirado por inúmeras mãos para dentro da máquina.

Feliz Páscoa!

a origem dos ovos de páscoa

A origem da Páscoa.

13 pensamentos sobre “Páscoa. A origem dos ovos de Páscoa. Aviso: Proibido para menores – trechos de extrema violência.

  1. Aurora disse:

    Assim que você publicou esta…ISTO, sua internet caiu e vc. está há dias desconectado. Sem mais :P

  2. Aurora disse:

    pergunta: que raios de categoria é essa? “textos proibidos para datas comemorativas”….como assim?? Isso dá a entender que eles são proibidos justamente nas datas comemorativas, o que não tem cabimento, pois justamente, eles são textos sobre essas datas!!!

    • Adonis disse:

      Eles são justamente proibidos nas datas comemorativas, pois são agressivos e nada festivos ou agregadores. Não aconselho ninguém a lê-los nas datas que mencionam, pois quebram o espírito dessas datas, os negam ou fazem críticas a elas, seja explícita ou implicitamente.

      De outro lado, sob a ótica das estatísticas, aproveitando que há um consenso entre os humanos de que o que é proibido deve ser vasculhado, aberto ou lido, e considerando que o que se pretende é chamar a atenção, o nome da categoria se justifica.

      Assim, o nome da categoria nada mais é do que um chamariz.

      Por fim, fi-lo porque qui-lo e o nome da categoria continuará este mesmo =P

      Boa noite gatinha!

      • Aurora disse:

        Justamente, achei que o propósito com essas histórias fosse criticar e quebrar o espírito das datas comemorativas, portanto faria todo o sentido que as lessem durante ou em preparação a elas *rs*

        Ibopeiro!!!! :P

        Afff, desenterrando a vassourinha do Jânio?!? Dio santo!!!!

  3. lionir silverio dos santos disse:

    e incrível

  4. lionir silverio dos santos disse:

    sem

  5. HeliusHelius disse:

    Nossa … Que bom que hoje não e Páscoa … Se tivesse lido isso na páscoa teria perdido totalmente o espírito pascoal … Tipo “os ovos são feitos de bosta de uma raça específica de coelho, e mais orgânico” Eca. Meu estômago embrulhou na hora. E olha que nem terminei de comer meu ovo ainda … Bem que vc avisou hein ?!? Sou curioso demais … Mas achei criativo vc por Vlad , o Conde Drácula no meio da história … E não gostei daquilo que ele fez com o coelho velho e Pa… Urhg … Sangue e chocolate deu um efeito legal , eu acho … E aquela foto no fim do texto … Kkkkk , eu acho que e bem assim que foi a origem do ovo de páscoa … Mas enfim , como foi a sua páscoa ??? Bem feliz páscoa atrasado …. Tchau !!!

    • Adonis disse:

      A Aurora não gosta dos meus textos proibidos para datas comemorativas. Este é o que ela menos gosta. Nunca entendi o motivo disso. Bom, minha Páscoa foi tudo bem. Passei com a Aurora, obrigado por perguntar. Feliz Páscoa atrasado! Abraços!

  6. Clara disse:

    huauhauh o coelhinho fornicador de aves kkk

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