O filme novo da Tinker Bell – Crítica(?)

Segue resenha feita pela blogueira Aurora – com quase uma semana de atraso, rs.
Obs.: eu escolhi as fotos, rs.
Obs. 2: note a modéstia da autora da resenha, rs.
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“Leia e aprenda com quem sabe😉 kkkkkkk
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O filme novo da Tinker Bell

Títulos de filmes diferem dependendo da língua de cada país…se aqui no Brasil o novo filme da Disney chama-se Tinker Bell: Fadas e Piratas, em outros lugares chama-se Fadas Piratas ou simplesmente A Fada Pirata (no singular mesmo).

zarina

Seja como for, o filme contém todos os ingredientes Disney: as fadinhas são politicamente corretas (há uma negra, uma loira, uma ruiva, uma morena, uma asiática, uma que tem cabelos azuis…); as musiquinhas têm refrões grudentos, mesmo na versão dublada; há uma protagonista (ou melhor, anti-heroína) em semi-crise existencial (o filme começa com a música “Who I am”, com uma letra que diz que ela quer ser livre para ser quem é…) que deverá enfrentar certos obstáculos antes de conseguir sua vitória final, a importância da amizade fiel e do perdão, enfim, tudo aquilo que já é manjado.

Em termos de narrativa, temos o seguinte: Zarina, a protagonista (pois é, a Sininho nem é a mais importante do filme mas lá está o nome dela no título, afff…) é uma fadinha descuidada – ela gasta pozinho mágico demasiadamente e começa o filme andando pelo Refúgio das Fadas por conta de não ser precavida nem econômica o suficiente (caso você não tenha entendido, as fadas não voam por serem seres mágicos, e sim porque salpicam pozinho mágico sobre si). Ao longo da breve caminhada de Zarina somos introduzidos ao mundo mágico em que as fadinhas vivem: não vemos apenas a floresta linda e coloridissima, que mais parece um jardim celestial, como também os insetos e outros bichinhos que ali habitam (alguns dos quais são banhados pelas fadinhas com o auxílio de flores!). Tudo muito lindinho e fofo, mas desde essa primeira sequência já dá para ver a ética laboral em ação: todos ali estão trabalhando incessantemente, cada qual com sua tarefa (uma fada, a que tem poderes botânicos, joga pozinho sobre botões para fazer as flores crescerem rapidamente; outra, cujo poder exerce sobre as águas, rega as flores; uma terceira, cujo poder é manipular a luz do sol, direciona tal luz para contribuir com o processo), divisão do trabalho em último grau, não há tempo para curtir…Vejam o início do filme, tem 51 segundos:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=eMwKVnYqzJA&w=560&h=315]

Tinker

Apesar de todos parecerem felizes (há sons de risadas desde os primeiros segundos de filme) e não-alienados, Zarina é a única que aparenta de fato estar feliz e integrada com a natureza (pula de flor em flor, balança num cipó, passa as mãos nas plantinhas), ela é a única “peça que não se encaixa” na “máquina” que funciona perfeitamente ali. Não é tão produtiva quanto o restante, até porque “perde tempo” caminhando ao invés de se locomover pelo modo socialmente aceitável, e na fábrica de pozinho mágico (que na verdade é uma árvore), quase chega atrasada, interrompe a linha de produção, questiona a fatura do pozinho…em suma, ela tem curiosidade científica, não é alienada, sempre pergunta o porquê disto e daquilo, e realiza experimentos paralelamente à atividade profissional rotineira e maçante.

Fairy-Tale-Fantasies-J-Scott-Campbell-Tinker-Bell

Por isso mesmo, ela é mal vista pela comunidade em geral, e muito em breve se tornará a “rebelde sem causa” aos olhos deles, não só por questionar a como é feito o pozinho dourado, e de onde vem o pozinho azul que o origina, mas também por imaginar (e fabricar) como seriam as coisas se existissem os pozinhos rosa, roxo, laranja…a fadinha, por perturbar a ordem, perderá o título de guardiã do pozinho e expulsa do paraíso.

Marginalizada, ela se tornará presa fácil dos piratas, cuja manipulação pseudo-amigável tem como resultados: 1- a traição à comunidade (ela bota todos para dormirem com pólen de orquídeas!); 2- o roubo do pozinho azul; 3- a traição às amiguinhas (ela troca o talento de todas); 4- a captura e aprisionamento das amiguinhas, e, no final das contas – quando o pirata James (o futuro Capitão Gancho) revela suas intenções verdadeiras – de si própria.

O restante do filme resume-se às tentativas de fuga e de resgate das fadinhas – tanto do pozinho mágico quanto da própria Zarina -, bem como às tentativas de impedir os piratas de alcançarem seus objetivos. Claro que tudo acaba bem, afinal, é um filme da Disney, oras, a ordem tem que ser restabelecida sem o prejuízo de nenhuma das partes!

PS 1 – o jacarezinho que mais tarde vai comer a mão do Gancho é um fofo!!!😉

crocodilo tinker bell

PS 2 – claro que as fadinhas têm corpos perfeitos, maquiagem idem, cabelos idem e vestidos idem. Péssima influência sobre as meninas da audiência que, assistindo a este e outros filmes similares, desde cedo terão incutidos em seus olhos, cérebros e corações os ideais “periguetenses”…”

9 pensamentos sobre “O filme novo da Tinker Bell – Crítica(?)

  1. Adonis disse:

    “as fadinhas têm corpos perfeitos, maquiagem idem, cabelos idem e vestidos idem”. Não vejo isso como uma má influência, mas sim como um exemplo a ser seguido. É notório que nos EUA a obesidade é um problema de saúde público. Se enxergarmos com bons olhos as protagonistas, veremos que são um elogio ao cuidado com o próprio corpo, aparência e a saúde.

    • Jhowjhow disse:

      As sacerdotisas de Flidais se maquiavam não por luxuria, mas para valorizar o eu feminino. Um pouco de vaidade faria bem para as pessoas, não sou o tipo de pessoa que aprecia a vulgaridade, mas sensualidade é uma coisa importante para ambos os sexos

      • Aurora disse:

        não entendo essa ligação imediata entre feminilidade e vaidade, ou pior, feminilidade e cosméticos. A maioria de nós detesta isto, e as que dizem gostar passaram por anos, décadas de treinamento mental e físico para “aprender a”. Eca.

      • Adonis disse:

        Concordo. Assino embaixo.

    • Aurora disse:

      se a propaganda pró corpos bonitos fosse saudável, os EUA, que estão afundados até o pescoço nisso há pelo menos 60 anos, teriam apenas Miss…esse tipo de representação, justamente, é muito prejudicial. As meninas dos EUA são lindas – é a partir dos 15 que começa a decadência lá, justamente porque é a fase em que mais fortemente querem imitar as revistas/filmes, etc.

      Sem contar que não é nada realista ou justo exigir um corpo lindo, sem celulites e sarado, saudável, numa sociedade como a nossa, em que o estilo de vida considerado nao apenas normal, mas desejável, é aquele em que se fica sentado num escola horas a fio durante a infância e adolescência, e nas horas livres, na frente do vídeo game e da tv, e agora, teclando no celular e computador incessantemente. Para os adultos, idem, com a diferença da escola: troca-se horas sentado numa carteira escolar por horas sentado na frente de uma escrivaninha num escritório. E mesmo que tal estilo de vida nao fosse exatamente assim, suspeito que, devido ao advento da comida industrializada, que ultimamente decaiu ainda mais em termos de qualidade (sal em demasia, açúcar em demasia, gordura em demasia), ainda assim teríamos essa epidemia de corpos acima do peso ideal, taxas de colesterol elevadas, glicose nas alturas e cânceres se espalhando como fogo em palha. Até nossa água está contaminada….

  2. Aurora disse:

    é, foi o Adônis que escolheu as fotos ilustrativas….por isso mesmo, quem quiser ver fotos mais legais, e num tamanho muito mais decente, por favor, dirija-se ao meu foto-blog: http://anotheraurora.wordpress.com/2014/03/13/tinker-bell-fadas-e-piratas/

    • Adonis disse:

      Não perde a chance de fazer uma propagandazinha, né? =p Como vc coloca carinhas amarelas nos comentários?

      • Aurora disse:

        Não, assim como você não perde a chance de pedir votos nas suas enquetes😛

        Ué, a carinha é transformada automaticamente em amarelinha se você usa os emoticons tradicionais😉 dois pontos mais ) ou (

  3. Adonis disse:

    “se a propaganda pró corpos bonitos fosse saudável, os EUA, que estão afundados até o pescoço nisso há pelo menos 60 anos, teriam apenas Miss…”

    Acho que essa tese, é menos provável do que a tese que diz que seria muito pior se não fosse esses apelos e menos provável ainda do que a tese que diz que o estímulo à alimentação porca dos americanos anda junto ao fetichismo do corpo sarado.

    De qualquer forma, a obesidade é mais acentuada em adultos. Normalmente crianças sofrem menos com a obesidade, pois, evidentemente, tiveram menos tempo de vida para engordar. Ficaram menos expostas ao American Way Life. Vc mesma disse que a decadência começa aos 15 anos =p

    Se assim é, não há porque não retratar fadinhas como crianças magras. Como dito, crianças não são o maior problema. Também não há porque não estimular que fiquem magras, desde que o façam com uma boa alimentação repleta de vegetais, folhas, frutas e legumes, associada a exercícios físicos rotineiros =p

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