Lúcifer e a conspiração dos arcanjos – Parte 2

Vide capítulo anterior.

 

O necromante, perplexo, olhava o rosto tenso do clérigo. Foi quando ouviu o som da lâmina da espada de Rogar saindo da bainha. Imediatamente, e para surpresa de todos, um pássaro gigante, morto e apodrecido, emergiu da janela da sala. A ave gritou e atacou o guerreiro antes que ele pudesse fincar a espada na nuca do necromante. Este, aproveitando a vicissitude de seu pretenso algoz, levantou-se e jogou a mesa sobre o clérigo que desabou para trás. Formol pegou a mão de Esmeralda e a fez pular pela janela. Correram. O necromante sabia que a ave seria abatida pelo implacável guerreiro e que logo este e São Paulo estariam atrás deles. Enquanto corria, Formol invocou um exército de mortos-vivos do cemitério. Os aliados circunstanciais lentamente se levantaram para impedir que o clérigo e Rogar seguissem os fugitivos. Mais à frente, o necromante sentiu a presença de um poderoso corcel morto. Ele o invocou e uma pilha de ossos equestres emergiu da terra. Os ossos se montaram até resultarem num esqueleto de cavalo. A estrutura óssea estava pronta para ser montada. Ambos saltaram no lombo do esqueleto que partiu em disparada para as terras tropicais.

cavalo de ossos

Dois dias se passaram.

 

As florestas tropicais ainda estavam longe. Talvez mais uma semana. Esmeralda estava quebrada. A viagem no cavalo de ossos a deixou traumatizada e com dores nas nádegas. Os fugitivos usaram a mortalha do necromante como sela. As provisões haviam se acabado – muito foi perdido durante a fuga – e eles estavam na zona de transição entre as florestas temperadas e as pradarias. Não existiam pequenos animais selvagens nem amoras para comer. O cavalo esquelético se desgastara demais e havia virado uma pilha de ossos imprestáveis. O necromante não poderia mais usá-lo. Sabia que logo Rogar e Paulo estariam atrás dele e de Esmeralda. Talvez o misterioso paladino também. Sem contar a ameaça, ainda abstrata, do pai de Esmeralda e de seus capangas que a qualquer momento poderiam aparecer.

 

Eles haviam dito tudo o que sabiam para o guerreiro e, na igreja, o clérigo, apesar do nervosismo, parecia determinado e convicto da ideia de acabar com a vida do convidado.

clérigo

Os pensamentos do necromante se assemelhavam a um turbilhão. Além das tentativas de assassinato de que fora vítima e da atitude estranha de um demônio, que negara sua própria natureza ao ajudar um ser humano em dificuldade, seus sonhos tinham as imagens cada vez mais nítidas. Queria saber de onde vinham elas. Preocupava-se muito com isso. Era seu tormento. Nas últimas noites, seus sonhos exaustivamente revelavam o caminho até o Grimório. Já sabia que um grande rio passava perto da caverna e que haveria um defensor lá – viu vultos perto das cavernas em seus devaneios.

 

Também pensava com frequência em Esmeralda. Eram pensamentos confusos que nunca chegavam a lugar algum. Por que ela o ajudava se todas as forças consideradas do bem queriam a cabeça dele? Será que poderia confiar nela? Talvez ela o trairia a qualquer momento, afinal ela era a filha de um homem famigerado, porque notoriamente autoritário, corrompido e desleal. Temia que o comportamento do pai fosse herdado por Esmeralda. Além disso, ao que tudo indicava, a amiga apenas queria se divertir, sair daquela vida ordinária e monótona que tinha junto ao pai. Embora não fosse o alvo, ela esteve diante da morte por duas vezes nos últimos dias, as provisões haviam acabado e eles não sabiam para onde estavam indo nem o que deveriam esperar. Sim, ela seria capaz de traí-lo. Poderia se cansar dessa vida turbulenta. A mulher tinha muitos motivos para abandoná-lo ou mesmo matá-lo, mas ela resolveu lhe poupar a vida na espelunca do pai e o salvou do paladino. Era tão bela e sagaz. Esmeralda transmitia tanta força. Ela tinha um espírito tão quente e determinado. Poderia ser uma princesa ou uma marquesa se quisesse, mas preferia se arriscar em uma jornada pouco usual com um desconhecido. Talvez porque imaginasse que nada poderia acontecer a ela. De fato, não era conhecedora de magia negra, não tinha péssima reputação, não era alvo de ninguém e ainda contava com a fama de seu pai para intimidar as pessoas daquela região. Sem contar, é claro, seu misterioso poder sonoro.

 

– Acho melhor você voltar. Por precaução. Não temos provisões e existe um monte de pessoas do “bem” tentando me matar. – Comentou o necromante.

 

– Não, eu quero ir até o fim. Eu quero saber o que está acontecendo e quem é você. – Sorriu sarcástica e misteriosa.

 

– Mas…

 

– Nada de “mas”, Formol! Vamos indo, estou ficando com fome. Precisamos encontrar um lugar para passar a noite e descansarmos. De manhã, procuraremos comida.

 

– Seu pai deve estar preocupado com você. É provável que saiba sobre minha companhia.

 

– Não quero falar sobre meu pai. Sobre ele já falei tudo o que deveria ter falado.  E não se preocupe, pois ele nada fará contra você.

 

O rapaz ainda tentou persuadi-la, mas ela era irredutível. Na verdade, era teimosa.

esmeralda brava

Dormiram sob as sombras de algumas árvores.

 

Amanheceu.

 

Em meio ao bosque, já próximos às pradarias, sob o véu branco e úmido da manhã, andando por uma trilha rumo às florestas tropicais, o necromante e Esmeralda ouviram ruídos estranhos nas copas das árvores. Sentiam que estavam sendo seguidos e não era de agora. Repentinamente a mulher gritou em direção aos ruídos. As ondas sonoras que emitia foram intensas e fizeram que do topo de uma árvore caísse um jovem magro, cujo rosto lembrava o de um roedor.

 

– Quem é você? – Perguntou o necromante – Diga ou então morrerá!

 

– Sou Hermes… um habitante da região – Disse o interrogado levantando-se e buscando o apoio de uma árvore. Era dono de um olhar perspicaz.

 

– Por que estava nos seguindo? – Interrogou o herói.

 

– Ouvi a conversa entre vocês em frente ao bar e fiquei curioso, como não tinha nada…

 

– Então aquele vulto que vi não era só imaginação – Murmurou abruptamente, forçando a memória – Era você! – Afirmou convicto o herói.

 

– Sim. – Assentiu o lépido jovem – Posso ser muito útil. Sei desarmar armadilhas, sei fazer emboscadas, sei onde arranjar comida, cavalos, mulheres…

 

Esmeralda lhe dirigiu um olhar severo.

 

– Eu não confio em você! – Exclamou Formol – Saia do nosso caminho!

 

– Ei cara, tenho informações quentes a seu respeito e sobre seus amigos necromantes. Confie em mim. Preciso sair daquela região, pois tem muita gente que não gosta de mim, costumo defender pessoas más – pobres – e subtrair uma ou outra coisinha… mas agora quero algo valioso e vi que você…

 

– Do que você está falando, seu moleque? – Gritou furiosa Esmeralda – Fale devagar! – Completou.

 

Com um sorriso amarelo, Hermes tentou apaziguar a situação que estava engrossando para o lado dele:

 

– Ei amiga… – Antes que o ladino começasse a falar de modo rápido e antes que Esmeralda esbravejasse, rejeitando essa pretensa nova amizade, o necromante, que até então estava imerso em seus pensamentos, interveio:

 

– O que sabe sobre mim e sobre meus amigos necromantes?

 

– Fiquei sabendo que os inexoráveis São Paulo e Rogar o procuram. Aliás, pediram informações para mim quando passei por eles, estão a poucas horas daqui, já com relação aos seus amigos necromantes eles não estão em boas sendas, pois… – Hermes hesitou, percebeu que teria que falar algo grave, pensou em eufemismos.

 

– Prossiga – Ordenou o necromante – O que há com os necromantes?

 

– Bem … veja… talvez eu esteja equivocado…

 

– Diga, logo! – Bradou Esmeralda.

 

Contrariado e visivelmente irritado com a moçoila, Hermes foi direto e reto:

 

– A igreja e grupos ligados a ela estão exterminando os necromantes e as bruxas.

inquisicao02

Aquela notícia caiu como uma bomba dentro do coração do necromante. Seus pares estavam sendo mortos.

 

– Mercenários, paladinos, inquisidores, guerreiros, todos – Nervoso, o ladino, não por medo, mas por piedade, tentou mudar de assunto – Bom, aqui eu tenho leite em pó, é bom para os dentes, tomo leite todo dia, eu mesmo só escovo os dentes uma vez por dia, odeio aquelas pastas, elas…

 

Hermes parou de falar. O necromante passava mal, não sabia o que fazer. Começou a pensar em inúmeras coisas: família, antigos colegas e mestres, os segredos e os conhecimentos que ao longo de séculos foram adquiridos. Estaria tudo perdido? A expressão de terror e dor tomou conta do necromante que se curvou para logo ajoelhar-se, desamparado. Era uma notícia difícil de digerir. No chão, perplexo, sentiu sua parceira tentar lhe confortar, notou-a tentando erguê-lo, percebeu que ela compreendia seus sentimentos. Esse calor externo o ajudou, trouxe-o de volta de seu pesar. Voltou a raciocinar e indagou friamente, olhando diretamente para os olhos de Hermes:

 

– Se isso tudo for verdade, por quê? Por que essa caçada?

 

– Eu, eu não sei – Respondeu o interlocutor – Tentei descobrir, mas ninguém sabia. Os mercenários apenas querem dinheiro. Eles não fazem perguntas, apenas cumprem ordens quando devidamente pagos. Os membros da Igreja e os Templários não dão justificativas. Acredito que ninguém do baixo clero saiba. Mas eu quero te ajudar, é sério…

 

O necromante, que sempre olhava através das janelas da alma, acreditou, não obstante sua visão estivesse turva, em decorrência dos olhos marejados, que o interrogado realmente não sabia a razão disso tudo, da cruzada contra os necromantes. Os guerreiros não falavam muito, os paladinos e os clérigos tinham suas próprias razões e os mercenários só queriam dinheiro. Hermes, por fim, disse que os “Bersekes” também estavam atrás deles e que haviam matado muitos necromantes.

 

– Meus pares estão sendo eliminados – Balbuciou o necromante com um olhar triste e cansado. Fitou os olhos verdes de Esmeralda, que nada disse. Estava visivelmente preocupada. Entretanto, em seus olhos havia uma energia, um fogo, uma determinação, mais eminentes que outrora. O que se passava na cabeça dela? Ela era um mistério tão grande quanto o extermínio maciço de necromantes ou quanto a ajuda que recebera de um demônio.

 

O necromante não tinha opção, teria que seguir em frente. Então os três partiram para procurar por cavalos, antes que todos os caçadores os encontrassem. Por que toda aquela perseguição? Por que a Igreja sempre egoísta e patrimonialista dava dinheiro para quem matasse um necromante? Os necromantes nunca foram bem-quistos, mas não eram maus em sua essência, eles apenas causavam repulsa e eram apartados da sociedade. Eram como magos que controlavam outro tipo de magia. Pensou em sua família. Estariam perseguindo as famílias também? Estaria sua família bem?

 

Estava anoitecendo. A poucas centenas de metros fora da trilha, viram um vilarejo. Então o ladino disse:

 

– Vou entrar em uma daquelas casas para pegar alguma comida. Estamos ficando sem alimentos.

 

Esmeralda, indignada, bradou:

 

– Isso é roubo!

 

O ladino exasperado e revirando os olhos rebateu:

 

– Não, isso não é roubo, é furto.

 

O necromante, então, disse:

 

– Eu comecei a fazer direito, todavia odiei algumas matérias e larguei a faculdade no ano passado, mas o direito penal sempre me entreteve.

 

– Sim, eu, ladino, conheço tudo sobre direito penal na parte dos crimes contra o patrimônio.

 

– Qual a diferença entre furto e roubo? – Perguntou interessado o necromante.

 

– Nós precisamos ir – Disse peremptoriamente Esmeralda já convencida da necessidade de provisões.

 

– Sim, vamos – Acudiu o necromante.

 

Enquanto andavam, Hermes e o necromante conversavam:

 

– O furto é a subtração de coisa alheia móvel para si ou para outrem. É um tipo penal que tutela a posse e, para alguns, a detenção dos bens. É um crime que pode ser praticado por qualquer um, menos pelo dono da coisa furtada, ainda que ela esteja com terceiro em razão da lei ou de contrato.

 

– E se eu já estiver com a posse de bem alheio, cometerei furto se levá-lo comigo sem o consentimento do dono?

 

– Se a posse for vigiada sim, agora se não for, você cometerá o crime de apropriação indébita.

 

– Hum.

 

– Que conversa chata – Comentou Esmeralda, que não gostava de não ser o centro das atenções.

 

– E qual a diferença para o roubo? – Perguntou o necromante enquanto se dirigia ao vilarejo, ignorando o apelo de Esmeralda.

 

– Calma, calma. Ainda tenho que esmiuçar mais algumas questões relevantes do furto. Veja: para que haja furto, não é preciso a clandestinidade. A vítima, dona do bem, pode muito bem estar presente quando você manifestar o animus furandi.

 

–  Animus o quê?IExclamou o necromante.

 

Furandi – Sorriu Hermes – O furto é uma conduta dolosa, intencional. Há também o animus rem sibi habendi, que é aquele que visa tomar o bem furtado para si, definitivamente.

 

– E se o ladrão só quiser usar um bem móvel momentaneamente?

 

– Aí é furto de uso, só que há algumas considerações a serem feitas.

 

– Quais? – Antecipou-se o interlocutor.

 

– Bom, não pode a coisa ser abandonada em local distante, não pode ser danificada e não pode ser devolvida depois de muito tempo.

 

– E o roubo?

 

– Ali tem uma casa – Atravessou Esmeralda – Faça o que tem que fazer. Nós ficamos de olho no movimento.

 

Então a subtração, a que se referia Esmeralda, consumou-se. O ladino furtou algumas provisões em uma casa do vilarejo. Quando se aproximou com duas bolsas cheias de alimentos disse contente:

 

– Acabamos de praticar furto qualificado! Isso faz de vocês criminosos assim como eu – Sorriu satisfeito Hermes.

 

– Eu não – Disse nervosamente Esmeralda – Você cometeu o furto! – Acusou.

 

– Você sim! – Retrucou Hermes contente – Vocês são, no mínimo, partícipes, a depender da teoria. Ajudaram-me. Pela teoria restritiva ou formal objetiva vocês me ajudaram ao vigiar a movimentação enquanto eu praticava a elementar do crime e, se você ainda não está contente, pela teoria do domínio do fato, vocês também são partícipes, pela mesma razão anterior. Vocês concorreram com o furto, permitiram que eu tivesse controle sobre a consumação. Além disso, todo mundo sabe que na fase executória não é preciso mais de um agente.

 

O olhar furioso de Esmeralda criou um silêncio ensurdecedor. Então o necromante disse:

 

– Precisamos de cavalos.

 

Caminharam um pouco mais, esgueirando-se pelas ruas sombrias do vilarejo, até que os três ouviram sons de cavalos e gritos guturais de homens bêbados.

homens bêbados

– Mais homens caindo pelas tabelas – Comentou entediada Esmeralda, que tinha hábito de criticar os costumes do sexo oposto.

 

O grupo furtivamente se dirigiu a três garanhões que estavam na frente do bar cheio de beberrões que vociferavam e gargalhavam. Hermes, Esmeralda e Formol, desamarraram os animais e puseram-se em marcha para a estrada. No entanto, eles foram descobertos. Um homem grande, forte, gordo, barbudo e novo gritou “Ei”. Os três heróis viraram para trás e viram que se tratava de um “berseker”, conforme murmurou o ladino. Sabiam que dentro do bar havia mais homens. O necromante, então, atacou preventivamente. Não queria que os homens dentro do bar viessem em seu encalço. Lançou uma bola verde e brilhante que atingiu em cheio o “berseker”. Esse poder era capaz de matar, pois retirava a alma do corpo da vítima – era a origem das almas penadas. Como o necromante ainda era um novato, sem muita experiência, seu golpe apenas fazia com que o oponente desmaiasse. Entretanto, seu ataque preventivo não deu certo, pois a vítima gritou antes de tombar e desfalecer. O berro fez com que seus parceiros saíssem do bar. O necromante então mandou uma nuvem de aves mortas e uma onda de animais silvestres que sentiu no local para retardar a perseguição dos “bersekes”.

 

Cavalgaram desesperados para a estrada. Sabiam que agora os “bersekes” também estariam atrás deles, não só por causa do ouro, mas também por vingança.

 

Os cavalos roubados impropriamente, visto que o portador da necromancia tinha usado de violência para assegurar a subtração, conforme explicou posteriormente o ladino, eram bons, grandes e fortes. Vinham das terras geladas do norte. Carregavam com facilidade os novos proprietários deles e os mantimentos. Também eram velozes. Chegariam rápido à floresta Malaica.

 

Alguns dias se passaram. Neste interstício a viagem foi extenuante e com poucas paradas. Muita gente estava atrás dos três. Eram foragidos. Não dava para brincar com a sorte naquela situação. São Paulo sabia, ou pelo menos tinha alguma ideia, para onde iam e os “bersekes” estavam seguindo suas pegadas, em breve seriam capturados e mortos, a não ser que chegassem ao seu destino o mais rápido possível.

 

Já próximos às florestas, os três viram estranhas luzes no céu, sobre uma das entradas da vegetação tropical. Minúsculos pontos brancos no horizonte ziguezagueavam no ar, deixando rastros, que logo se apagavam. Era uma imagem muito bela de se ver. As criaturas voavam como se fossem patrulhas, como se estivessem protegendo algo.

Angel_Army

– Anjos – Falou boquiaberto o necromante.

 

CONTINUA (DAQUI UM MÊS)

Farei o lançamento do meu livro A Nova Teogonia na Bienal do Livro, no dia 01/09/16, às 19:30, no estande da Scortecci =)

A Nova Teogonia tem na Livraria Cultura também!

O segundo volume está quase pronto e será lançado na mesma data!

Depois coloco um trecho dele aqui para aqueles que não o leram quando eu o publiquei aqui.

 

PS: esta história (Lúcifer e a Conspiração dos arcanjos), comecei a escrever em 2010, mas não a terminei. Só escrevei metade. No entanto, pretendo terminá-la até o meio do ano que vem =)

PPS: o texto não é o final

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