Círculo de Fogo – Crítica. Não leiam antes de assistir o filme!

O filme não versa sobre mitologia, mas como faz alusão à minha infância, na qual assisti Jaspion, Flashman e Changeman, resolvi escrever esta crítica.

Adorei o filme. Perto deste filme, Transformers é bosta. Círculo de Fogo tem tudo aquilo que eu gosto: pancadaria, destruição, perigo global, criaturas de outro mundo, situações irreais, efeitos especiais, uma gostosinha para confrontar o herói, discursos motivacionais, maniqueísmo, heroísmo, mas algumas considerações, não necessariamente negativas, devem ser feitas.

A história é singela. Não é necessário mais de alguns míseros minutos para explicar a trama inteira. Grandes monstros alienígenas (kaiju) invadem o planeta Terra não pelo céu, mas sim por um “buraco de minhoca“, cuja abertura situa-se no fundo do oceano pacífico, entre duas placas tectônicas. Os ataques são sucessivos e cada vez se tornam mais frequentes. Os monstros também são cada vez mais poderosos, maiores e adaptados ao tipo de represália imposto pela humanidade. No início da trama os invasores têm categoria três e depois passam à categoria quatro, para no fim do filme aparecer um de categoria cinco.

A humanidade teve a brilhante ideia de combater os kaijus com os Jaegers – robôs super gigantes e fodões, comandados por duas pessoas conectadas ao jaeger e entre si, pois só uma não suportava a pressão. Nem vou dizer que é uma estupidez construir jaegers, cuja tecnologia é muito complicada e está fora do alcance da sociedade atual – a história se passa durante esta década e entra na próxima – quando alguns caças e bombardeiros seriam muito mais eficazes e baratos para destruir o inimigo. Sei que no filme se disse que não era possível abater os kaijus com aviões, mas… ah vá! Qualquer bombardeiro atual mataria um kaiju. Temos armas e misseis potentes, muito mais potentes que o soco de um jaeger. Se dependesse de mim, o filme nem sairia do papel, mas como é fantasia e só diversão, tudo bem. Que se construam jaegers e que se joguem trilhões de dólares no lixo.

As lutas poderiam ser melhores – a grande maioria delas foi travada à noite ou no fundo do mar, o que dificultava a visualização das cenas.

Vi referências ao filme Avatar quando se descobriu que os alienígenas tinham uma sociedade ligada por uma espécie de consciência coletiva – em Avatar o planeta Pandora e as criaturas nativas são todos conectados, como se fossem parte de uma rede virtual de alta velocidade. Também vi referências a Os Vingadores, pois no final do filme foi deixada uma bomba no planeta de onde partiam os ataques e o herói consegue fugir no último momento pelo buraco de minhoca que estava prestes a se fechar. E nos momentos que precederam essa explosão em terras alienígenas, a câmara focou o rosto de um dos ET’s, como ocorreu em Independence Day. Outra referência a Independence Day foi a justificativa para a invasão alienígena: eles vão de mundo em mundo, consumindo-os, ou seja, é uma raça evoluída de parasitas.

Felizmente nenhum civil foi morto durante as batalhas kkkkk. Só víamos pessoas correndo, prédios caindo, kaijus e jaegers serem jogados de um lado para o outro, navios e petroleiros serem usados como armas, mas não conseguimos ver a morte de ninguém. O diretor disse que foi proposital. Tudo bem, vai. Chega de sangue e agonia, né?

Havia muitos clichês na trama. O herói que perdeu o irmão, a mocinha que queria vingança, a mocinha batendo em um cara fortão e lutador, a mocinha toda certinha e o herói todo errado, o líder competente e severo, o herói que desobedecia o líder, a rivalidade do herói com um carinha egoísta que depois virou amiguinho, o sacrifício dos personagens secundários, a fuga extraordinária da morte do herói e da mocinha, os cientistas abobalhados que ajudam a salvar a humanidade, o espertalhão que enriqueceu vendendo produtos kaiju para os ignorantes.

O filme, em que pese maneiro e nostálgico, falha na pretensão de ser internacional. Os jaegeres russo e o chinês não são bem aproveitados na trama. Tomam um pau dos kaijus. Não demonstram a fama de fodões que têm. O mundo é salvo pelos americanos, óbvio. Além disso, o jaeger australiano é o mais foda de todos – todos sabemos que a Austrália é uma extensão do norte americanos. Ademais, existiam poucos jaegeres. E o brasileiro, por exemplo? (Se o filme respondesse essa questão diria que estaríamos atrasados e que havia superfaturamento em algumas peças) Poderia existir jaegers de outras nações e mais kaijus.

Algumas cenas são muito rápidas. As coisa acontecem de uma hora para outra. Os jaegers são transportados por poucos e pequenos helicópteros, mas mesmo carregando toneladas de metal, atravessam grandes extensões de espaço muito rápido. Parece que o mundo é pequeno… E a cena que um dos kaijus voa e leva o jaeger herói para a estratosfera? Em um segundo estão rente ao solo, no outro já estão em órbita.

Um defeito grave do filme: a mocinha gostosinha estava sempre com muita roupa.

Tirando essas observações, adorei o filme. É uma excelente diversão. Uma boa forma de sair da mesmice dos filmes hollywoodianos que tentam fazem tramas super elaboradas, mas não conseguem. Este é um filme simples. Tão simples que não se vê muita lógica na ação alienígena: mandar um kaiju de tempos em tempos (períodos que se reduziam conforme o tempo passava) para causar alguns estragos e fazer reconhecimento. Um puta gasto de recursos alienígenas. Isso é o mesmo que dizer: desenvolvam defesas contra nossos ataques programados, datados e esporádicos.

O filme diz que os alienígenas já estiveram aqui no planeta Terra, mas na era dos dinossauros e que voltaram só agora porque nós poluímos o ambiente, tornando-o adequado 0.0. Os alienígenas poderiam ter feito isto, você não haja? Tiveram milhões de anos para tanto. Afinal de contas poluir é mais fácil que limpar.

Não é um filme totalmente sério e sóbrio. Tem muitos personagens e situações que se pretendem engraçadas, embora eu particularmente não tenha rido de nenhuma delas. Não é um filme dramático. Não mostra a aflição e drama das pessoas. Pelo contrário, em certo momento mostra que a situação (invasão kaiju) é explorada economicamente – venda de produtos, bonecos e jogos baseados nas criaturas aliens. Mostra que as pessoas se acostumaram com aqueles ataques e criaram seus heróis e ídolos.

Esta é minha primeira impressão do filme, preciso ver de novo e pensar sobre ele. Apesar de todas essas críticas, o filme entra para minha lista de filmes favoritos na posição 21, pois é divertido, cheio de ação, de certa forma original e me faz recordar da minha infância, resgatando um gênero há muito esquecido.

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4 pensamentos sobre “Círculo de Fogo – Crítica. Não leiam antes de assistir o filme!

  1. Aurora disse:

    O Daileon não estava lá…sniffff!!!

  2. Aurora disse:

    Antes de mais nada, quero expressar meu sentimento de revolta e indignação ante o fato de você resenhar apenas o que lhe interessa!!! – quer dizer, o blog é sobre mitologia, e você resolve escrever sobre robôs japinhas?? Até aí, tudo bem, tudo bem, você é dono do blog e escreve sobre o que bem entender….entretanto, não pude deixar de notar que já escreveu resenhas de diversos filmes que não versam sobre mitologia, mas que você, fanático por sangue, lutas, quebradeira, aliens, demoniões e afins *rs* Cadê as resenhas sobre o Frankenweenie? Sobre o Meu malvado favorito?? Sobre o A origem dos guardiões??? E o Motoqueiro Fantasma????? Hein, hein, hein?????? Humpf…!!!!! Todos os melhores filmes que já vimos (nem vou mencionar os geniais do Altman para não passar nervoso…) você nem sequer mencionou, muito menos dedicou tempo escrevendo sobre eles! Meu único alívio é que você não escreveu sobre aquela porcaria de filme com o Alien/Predador cujo nome fiz questão de esquecer *rs*

    Bom, agora que já expressei toda a minha revolta, passo ao Círculo de Fogo: o título é bem mais legal do que o filme *rs*, mas tudo bem, outra expectativa frustrada 😛

    Você falou que a grande maioria das lutas foi travada à noite ou no fundo do mar, o que dificultava a visualização das cenas. Verdade. Acho que isso é sinal de preguiça e/ou incompetência da galera responsável pelos efeitos gráficos, porque só isso justificaria o fato de os bichões só atacarem à noite…em plena luz do dia eles seriam muuuuito mais aterrorizantes!!!!! Mas aí, claro, os caras teriam que caprichar em detalhes a carapaça dos bichos…o que não é o caso se eles estão semi-camuflados por água e/ou escuridão!

    Não acho que o fato de a mocinha estar sempre com muita roupa seja um defeito, menor, médio ou sequer grave do filme *rsrsrs* O defeito REAL do filme é não ter mostrado nada, nadinha, naaaaadaaaaa, do mocinho com a mocinha…quer dizer, pombas, antes mesmo de eles se conhecerem já rola aquele misto de atrito e atração….o carinha fica babando por ela e querendo que ela seja co-pilota…aí depois finalmente os dois se CONECTAAAAAM (quer metáfora sexual melhor??? kkkkk) de forma tão poderosa que quase detonam tudo (kkkk!!!!), e no entanto o filme nem mostra um reles selinho, que dirá um beijão daqueles bem cinematográficos???? Pffffff….brochei geral!!! Imperdoável, imperdoável!!!!

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