Zumbi walking, arma 2 dayz, Walking dead, Bonde da Carniça, Zumbi, Guerra mundial Z

Atenção todos os habitantes da cidade do Rio de Janeiro, deixem a cidade pelas rodovias Presidente Dutra e Washington Luís. Dirijam-se para essas vias em silêncio. Caso estejam contaminados, não venham. O exército e a Guarda Nacional impedirão qualquer tentativa de fuga da cidade por outra via que não as mencionadas vias. Estão autorizados a matar. Todos passsarão por exames clínicos e ficarão em quarentena antes de deixar a cidade. O Estádio do Maracanã está recebendo sobreviventes para proceder ao resgate aéreo. Se você não estiver contaminado, dirija-se para lá. Caso esteja, será morto imediatamente.

– Venha, vamos. Precisamos sair daqui. – Disse o turista paraibano João (44 anos) para a esposa Maria (36 anos) e para a querida filha Luísa (5 anos) assim que ouviu em seu Ipod o alerta governamental. A família estava perdida em meio ao caos urbano. Há quase um mês a capital do estado do Rio de Janeiro estava sitiada. Pânico total. Vândalos e pessoas sem nada a perder perambulavam pelas lojas abandonadas ou semi-abandonadas a procura de bens, dinheiro, remédios e alimentos. Saques e bandidos por toda a parte. Chacinas e homicídios. Pessoas desesperadas em fuga da cidade maravilhosa. Aeroportos, portos, rodovias, ferrovias e pontes fechados. Todas as principais vias de acesso à cidade bloqueadas. O exército brasileiro levantava trincheiras nos entornos da cidade. O exército, a Guarda Nacional, a marinha e a aeronáutica impediram a livre entrada e saída da cidade, seja de pessoas, seja de bens, alimentos, medicamentos ou provisões. A cidade sitiada estava em quarentena.

O trio, uma família unida, próspera e feliz, estava escondido em um hotel abandonado às pressas por funcionários e hóspedes, todavia já não tinha mais como se manter lá. João e a família estavam ficando sem comida e água. A energia não existia mais naquele prédio há dois dias. Dia e noite, pelas janelas do hotel, viam pessoas inocentes sendo mortas nas ruas por contingentes de bandidos e por criaturas contaminadas. Viam e ouviam a invasão truculenta de prédios vizinhos. Sabiam que logo seriam visitados por oportunistas e que outras pessoas na mesma situação provavelmente não os ajudariam, se é que elas ainda existiam. As poucas unidades policiais que restaram na cidade estavam aquarteladas em seus quarteis e delegacias. Também buscavam sobreviver. Lutavam diariamente contra atentados da bandidagem solta pelas ruas. Tratavam verdadeiras guerras contra os baderneiros que vagavam sem rumo ou direção pela cidade e contra o cada vez maior número de contaminados.

João, Maria e Luísa desceram as inúmeras escadas do prédio. O cheiro de morte era insuportável. Rezavam para que não houvesse bandidos ou contaminados por ali. Precisavam ser silenciosos. Não queriam chamar a atenção de ninguém.

Chegando ao saguão do hotel, entretanto, viram algumas criaturas andando a esmo por lá, procurando comida… carne humana. Os zumbis precisavam de carne fresca. Outro grupo de zumbis dilaceravam os restos de alguns corpos humanos.

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Luísa, que ainda não havia visto de perto todos os horrores que aconteciam naquela cidade devastada pela proliferação maciça de zumbis, gritou espantada ao ver o ato de canibalismo. João, incontinenti, tapou a boca da filha, tomou-a pelos braços e correu. Maria o seguiu. Os zumbis os perseguiram. Para sorte da família, as criaturas eram lentas e descoordenadas. Logo, ao tomarem a avenida, abriram uma consideravam vantagem sobre elas. Rapidamente e sempre em silêncio, entraram em uma pequena rua marginal, pois na avenida em que estava o hotel, haviam dezenas de zumbis andando sem rumo, à procura de carne. Correram angustiados. O pai continuava tapando a boca da filha, não poderia correr o risco de atrair mais criaturas ou contaminados, que eram mais velozes, quase humanos. Por sorte, naquele momento, um helicóptero das forças armadas cortou o céu. Estava indo em direção ao Maracanã para retirar pessoas dali. O barulho da máquina chamou a atenção de todos os zumbis, inclusive dos poucos que perseguiam a família. Os zumbis tinham fraca concentração e memória curta. A família entrou na via e se escondeu atrás de um carro abandonado e torrado. Por ora, João, Maria e Luísa estavam salvos.

Luísa, a protegida, era símbolo da luta daquela família, fonte de energia e coragem dos pais. Eles só não haviam sido pegos por criminosos, contaminados ou por zumbis, pois o instinto de sobrevivência de João e Maria, potencializado pelo ânimo de salvar a cria amada, os salvou várias vezes nos últimos dias.

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– “O que fazer? O que fazer? Há zumbis por todas as partes! A rodovia está longe.” – Pensava o pai aflito.

– Só nos resta ir até o Maracanã. – João disse angustiado e sem convicção. Todavia, Maria, horas atrás, ouviu pelas rádios que o entorno do Maracanã havia virado um palco de guerra.

– Querido, não dá. – Chorou Maria. – Precisamos ir pelo caminho mais longo. – Arrematou frágil.

Com efeito, os cariocas que foram deixados para trás, acuados pelos bandidos, tentavam entrar no estádio à força, mas eram impedidos pela polícia, que não podia permitir a entrada de pessoas no estádio sem ter a certeza de que não estavam contaminadas. O Governo Federal queria conter a disseminação daquela praga para o resto do país.

Havia muitos confrontos nos arredores do estádio, dezenas de milhares de pessoas pobres e esquecidas tentavam desesperadamente fugir da cidade. A batalha pela vida, as bombas da polícia, os tiros, os gritos e o barulho dos poucos helicópteros do exército atraíam milhares de zumbis e contaminados, que atacavam as pessoas.

– Então vamos para as rodovias. Eu tenho um GPS. Precisamos de um carro e de armamentos. – Decidiu o cansado João.

Seguiram por ruas laterais e marginais, buscando as poucas sombras daquela cidade ensolarada e fedorenta. João e Maria observavam muito antes de prosseguirem de obstáculo em obstáculo.

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O perigo maior não eram os zumbis, mas os seres vivos e mal intencionados que infestavam a cidade sem ordem. Por isso, João fez Luísa prometer não gritar mais, mesmo que visse um rato ou uma barata, pragas estas que também infestavam as ruas daquela cidade ao lado de pombos e moscas varejeiras.

Depois de algumas horas e de depois de passarem por diversos zumbis desatentos, encontraram o caveirão do BOPE abandonado. Inúmeras armas e esqueletos estavam ao lado do veículo. Ali havia ocorrido uma batalha. João tentou entrar no veículo e fazê-lo funcionar, mas não conseguiu. O veículo foi vítima, dias atrás, de uma grande explosão – provavelmente um míssil de algum traficante o atingiu. Havia dois esqueletos dentro dele. Os zumbis havia passado por ali… Todavia, João percebeu que algumas armas ainda funcionavam. Pegou dois fuzis, várias munições, pistolas, coletes à prova de bala e outras armas. Colocou o que pode em duas mochilas gigantes que outrora pertenceram aos policiais mortos. Felizmente João era forte e sabia atirar.

Seguiram da mesma forma: escondidos e pelas sombras. Só paravam para comer ou para recolher alimentos em lojas e mercados abandonados e saqueados. Naquele momento precisavam apenas de um carro para sair daquele inferno. Infelizmente parecia que não havia carros em condições de movimento naquela região.

Correram abaixados para trás de mais um carro inútil, uma brasília amarela style, cujos pneus estavam furados.

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Seguiam o caminho indicado pelo GPS – o que era deprimente, pois evoluíam a passos de tartaruga, tendo em vista que o mapa demonstrado no aparelho quase não evoluía. Era como se estivessem parados.

Mas as coisas sempre podem piorar…

Escondido sob a brasília amarela style havia um zumbi rastejante, sem as pernas, quase morto. Pego de surpresa pela criatura moribunda, João viu a filha ser mordida pelo zumbi.

– NÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! – O pai atirou inúmeras vezes na cabeça do zumbi, única forma eficiente de matá-los. Luísa gritou e chorou desesperada de dor, pois a criatura maldita arrancou um pedaço do tecido da perna da garota. Maria passou a gritar tresloucadamente. João e Maria sabiam que em questão de horas Luísa estaria agressiva e apta a contaminar outras pessoas. Sabiam que em menos de vinte quatro horas ela entraria em um processo de transformação e putrefação muito rápido. Sabiam que em no máximo cinco dias viraria um zumbi. Não havia cura para aquele mal sem precedentes que surgiu do nada há poucas semanas na cidade do Rio de Janeiro. As autoridades desesperadas com a rápida expansão do vírus zumbítico não sabiam mais o que fazer e, então, fecharam a cidade e só permitiam sair dela as pessoas que passavam por um estágio de quarentena de pelo menos cinco dias no estádio do Maracanã ou nas rodovias Presidente Dutra e Washington Luís.

João, apavorado, tomou as filhas nos braços. Largou as mochilas e correu em direção à praia. Se tivessem sorte, lá poderiam ser vistos por algum helicóptero ou lancha das forças militares ou por algum motorista bondoso que estivesse tentando fugir da cidade. Maria pegou a pistola e seguiu o marido. Chorava compulsivamente. Por sorte, naquele momento, na rua que ligava a praia ao local do incidente, não havia nenhum zumbi ou contaminado.

Chegando à praia olharam esperançosos para todos os lados. Desolação… João pensou em entrar no mar para tentar salvar a filha – talvez a água do mar limpasse o ferimento de forma que o vírus não conseguisse se propagar pelo corpo da garota. Queria acreditar nisso, não tinha coragem de arrancar a perna da própria filha. Mas antes que prosseguisse em direção à água do mar, ouviu uma música muito alta vinda do horizonte.

Viu surgir no horizonte escaldante um caminhão gigante. Na verdade, era um trio elétrico. Esperançoso, acenou e correu em direção ao veículo.

O carro se aproximou e parou, mas sem desligar ou abaixar o som.

João e Maria, lacrimejando, seguiram até o caminhão. Sobre ele havia vários homens e mulheres interagindo. Os homens estavam sem camisa e portavam fuzis. Usavam joias, bermudões, chinelões e óculos escuros. As mulheres usavam roupas justíssimas e dançavam assanhadas. Eram traficantes de drogas e as respectivas namoradas. Ao lado das caixas de som havia uma enorme bandeira branca estendida e pichada com os seguintes dizeres: Bonde da Carniça.

O motorista olhou estranhamente para o casal de turistas e com um gesto mandou os companheiros abaixarem o som:

– Precisamos de ajuda!! – Gritou João um tanto assustado assim que o som abaixou.

– Nos ajude moço, por Deus! – Maria choramingava cegamente.

– Nossa filha foi mordida. Precisamos levá-la para um hospital. Precisamos levá-la para a rodovia Presidente Dutra ou Washington Luís!

O traficante olhou introspectivo para o casal.

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Então, disse:

– Ela já era, vai virá carniça!  Não perde tempo, véio. Mata ela.

– Mas ela é nossa filha! Vamos perdê-la! Só precisamos de uma carona. Acabou de ser modida. Temos tempo ainda. – As lágrimas finalmente inundaram os olhos de João.

– Mata ele! – Gritou uma voz feminina do alto do trio elétrico. Estava irritada. Queria voltar a dançar. Logo o som voltou a tocar alto.

Ban! O motorista atirou para o alto. Portava uma pistola automática.

– Ô caraio, filha da puta, eu mandei baixa essa porra aê, cadela! – Determinou o líder do bando.

– Viado! Não quer me comer? Intão cala boca e mi deixa!

– Disliga essa merda, se não eu vou aí enfiar essa porra no seu cu, vagaba!

– Você vai ficar sem buceta! – Gritou a desgraçada em resposta.

E o som foi abaixado. Ouviu-se injúrias e coisas serem quebradas no alto do trio elétrico, bem como gargalhadas masculinas.

À essa altura, centenas – talvez milhares – de zumbis apareceram das ruas que escoavam para aquela praia. As criaturas foram atraídas pelo som do trio elétrico. João ficou mais angustiado ainda, em poucos minutos elas estariam ali e se os traficantes não os ajudasse…

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Todavia, vários tiros partiram de cima do trio. Os traficantes estavam se divertindo. Brincavam de tiro ao alvo. Ban!! Ban!! Ban!! Tra ra ra rá!!!! Buuumm! Os integrantes do Bonde da Carniça ficavam excitados, extasiados, com a matança. Ban!!! Podiam matar livremente e por esporte, à luz do dia, sem os milicos para encher. Ban!!!  As garotas gritavam histéricas. Apesar da matança, o número de zumbis era muito grande e crescia a cada disparo. Estavam com fome.  Ban!! Ban!!

– Corta a perna dela, mano. – Disse reflexivo o traficante.

– NÃO!!! – Gritou a mãe. – Nos ajude, por favor! – Maria ajoelhou-se. Não sabia mais o que fazer ou dizer.

– Nóis ganha o que cum isso? –  Perguntou o motorista enquanto coçava o nariz com o cano da pistola.

Ban! Ban! Tra ra ra rá!!!! Buuumm!

Imediatamente, João lembrou:

– Armas! Tenho várias armas. Sei onde pode obter um número considerável de armas. – O pai sentia em seus braços a filha se retorcendo de dor. A febre já dava os primeiros sinais. Lágrimas de sangue vertiam pelo rosto da coitada.

lágrimas de sangue

Ban! Ban! Tra ra ra rá!!!!

– E cadê as armas? – Perguntou desconfiado o motorista do Bonde da Carniça.

Ban!!! Ban!!!

– Estão ali, naquela rua. Atrás de uma brasília amarela style. – João apontou a direção a ser seguida. O motorista então mandou ligar o som novamente com um gesto. Foi prontamente atendido.

Em seguida, puxou novamente a pistola e…

Ban! Ban!

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