Golias – O retorno do campeão São Paulo Futebol Clube

Em um ponto qualquer do tempo-espaço, havia um Santo chamado Golias Paulo. São Golias era um verdadeiro titã, uma potência vitoriosa, dona de incomensuráveis feitos e incontáveis títulos.

 

Respeitado pelos bons e invejado pelos maus, São Golias traçava muito habilmente seu caminho de glórias e vitórias.

 

 

Golias Paulo vivia em uma floresta repleta de bichos ameaçadores como gambás, porcos, leões, urubus, peixes, galos, raposas e sacis-pererês.

 

 

Frequentemente alçava voos para desafios maiores em terras orientais, onde sempre triunfava, pois era o melhor representante daquela floresta. Apesar das ameaças constantes da bicharada, Golias era soberano, principalmente quando o desafiavam em sua bela casa, o Morumtri. Invariavelmente vencia seus adversários mesquinhos, incompetentes e corruptos.

No entanto, um dia, São Golias, Golias Paulo ou São Paulo, como também era conhecido, encontrou uma garrafa de vodca chamada Juvenil Jumêncio.

Foi o início da decadência…

 

No começo da bebedeira ainda era vitorioso nos combates que travava contra seus rivais, mas a ingestão daquela bebida alcoólica diariamente, e cada vez mais trazia, o vício do continuísmo e da arrogância. Trouxe doenças e a cegueira também. Golias Paulo começou a tropeçar sozinho.

 

Nosso herói não mais se renovou. A bebida acabou com sua capacidade de se reinventar, de se manter moderno, de se atualizar, de ser referência dentro daquela floresta. Queria fazer tudo ao mesmo tempo, mas não fazia mais nada direito. Golias se limitava a dizer que entendia das coisas e que tinha razão, embora fosse motivo de chacota. Ficou arrogante; insuportável. Aqueles que conviviam com São Golias se dividiram em dois grupos: bajuladores babacas e pessoas competentes. Estas, insatisfeitas, já não rendiam mais como antes. Notavam que a centralização do poder e a crescente petulância de Golias logo o derrubariam. São Golias Paulo passou a trocar frequentemente as pessoas que o cercavam e contar com incompetentes em seus quadros achando que a estrutura montada pelos competentes se manteria sozinha, sem material humano distinto. Enfim, muitos apoiadores de São Golias, aqueles que o ajudaram a se transformar em referência, muitos dos que o amavam, foram embora, se afastaram… tudo por causa da bebida.

 

 

Mas não só os vícios vieram, as doenças também. A primeira doença que a bebida Juvenil Jumêncio causou foi a transformação de uma eficiente, porém envelhecida, célula de defesa do corpo de Golias chamada M1to em um carrapato chamado Fomério Senil. A mencionada célula de defesa foi convencida a ficar porque também não percebeu que seu tempo havia passado; que o ciclo da vida deveria ser respeitado; que deveria dar lugar a outra célula de defesa; que havia ficado chata. Invariavelmente perdia a chance de aposentar e de ser lembrada pelos seus feitos e não por sua perenidade desarrazoada ou pelas sucessivas falhas recentes.

 

 

Fomério Senil às vezes salvava, às vezes falhava na salvaguarda da saúde de Golias. Deixou de ser confiável. Enfim, deixou de renunciar ao seu trabalho, ignorando os efeitos da passagem do tempo, para dar lugar ao egoísmo e ao intervencionismo no organismo hospedeiro.

 

Depois, Golias pegou um vírus chamado Luís Pipoqueiro. Nas batalhas mais intensas, quando mais se exigia frieza, controle emocional, atitude, perseverança, tranquilidade, profissionalismo, hombridade, ataques precisos e que colocassem um fim na batalha, Golias explodia descontroladamente de raiva e fúria; tomava golpes que o levavam a nocaute. Derrotas para gambás, porcos, peixes, sacis-pererês se tornaram freqüentes.

 

Mas as coisas podiam piorar, e pioraram. Outra doença chegou no Morumtri: Paulo Apático Ganso. Outrora reconhecida como uma bactéria benéfica para o corpo dos peixes, Paulo Apático Ganso se instalou em Golias e trouxe apatia para a vida do gigante. Não havia mais em Golias vibração, ambição, intensidade, vontade de viver, desejo pela vitória… agora só havia comedimento, sorrisinhos laterais, acomodação, resignação, desculpas esfarrapadas e cara de bunda. O talento do outrora talentoso Golias foi apagado por essa bactéria.

 

 

Por fim, Golias Paulo ficou cego, não biologicamente, mas mentalmente. O mundo se despedaçava ao seu redor. O isolamento e brigas com antigos aliados se tornaram frequentes. Golias deixou de ser um exemplo, de ser uma referência, de ser o que todos gostariam de ser. Isolado, sem rumo, ultrapassado, Golias passou a perder não só para seus tradicionais rivais, mas também para coxas, macaquinhas e, pasmem, penas…

 

penalapolense e são paulo

 

Ainda assim, se achava soberano. Realmente estava cego. Vivia do passado. Continuava a olhar de cima para baixo sempre que se levantava dos sucessivos tombos em arapucas, sem qualquer humildade, sem ter aprendido a lição. Não largava da bebida. Aqueles que o amavam e por ele torciam sofriam a cada golpe, a cada queda, a cada derrota vergonhosa daquele gigante.

 

2006 – Libertadores, perdeu a final para o Inter
2006- Recopa, perdeu para o Boca Juniors
2007- Libertadores, eliminado nas oitavas de final pelo Grêmio
2007- Paulista, eliminado pelo São Caetano na semi
2007- Sul-Americana, eliminado nas quartas pelo Milionários (COL)
2008- Libertadores, eliminado nas quartas pelo Fluminense
2008- Paulista, eliminado na semi pelo Palmeiras
2008- Sul-Americana, eliminado na primeira fase pelo Atlético-PR
2009- Libertadores, eliminado nas quartas pelo Cruzeiro
2009- Paulista, eliminado na semi pelo Corinthians
2010- Paulista, eliminado na semi pelo Santos
2010- Libertadores, eliminado na semi pelo Inter
2011- Paulista, eliminado na semi pelo Santos
2011- Copa do Brasil, eliminado nas quartas para o Avaí
2011- Sul-Americana, eliminado nas oitavas para o Libertad (PAR)
2012- Paulista, eliminado pelo Santos na semi
2012- Copa do Brasil, eliminado na semi pelo Coritiba
2013- Paulista, eliminado pelo Corinthians
2013- Recopa Sulamericana, eliminado pelo Corinthians
2013- Libertadores, eliminado pelo Atlético Mineiro

2013- Sul-Americana: São Paulo 1×3 Ponte Preta / Ponte Preta 1×1 São Paulo (semifinal) 

2014- Paulista: São Paulo 0x0 Penapolense – 4×5 nos pênaltis (quartas) 

 

São Golias Paulo não percebeu que anos sem vitórias se passaram, não percebeu que seus admiradores se afastaram, não percebeu que seus estandartes foram guardados, não percebeu que os inimigos se fortaleceram, ainda que inescrupulosamente. Enfim, achava que estava tudo sobre controle.

 

 

Porém há uma esperança, a garrafa de vodca chamada Juvenil Jumêncio está acabando e não há outra droga tão potente como aquela na floresta. O fim da decadência de São Paulo está próximo.

 

 

O fim do caos, das trevas, da tristeza, da desesperança, da vergonha, das lamentações, do choro, do olhar vazio e incrédulo, se dará no dia 16/04/14. Dia em que o gigante acordará. Dia em que o titã se livrará de seu mal, de seu vício cancerígeno. Dia em que o rolo compressor retomará seu curso.

 

 

sao-paulo-rolo-compressor

Dia em que Jason voltará!

sao-paulo-futebol-clube

 

 

Dia em que Golias voltará a ser aquilo que sempre foi: um campeão! O maior de todos e do Mundo! Esse é teu destino São Paulo!

 

 

 

3 pensamentos sobre “Golias – O retorno do campeão São Paulo Futebol Clube

  1. Lina disse:

    Sensacional cara !
    O campeão vai voltar, com certeza.
    _X_

  2. Adonis disse:

    Mais de um ano se passou, e o São Paulo continua uma draga =(

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