Dia dos namorados – Feliz dia dos namorados

Luz, a criatura élfica fogosa e encantadora,

ELFO lindo

e Escuridão, a bruxa má, conservadora e antiquada, estavam juntos no restaurante Jacobino, próximo ao centro de bruxaria que a amada amaldiçoada frequentava. Vale observar que a comida do restaurante era cara e apenas razoável, como gostava a bruxa. Luz, também vale observar, preferia lugares onde a comida era boa, saudável e barata.

O sempre ilustre e cavalheiro elfo, Luz, em que pese os próprios compromissos educacionais e as formais palavras da namorada, que pediam para que ele partisse para não perder a aula, embora este não fosse o desejo da bruxa, aguardava, tranquilo, confiante e convicto de sua escolha, o início da aula de magia negra da companheira para, então, deixá-la sã e segura na boca do Inferno. Estava confiante de que a companhia da alvíssima e amada bruxa má era mais importante do que suas aulas de ética quântica, moral positiva, filosofia para todos e política social do futuro.

bruxa colorida

“As aulas podem esperar”. – Pensou feliz.

Conversa vai, conversa vem, Luz e Escuridão chegaram a um dos assuntos preferidos da bruxa: a maldade no coração dos seres vivos. Luz, sempre muito didático e persuasivo, afirmou, categoricamente, que só a maldade externalizada deveria ser punida, porque, obviamente, não haveria prejuízo concreto a ninguém se maus pensamentos ficassem alojados, inertes e inofensivos, sem qualquer publicidade, nas entranhas de seus portadores. No entanto Escuridão discordou de tal posição. A bruxa má afirmou, também categoricamente, que até pensamentos ruins deveriam ser punidos. Não era importante se tais pensamentos ficassem apenas no plano das ideias; que fossem abstratos, sem qualquer reflexo no mundo fenômonico. Luz, então, redarguiu: disse que a cogitação não era punível e que se fosse, todas as pessoas seriam criminosas, pois em algum momento da vida, mesmo que por um breve momento, elas desejaram que o mal pousasse sobre outrem ou tiveram pensamentos violadores dos sete pecados capitais.

Dito isso, a bruxa má esnobou, riu irônica, altiva e arrogante. Da face saltou um sorriso de escárnio e da boca saiu uma pérola:

– Eu nunca pensei mal de ninguém. Eu sou  uma santa. – Ergueu rápida e repetida vezes um dos ombros em claro sinal de desdém.

Luz, perplexo, estarrecido e boquiaberto, perguntou embasbacado:

– Você nunca pensou nada de ruim?! Nunca desejou o mal para uma pessoa?! Mesmo estando com raiva dela?!

– NUNCA! – Disse a bruxa má estufando o peito, arrogante e confiante na própria santidade. – Não guardo rancor de ninguém. – Arrematou secamente. Fez biquinho.

– Então você é uma santa? – Perguntou  ainda desnorteado o elfo verdadeiro, que sempre dizia a verdade.

– Sim! – Disse a bruxa entediada e naturalmente, olhando para os lados, como se aquele assunto já tivesse acabado.

Luz sorriu perplexo e malicioso. Aproximando-se da amada e adorável bruxa má, perguntou baixinho:

– Você nunca cometeu nenhum pecadinho?

– Nunca. – Respondeu indiferente a interrogada.

– Tem certeza? – Indagou em tom de voz baixo o curioso elfo, que, inclinado, pairava o vistoso peitoral sobre a mesa do restaurante.

– Sim. – Respondeu já demonstrando um certo desconforto com a impertinência do amor.

Luz abriu um sorrisão de resignação, aproximou-se um pouquinho mais da bruxa e questionou quase sussurando:

– Você nunca (…)  alheio?

– O quê? Não escutei. – Afirmou curiosa a bruxa também se inclinando sobre a mesa para ouvir melhor o elfo divino.

– Você nunca cobiçou o elfo alheio? – Perguntou sorrindo o elfo carismático.

De alva, a bruxa má ficou escarlate:

bruxa envergonhada

– Eu?! – Repentinamente ela passou a suar e o coração bateu acelerado. Os seios arfaram. Encurralada e surpresa, riu nervosa. Tirou os óculos. Olhou para os lados, como se buscasse uma resposta satisfatória para aquela pergunta imperguntável. Não achou nenhuma… O elfo sagaz, esperto e observador ria da confusão da namorada. E então, rendida, tentou se justificar:

– Eu estava quietinha no meu canto até você… aparecer na minha vida. A culpa foi sua. – E Escuridão riu maliciosa; caprichosa.

– “Sei…” – Pensou o elfo sagaz.

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7 pensamentos sobre “Dia dos namorados – Feliz dia dos namorados

  1. Clara disse:

    nao cobiçarás o elfo alheio.

  2. Aurora disse:

    tadinha da Escuridão…sempre caluniada! E ainda por cima sem direito de resposta 😛 Tudo isso só porque caiu vítima dos encantos irresistíveis de Luz e, por sua vez, lançou um feitiço poderoso e super do bem sobre o vaidoso e verborrágico elfo que a acusa de verborragia 😉

    • Adonis disse:

      “encantos irresistíveis de Luz “. Vc compreendeu o sentido do texto! Parabéns! =p

      • Álvaro disse:

        Para mim, Luz é na verdade muito malicioso (ele defende os pensamentos ruins e o rancor… além de ter sido malvado com a Escuridão >:-(.); e a Luz, tão inocente e meiga, sem nunca ter pecado (pelo menos por querer).

      • Adonis disse:

        A Escuridão vai adorar este comentário…

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