Dia mundial da água 22 de março

O galante elfo, paladino da justiça e protetor do meio ambiente, Luz, voltou triunfante para o Mundo das Fadas.

elfo guerreiro

O glorioso e digno ser ambiental retornou do campo de batalha depois de mais uma árdua e triste batalha contra os orcs invasores.

Dessa vez, a luta campal e sanguinolenta teve como objeto de disputa a proteção de um grande rio cristalino de águas doces e a respectiva área de preservação permanente – a mata ciliar que protegia as margens do curso da água azul da erosão. Os orcs maus invadiram o local e, consideradno o caráter ubíquo do meio ambiente (a natureza não respeita fronteiras políticas), objetivavam poluir toda a água do riacho, cuja função era abastecer o Mundo das fadas e seus numerosos habitantes. Os inimigos do bem fariam a degradação ambiental do rio incentivando a ocupação da região por populações marginalizadas, sem qualquer instrução ambiental, que certamente se apossariam do terreno atabalhoadamente, poluiriam as águas com fezes e esgoto e destruiriam a mata ciliar para construir os barracos que lhe serviriam de casas.

Felizmente, os orcs foram expulsos da fonte de água do Mundo das fadas. Luz, digno e ético que era, remanejou as populações marginalizadas para uma área com infraestrutura básica para a vida em sociedade e garantiu educação e cultura para essas pessoas até então desafortunadas.

Ao chegar à capital do Mundo das fadas, Luz, em que pese a humildade que lhe era inerente e imanente, foi recepcionado como um herói. Levado pelas massas fez um breve discurso apaixonado e sincero:

– Habitantes do Mundo das fadas, hoje é um dia de glória! As forças orcs recuaram!

A massa explodiu de emoção!

– Lindo! – Gritavam as fadinhas apaixonadas.

– Nossas águas foram preservadas!!! – Bradou orgulhoso o belo e incansável herói.

dia mundial da água

Nova aclamação repercutiu por toda aquela nação vibrante e pujante.

– A água é um bem de domínio público; é um recurso natural limitado e indisponível. – Clamava Luz orgulhoso e convicto nas próprias palavras.

As fadas beatas balançavam a cabeça religiosamente em sinal de aprovação.

– Precisamos  assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos. – Luz, o elfo amoroso e solidário, pensava não só em si, não só naqueles que o circundavam, mas também naqueles que ainda estavam por vir. – A utilização racional e integrada dos recursos hidrícos é um dever que se impõe a todos, Poder Público, à coletividade e a mim. – Disse o herói que sobre os ombros fatigados colocava mais um dever, dentre tantos outros que o próprio coração publícista e coletivo lhe impusera. As fadinhas choravam de emoção. Luz era muito responsável. Era para casar. Era perfeito e… muito bonito.

– Apesar de hoje ser um dia de glória e de vitória do bem contra as forças do mal, peço um minuto de silêncio em homenagem a nossos companheiros que tombaram em campo de batalha para proteger o frescor de nosso líquido da vida. – Luz, então, chorou. Lembrou-se emocionado dos elfos amigos que haviam dado a vida no campo de batalha para proteger aquele bem tão valioso, indisponível e de fundamental importância tanto para as pessoas do presente como para os descendentes daquela gente. Infelizmente, o elfo guerreiro, apesar das inigualáveis técnicas de luta que possuía, conseguiu salvar apenas quinhentos companheiros, sem prejuízo de eliminar, em dez minutos de batalha, 3.500 orcs de alta patente. Luz, entretanto, perdeu dois guerreiros. Apesar das perdas mínimas do ponto de vista estatístico, Luz, o vingador verde, vivia e considerava a vida como única. Uma perda, mesmo de um pet, era algo irreparával e que deveria ser chorado, lembrado e homenageado por toda a eternidade. Era como se um universo houvesse deixado de existir. Por isso, Luz jurou perante a todos, com lágrimas nos olhos, que não deixaria os orcs poluirem os recursos naturais e a natureza, bem como não toleraria desperdício de água.

– Oh! Ele é tão másculo e ao mesmo tempo sensível. – Murmuravam algumas fadinhas apaixonadas.

Luz, o amoroso e eternamente carente elfo, depois de criar inúmeras emoções conflitantes na multidão que o amava (da exaltação ao choro e deste à redenção), deixou o parlatório e se dirigiu para casa. Morava em uma árvore onde residia outros tantos habitantes – em uma éspecie de condomínio natural. Na unidade habitacional que lhe servia de morada tinha conforto e lá se sentia muito bem, principalmente porque zelava pela economia da água. Naquele dia, para sorte de Luz, o elfo sagrado e santo, alguém o aguardava louca de saudade. Este alguém era seu amor: Escuridão, a bruxa má.

Ao chegar, ambos se beijaram e se amaram, como costumavam fazer.

amor

Depois disso, Luz, revigorado e pronto para novas batalhas, foi tomar banho. Como era muito zeloso e respeitoso com água que lhe dava vida e que trazia vida a todos, tomou um banho rápido, de seis minutos. O suficiente para se ensaboar, lavar a bela cabelereira e se assear devidamente. Deixou o banho e foi estudar novos meios de contribuir para o bem difuso que tanto amava: a natureza. Neste ínterim, a bruxa má entrou no banho e ligou o chuveiro.

Quando Luz começava a ler algo de seu interesse, ficava entretido, esquecia o mundo e demorava para tomar ciência do que o cercava e do que ocorria a sua volta. Passada uma hora de imersão cultural, o elfo inocente se deu conta de que a bruxa má ainda estava no chuveiro. Foi em direção ao banheiro e perguntou angustiado, preocupado e curioso:

– Está tudo bem aí, paixão? –  Gritou por detrás do box.

– Está sim. Esse chuveiro é muito gostoso. É quentinho. – Respondeu feliz Escuridão.

Luz ficou enculcado. “Uma hora de banho?! Que desperdício de água! E o aquífero guarani como fica?!” Pensou o pobre guardião dos bens ambientais, que sempre perdia o chão em que pisava ao ver um mero vazamento. Nestas ocasiões Luz ficava com insonia e irritado até resolver o problema. Para evitar sentimentos de culpa supervenientes, o belo elfo se decidiu: “Preciso arrumar uma desculpa para meu querido amor sair do banho e não continuar jogando água ralo abaixo sem necessidade, em evidente afronta ao princípio da proporcionalidade e do equilíbrio ambiental.”

– Minha vida, lembrei que preciso sair. Estamos atrasados. – Gritou encabulado e ruborizado o elfo maravilhoso, que só mentia em situações singulares e com o fim único e exclusivo de preservar o meio ambiente e, na espécie, o líquido da vida.

Ainda se passaram dez minutos para finalmente Escuridão, a bruxa má, sair do banho.

– Estava bom o banho. Pena que não deu tempo de lavar a cabeça. Não sei como meu amor só fica três minutos no chuveiro.

– Seis minutos. – Corrigiu o sempre atento e iluminado ser.

– É, seis, meu amor tem razão. – Repetiu a bruxa, corrigindo-se do equívoco. – Meu lindo parece uma prima minha. Ambos entram e saem imediatamente do banho. Não dá tempo de limpar nem as partes pudendas. – Riu-se a bruxa má.

-Não, dá sim! – Exclamou otimista a criatura do bem. – É só esfregar o sabão direitinho e se enxaguar. Muito tempo embaixo do banho faz mal, pois tira os óleos e a proteção da pele.

– Tira nada. – Esnobou Escuridão. – Esse chuveiro é melhor que o daquele hotel e do que tenho na minha casa. Lá eu só fico quarenta e cinco minutos todos os dias, mas às vezes fico duas horas. – Comentou contemplativa.

Luz ficou pasmo.

– Nós não podemos desperdiçar recursos naturais. – Comentou pedagógico e paciente. – Eles são caros à humanidade e trabalhosos para ser obtidos e mantidos. Devemos cuidar da água como se fosse algo valioso, pois é bem de domínio público.

– Mas a conta de energia abaixou. – Atravessou perplexa Escuridão.

– Sim, a tarifa abaixou, mas o problema é o uso imoderado da água doce e cristalina; recurso limitado e que será motivo de guerra no futuro! E sobre o consumo de energia, também precisamos ser razoáveis e só usar o necessário, pois em que pese no Mundo das fadas existirem muitas hidrelétricas, elas degradam as áreas inunda…

– kkkkkkkkk. Eu já queimei um disjuntor da casa de uma prima! Só eu consegui fazer isso até hoje! Fiquei três horas embaixo do chuveiro – Orgulhou-se Escuridão da lembrança repentina.

– Mas e as outras pessoas da árvore-condomínio. – Luz tentou mudar o foco da discussão. – Elas certamente não querem que se desperdice água.

– O condomínio paga. – Escuridão solucionou o problema levantado por Luz com a peculiar praticidade.

Premido pela necessidade de dar algum argumento que dobrasse sua preciosidade e que a fizesse considerar e reconhecer a importância do manejo e uso correto da água, luz afirmou:

– Mas você está ficando verde de tanto tomar banho!

– Eu? Verde? Ah vá! Ah vá! Ah vá! – Gargalhou.

magico-de-oz-01g

O elfo incompreendido, então, percebeu que toda a luta de outrora contra os orcs havia ido por água abaixo, literalmente. Não conseguiu cumprir, nem mesmo na própria residência, a promessa que havia feito para si mesmo em nome dos amigos que tombaram no campo de batalha. Percebeu que o maior poder que existia, o de mudar a forma de pensar das pessoas, ele não detinha. Sentou-se derrotado sobre o sofá. Logo Escuridão, o amor da vida de Luz, consternada e sem compreender o que acontecia dentro do nobre coração élfico, veio sentar-se ao lado do herói abatido.

Luz neste momento, percebeu que sua musa da magia negra estava prestes a dizer algo. Sempre esperançoso, o pobro e sonhador elfo pensou que ela se comprometeria a defender o meio ambiente e a economizar água a partir daquele dia, mas a feiticeira apenas disse conformada:

– A vida é assim mesmo, querido.

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19 pensamentos sobre “Dia mundial da água 22 de março

  1. Aurora disse:

    sempre atrasado com as datas, tsc tsc…se era dia 22, por que deixou para publicar agora, 5 dias depois? 😛

  2. Aurora disse:

    A Escuridão diminuiu o tempo de chuveiro dela desde que conheceu o elfo – portanto, ele não perdeu a guerra, apenas uma batalha ou outra *rs*, e só porque a bruxa má tem as melhores ideias e devaneios, justamente, debaixo do chuveiro 😛

    • Adonis disse:

      Quando se referir ao Luz, o elfo bondoso e social, não se esqueça de atribuir inúmeros adjetivos positivos a ele =p

      Beijinho no coração!

      • Aurora disse:

        Uma bruxa má tem que manter sua fama maldosa! >: Até parece que atribuirá adjetivos positivos a ele…pfffff!!!

  3. Aurora disse:

    Favor arrumar meu link!! Sabe quantas visitas tive no meu primeiro dia de endereço novo??? UMA!!! *rs* Patético 😛

  4. Aurora disse:

    Reblogged this on Fiore Rouge.

  5. […] Dia das bruxas ecologicamente correto […]

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