Grandes Batalhas LXX: O maior ato de heroísmo de todos os tempos. Aquiles, Jasão, Perseu, Teseu, Ulisses, Beowulf e Siegfried

Note que a questão não é qual é o maior herói, mas sim o maior ato de heroísmo.

Observação: os doze trabalhos de Hércules serão tratados em enquete própria posteriormente.

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Jasão, Medéia e o Velocino de Ouro

Velocino de Ouro pertencia originalmente ao carneiro que tinha salvo os filhos de Atamante, Frixo e Hele, de serem sacrificados a Zeus sob as ordens de sua malvada madrasta Ino. De acordo com a lenda, o carneiro pegou as crianças em sua casa em Orcomenos e então voou para leste, com elas montadas em suas costas.

Ao cruzarem o estreito canal que separa a Europa da Ásia, Hele caiu das costas do carneiro, dando seu nome ao mar abaixo, o Helesponto. Mas Frixo continuou o vôo até o Mar Negro, até que o carneiro desceu em Cólquida, na corte do rei Eestes. Eestes recebeu Frixo de maneira gentil, e, quando o menino sacrificou o carneiro a Zeus, entregou o maravilhoso velocino ao rei.

Eestes dedicou o velocino a Ares e o depositou num bosque sagrado ao deus da guerra, sendo guardado por uma temível serpente.

Por que Jasão queria o Velocino de Ouro? Não era para apenas possuí-lo; assim como outros heróis, foi mandado a tentar o que se achava ser um feito impossível, para satisfazer as ordens de um feitor de coração empedernido, neste caso, Pélias, rei do Iolco.Jasão era filho de Éson, o legítimo rei de Iolco; Pélias era meio-irmão de Éson, e em algumas versões da estória Pélias deveria governar apenas até quando Jasão tivesse idade suficiente para assumir. Nestas circunstâncias, seria dificilmente surpreendente que, quando Jasão crescesse e exigisse sua herança de direito, Pélias o mandasse procurar e trazer o Velocino de Ouro. A busca do Velocino é a estória de viagem do Argo e as aventuras de sua tripulação, os Argonautas.

A lenda é provavelmente mais antiga do que a Ilíada e a Odisséia, mas chega até nós principalmente através do poema épico muito posterior, o Argonáutica do alexandrino Apolônio de Rodes.

Os Argonautas eram em número aproximado de cinqüenta, e, apesar das fontes diferirem com respeito a seus nomes, os principais personagens estão claros. Além do próprio Jasão, havia Argo, construtor de Argo; Tífis, o timoteiro; o músico Orfeu; Zeto e Cálais, filhos do Vento Norte; os irmãos de Helena, Cástor e Pólux; Peleu, pai de Aquiles; Meléagro da Caledônia, famoso caçador de javalis; Laerte e Autólico, pai e avô de Ulisses; Admeto, que mais tarde deixaria sua esposa morrer em seu lugar; o profeta Anfiarau e, para a primeira parte da jornada, o próprio Hércules; ao lado destes nomes famosos, havia uma hoste de outros heróis. O navio, o Argo, cujo nome significa “Rápido”, era o mais veloz já construído.

Ele foi construído no porto de Pagasse na Tessália, sendo feito inteiramente de madeira do Monte Pélion, com exceção da proa, que era uma parte de um carvalho sagrado trazido pela deusa Atena do santuário de Zeus em Dodona. Esta peça de carvalho era profética, e poderia falar em determinadas ocasiões.

O Argo zarpou com augúrios favoráveis e se dirigiu ao norte, em direção ao Mar Negro. Na sua jornada para Cólquida, a sua tripulação encontrou muitas aventuras. Em Mísia perderam Aquiles, quando outro membro da tripulação, um belo jovem chamado Hilas, foi à procura de água fresca para uma festa e não voltou ao navio. As ninfas da fonte que tinha encontrado, apaixonou-se por sua beleza, o tinham seqüestrado e afogado; mas Hércules se recusou a interromper a procura, assim o Argo teve que partir sem ele.

Na margem grega do Bósforo os Argonautas encontraram Fineu, um visionário cego e filho de Posídon, sobre quem os deuses tinham lançado uma terrível maldição. Sempre que se sentava para comer, era visitado por uma praga de Harpias, terríveis criaturas, parte mulher e parte ave, que pegavam parte do alimento com seus bicos e garras e estragavam o restante com seu excremento.

Os Argonautas armaram uma armadilha para estes monstros. Convidaram Fineu a partilhar de sua mesa, e, quando as Harpias surgiram, os filhos alados do Vento Norte sacaram suas espadas e as perseguiram até que, exaustas, prometeram desistir.

Fineu revelou-lhes, então, o tanto que sabia com relação à viagem: o perigo principal que enfrentariam seriam as rochas movediças; quando chegassem ali, deveriam enviar primeiramente uma pomba. Se a pomba encontrasse a passagem entre as rochas, então o Argo também conseguiria, mas se a pomba falhasse, deveriam desviar o barco, pois a missão estaria condenada ao fracasso.

A pomba enviada conseguiu passar a salvo pelas rochas, deixando apenas sua pena mais longa da cauda nas rochas; o Argo também atravessou pêlo estreito canal, sofrendo apenas leves estragos nos costados da popa, e sem outras aventuras significativas os Argonautas chegaram a salvo em Cólquida.

Quando Jasão explicou a razão de sua vinda, o rei Eestes estipulou que antes que pudesse remover o Velocino de Ouro, deveria atrelar dois touros de cascos de bronze e que respiravam fogo, um presente do deus Hefesto, a um arado; a seguir deveria semear alguns dentes do dragão que Cadmo tinha morto em Tebas (Atena tinha dado estes dentes a Eestes), e quando homens armados surgissem, devia destruí-los.

Jasão teve que concordar com todas estas condições, mas teve a sorte de receber a ajuda da filha do rei, Medéia, que era feiticeira.

Medéia, que primeiramente fez Jasão prometer que a levaria para Iolco como sua esposa, deu-lhe uma poção mágica para passar sobre o corpo e sobre o escudo; isto o tornou invulnerável a qualquer ataque, fosse com fogo ou com ferro.

Também o orientou sobre o que fazer com a safra de homens armados: deveria atirar pedras no meio deles, de modo que se atacassem entre si e não a Jasão.

Assim armado e orientado, Jasão foi bem sucedido em todas as tarefas.

E estes, de alguma forma surpreso pelas façanhas de seu hóspede, ainda estava relutante em entregar o Velocino, e tentou mesmo atear fogo no Argo e matar a tripulação. Então, enquanto Medéia dava uma droga a serpente guardiã, Jasão rapidamente removeu oVelocino de Ouro do bosque sagrado, e juntamente com o restante dos Argonautas saíram silenciosamente para o mar. Quando Eestes percebeu a ausência tanto da sua filha como do Velocino, efetuou uma perseguição em outro barco, mas mesmo isto tinha sido previsto por Medéia. Tinha trazido junto seu jovem irmão Absirto, então o matou e o cortou em pequenos pedaços, os quais jogou no mar. Como tinha antecipado, Eestes parou para recolher os pedaços, e o Argo conseguiu fugir.

A rota da jornada de volta do Argo tem desconcertado muitos estudiosos. Ao invés de retornar através do Helesponto, Jasão deixou o Mar Negro através do Danúbio, o qual miraculosamente permitiu-lhe emergir no Adriático; não satisfeito com esta realização, o Argo continuou a velejar subindo o rio Pó e o Reno antes de alguma maneira encontrar sua rota mais familiar nas águas do Mediterrâneo. E em qualquer lugar que fossem, os Argonautas se defrontavam com fantásticas aventuras.

Em Creta, por exemplo, encontraram o gigante de bronze Talo, uma criatura feita por Hefesto para atuar como uma espécie de sistema mecânico de defesa costeira para Minos, rei de Creta. Talo deveria caminhar ao redor de Creta três vezes por dia, mantendo os navios afastados, isto sendo feito com a retirada de pedaços de penhascos e atirando-os em qualquer navio que tentasse se aproximar. Era completamente invulnerável, exceto por uma veia em seu pé; se fosse danificada, sua força vital acabaria se exaurindo. Medéia conseguiu drogá-lo para que ficasse insano e se atirasse contra as rochas, acabando por danificar a veia causando sua morte.

Quando Jasão finalmente retornou a Iolco, casou-se com Medéia e entregou o Velocino de Ouro a Pélias. Existem várias versões sobre o que aconteceu a seguir.

Uma versão de estória diz que Medéia enganou as filhas de Pélias para que matassem seu pai.

Primeiro demonstrou seus poderes de rejuvenescimento misturando várias substâncias num caldeirão com água fervente e a seguir matou e picou um velho carneiro, jogando-o no caldeirão: imediatamente um jovem carneiro emergiu. Entusiasmadas e com a melhor das intenções, as filhas de Pélias apressaram-se em cortá-lo em pedaços e jogá-lo no caldeirão; infelizmente apenas conseguiram apressar seu fim.

Com o escândalo resultante, Jasão e Medéia fugiram para Corinto, onde viveram felizes por pelo menos dez anos e tiveram dois filhos.

Porém, Jasão acabou se cansando de sua esposa e tentou deixá-la por Gláucia, a jovem filha do rei de Corinto. Medéia, furiosa com os ciúmes, mandou um vestido de presente a Gláucia; quando o vestiu, este grudou em sua pele e a rasgou; quando seu pai tentou ajudar sua torturada filha, ficou também aprisionado e ambos acabaram morrendo num terrível sofrimento.

Para punir Jasão ainda mais, Medéia matou seus próprios filhos, antes de escapar para o céu numa carruagem flamejante.

Jasão acabou retornando para governar Iolco.

Fonte: http://www.mundodosfilosofos.com.br

No reino da Beócia, o Rei Atamante casado com Néfele, teve dois filhos: Frixo e Hele. Mas Atamante se apaixonou por outra mulher e ao renegar Néfele, suas terras se tornaram inférteis. Atamante foi consultar o oráculo, mas a amante Ino havia subornado e pedido que os mensageiros do oráculo recomendasse a Atamante para sacrificar seu filho Frixo para que a terra frutificasse novamente. Descobrindo a cruel trama, a ex-esposa Néfele pediu ajuda a Poseidon para salvar os filhos.

Poseidon lhe entregou um carneiro voador chamado Crisómalo que levou em fuga Frixo e Hele ao reino de Cólquida. Hele caiu no mar e Frixo prosseguiu tendo oferecido a Zeus a lã de ouro do carneiro, o velocino de ouro. Em retribuição, o rei da Cólquida lhe deu em casamento sua filha. Dessa união nasceu Argos,que foi lançado ao mar, porém foi salvo pelos deuses e levado ao Olimpo. O destino faria com que Argos retornasse a Cólquida.

Frixo foi morto para que o velocino permanecesse no reino. Desde então, a fama do Velocino de ouro espalhou-se por todo o mundo antigo, pois se dizia que ele tinha o dom de trazer prosperidade, riqueza e auto-realização espiritual a quem o possuísse. Muitos eram aqueles que cobiçavam o tesouro, porém o único homem valente e puro o suficiente para realizar essa façanha nascia naquele momento.

Em outras terras, Esão ao assumir o trono se casou com Polimede e teve com ela um filho de nome Jasão. Pélias, meio irmão de Esão, usurpou o trono e matou Esão e sua mulher Polímede, lançando Jasão ao mar, a criança herdeira do trono.

Jasão ainda bebê foi recolhido pelos deuses e levado ao Olimpo para ser educado pelo centauro Quíron junto a outros heróis.

Pélias foi avisado pelo oráculo de que no futuro um jovem sem sandálias apareceria para tomar-lhe o trono.

Aos 21 anos Jasão foi incumbido de recuperar seu trono e indo ao reino perdeu uma de suas sandálias. Ao vê-lo, Pélias lembrou-se do oráculo.

Jasão desafiou seu tio Pélias a entregar-lhe o trono, mas Pélias resolveu testar a coragem de Jasão e concordou em entregar o trono desde que Jasão lhe trouxesse em troca o velocino de ouro.

Jasão e Argos que tiveram o mesmo destino durante a infância, ambos foram jogados ao mar e foram salvos pelos deuses, se tornaram amigos.

Jasão aceitou a tarefa impossível e pediu a Argos para construir uma nau que foi batizada de Argos.

Convocou seus amigos heróis: Hércules, Aquiles, Castor, Pólux e outros, dando o nome de Argonautas aos tripulantes. Seguiram viagem protegidos pelas deusas Hera e Atena, que tinham trazido um pedaço de carvalho encantado, do qual foi feita a proa e que tinha o dom de profetizar.

Chegando a Cólquida Jasão exigiu o velocino de ouro mas o rei lhe disse que o velocino se encontrava no fundo de uma caverna, protegido por dragões. Porém ele lhe entregaria o velo se ele cumprisse uma tarefa. Estando sob a proteção de Hera, ela pediu que Afrodite fizesse Medéia, a filha do rei, se apaixonar por Jasão para que ela o ajudasse.

A tarefa de Jasão consistia em lavrar um campo com dois touros monstruosos, indomados e com cascos de bronze, que expeliam fogo pelas narinas. Em seguida, teria de semear no campo lavrado os dentes de um dragão que fora morto por Cadmo em tempos passados. Conhecedora dos segredos de todas as artes ocultas, Medéia sentiu afeição por Jasão e sabendo das pretensões de seu pai, prometeu ajudá-lo desde que ele casasse com ela e a levasse consigo.

Medeia adverte-o de que dos dentes de dragão nasceria uma seara de soldados que o atacariam, porém bastaria lançar uma pedra no meio do exército e eles matariam uns aos outros.

Com tais conselhos, Jasão executou as tarefas com facilidade e voltou a reclamar o velo de ouro. Aetes ainda resistiu e tentou incendiar a nau e matar toda tripulação de Jasão.

Auxiliado por Medéia, que era hábil feiticeira, Jasão e os Argonautas conseguiram roubar o velocino e ao partir Medéia raptou seu irmão, o príncipe herdeiro do trono, Absirto, levando-o como refém. Em fuga pelo mar e perseguidos pela esquadra do rei, Medéia esquartejou seu irmão lançando seus pedaços ao mar, para salvar os Argonautas e Jasão. Enquanto o rei de Cólquida recolhia os pedaços de seu filho, a nau Argos fugiu.

Durante a longa viagem de volta, Jasão teve 2 filhos com Medéia. Quando retornaram, mesmo com o velocino de ouro, Pélias se recusou a entregar o trono.

Medéia tramou matar Pélias para dar o trono a Jasão.

Quando Jasão finalmente tomou posse do trono, ele se apaixonou por outra mulher. Repudiada e cheia de ódio, Medéia envenenou a amante e trucidou os filhos da amante com Jasão.

Ao fugir para Cólquida, Medeia lançou sobre Jasão uma terrível maldição, de que morreria de forma violenta.

Jasão foi considerado indigno de ocupar o trono e foi deposto pelo povo. As filhas de Pélias, orientadas por Medéia, ressuscitaram seu pai que reassumiu definitivamente o trono. A profecia de Medéia se cumpriu quando Jasão, ao inspecionar obras de manutenção em sua nave Argo, morreu sob o peso de uma viga de madeira, que despencou de um mastro e esmagou sua cabeça.

Fonte: eventosmitologiagrega.com

Ulisses

A figura de Ulisses transcendeu o âmbito da mitologia grega e se converteu em símbolo da capacidade do homem para superar as adversidades.

Segundo a versão tradicional, Ulisses (em grego, Odisseu) nasceu na ilha de Ítaca, filho do rei Laerte, que lhe legou o reino, e Anticléia. O jovem foi educado, como outros nobres, pelo Centauro Quirão e passou pelas provas iniciáticas para tornar-se rei.

A vida de Ulisses é relatada nas duas epopéias homéricas, a Ilíada, em cuja estrutura coral ocupa lugar importante, e a Odisséia, da qual é o protagonista, bem como no vasto ciclo de lendas originadoras dessas obras.

Depois de pretender sem sucesso a mão de Helena, cujo posterior rapto pelo tebano Páris desencadeou a guerra de Tróia, Ulissescasou-se com Penélope. A princípio resistiu a participar da expedição dos aqueus contra Tróia, mas acabou por empreender a viagem e se distinguiu no desenrolar da contenda pela valentia e prudência.

A ele deveu-se, segundo relatos posteriores à Ilíada, o ardil do cavalo de madeira que permitiu aos gregos penetrar em Tróia e obter a vitória.

Terminado o conflito, Ulisses iniciou o regresso a Ítaca, mas um temporal afastou-o com suas naves da frota. Começaram assim os vinte anos de aventuras pelo Mediterrâneo que constitui o argumento da Odisséia.

Durante esse tempo, protegido por Atena e perseguido por Posêidon, cujo filho, o Ciclope Polifemo, o herói havia cegado, conheceu incontáveis lugares e personagens: a terra dos lotófagos, na África setentrional, e a dos lestrigões, no sul da Itália; as ilhas de Éolo; a feiticeira Circe; e o próprio Hades ou reino dos mortos.

Ulisses perdeu todos os companheiros e sobreviveu graças a sua sagacidade. Retido vários anos pela ninfa Calipso, o herói pôde enfim retornar a Ítaca disfarçado de mendigo. Revelou sua identidade ao filho Telêmaco e, depois de matar os pretendentes à mão de Penélope, recuperou o reino, momento em que conclui a Odisséia.

Narrações posteriores fazem de Ulisses fundador de diversas cidades e relatam notícias contraditórias acerca de sua morte.

No contexto da mitologia helênica, Ulisses corresponde ao modelo de marujo e comerciante do século VII a.C. Esse homem devia adaptar-se, pela astúcia e o bom senso, a um mundo cada vez mais complexo e em contínua mutação.

A literatura ocidental perpetuou, como símbolo universal da honradez feminina, a fidelidade de Penélope ao marido, assim como achou em Ulisses e suas viagens inesgotável fonte de inspiração.

Fonte: http://www.nomismatike.hpg.ig.com.br

Ulisses (também chamado de Odisseu) sabia antes de ir a Tróia que decorreriam vinte anos para o seu retorno à sua ilha rochosa de Ítaca, seu filho Telêmaco e sua esposa Penélope. Permaneceu em Tróia por dez anos e por outros dez singrou os oceanos, naufragou, acabando por ficar desprovido de todos os seus companheiros, freqüentemente com a vida por um fio, até que no vigésimo ano chegou mais uma vez às praias de sua ilha natal.

O Ciclope

Ao deixar Tróia, Ulisses e seus companheiros primeiramente encontraram os Cicônios, cuja cidade eles saquearam, mas em cujas mãos sofreram pesadas baixas.

Estiveram em perigo de perder mais elementos para os Comedores de Loto, hedonistas que nada faziam além de ficarem sentados e comendo as saborosas frutas que os faziam esquecer todos os cuidados e responsabilidades.

Ulisses teve que arrastar a força de volta ao navio aqueles que, entre os seus homens, provaram o loto. Mal tinham se recobrado da aventura quando enfrentaram a seguinte, o encontro com o Ciclope Polifemo.

Os ciclopes eram uma raça de fortes gigantes de um só olho, que ocupavam uma fértil região onde o solo gerava abundantes plantações por conta própria, fornecendo um pasto farto para as gordas ovelhas e bodes.

Ansioso para encontrar os habitantes de tal terra, Ulisses direcionou um navio para o porto e, desembarcando, se dirigiu juntamente com a tripulação à caverna do Ciclope Polifemo, um filho de Posídon.

Polifemo estava fora cuidando de suas ovelhas, assim Ulisses e a tripulação ficaram à vontade, até que ele retornou com o seu rebanho ao crepúsculo. O Ciclope era forte. Monstruoso e terrível e após algumas poucas perguntas sobre a origem e o que desejavam seus hóspedes inesperados, agarrou dois deles e fez seus miolos saltarem ao chão antes de devorá-los.

A seguir o Ciclope sentiu-se sonolento; Ulisses considerou esfaqueá-lo até a morte, mas desistiu da idéia quando percebeu que a fuga seria impossível, pois a entrada da caverna tinha sido bloqueada com uma grande rocha, a qual o Ciclope podia erguer com uma só mão, mas seria impossível de mover mesmo com a força combinada de Ulisses e seus companheiros.

O Ciclope comeu mais dois homens de Ulisses como refeição matinal e então saiu, tomando o cuidado de recolocar a grande pedra na entrada da caverna.

O inteligente Ulisses não demorou a montar um plano de ação. Ele aguçou a ponta de uma grande estaca de madeira que havia no chão da caverna e endureceu sua ponta ao fogo.

Ao cair da tarde quando Polifemo retornou à caverna, Ulisses ofereceu-lhe uma tigela de forte vinho para acompanhar sua ração de marinheiros gregos. O Ciclope bebeu o vinho com entusiasmo e pediu para que a tigela fosse reenchida três vezes. Então, num estupor de embriaguez, deitou-se para dormir.

Antes de dormir, perguntou o nome de seu hóspede, e Ulisses respondeu que era “Outis”, ou seja, “Ninguém” em grego; o Ciclope prometeu que em retribuição pelo vinho comeria “Ninguém” por último.

Assim que o monstro dormiu, Ulisses aqueceu a ponta da estaca ao fogo; quando ela ficou em brasa ele e quatro de seus melhores homens enterraram a ponta no olho único do Ciclope. O olho emitiu um chiado, semelhante “ao alto silvo que sai de um grande machado ou enxó, quando o ferreiro coloca a peça dentro da água para conferir-lhes têmpera e dar força ao ferro”. O Ciclope, rudemente acordado pela dor terrível, urrou e rugiu, chamando seus vizinhos, os outros Ciclopes, para que viessem ajudá-lo. Mas quando estes se agruparam do lado de fora de sua caverna e perguntaram quem o estava incomodando, quem o tinha ferido, sua única resposta foi que Ninguém o incomodava e Ninguém o estava ferindo; assim eles acabaram perdendo o interesse e se retiraram.

Ao amanhecer, Ulisses e seus homens se preparam para fugir da caverna; cada homem foi amarrado embaixo de três grandes ovelhas, enquanto Ulisses alojou-se sob o líder do rebanho, um grande carneiro com magnífica lã.

O Ciclope cego afastou a pedra e sentou-se à entrada da caverna, tentando agarrar a tripulação de Ulisses que estava saindo juntamente com as ovelhas, mas estes passaram a salvo por suas mãos, Ulisses por último.

Guiando as ovelhas para o seu navio, eles trataram de zarpar rapidamente, apesar que Ulisses não resistiu zombar do Ciclope, que respondeu atirando pedaços de penhascos na direção de sua voz, alguns chegando a cair muito próximos do barco.

Assim, Ulisses reuniu-se ao restante da esquadra e, enquanto os marinheiros pranteavam os companheiros perdidos, consolaram-se com as próprias ovelhas que tinham auxiliado sua fuga da caverna.

Eólia

Da ilha do Ciclope, Ulisses velejou até que chegou à ilha flutuante de Eólia, cujo rei, Éolo, tinha recebido de Zeus o poder sobre todos os ventos.

Éolo e sua grande família receberam Ulisses e sua tripulação de maneira hospitaleira, e, ao chegar a hora da partida, Éolo deu aUlisses uma bolsa de couro na qual tinha aprisionado todos os ventos tempestuosos; a seguir, invocou uma boa brisa para o oeste que levaria os navios a salvo para casa, em Ítaca. Eles velejaram no curso por dez dias e estavam à vista de Ítaca quando o desastre os atingiu.

Ulisses, que tinha ficado acordado toda a jornada segurando o leme do barco, caiu num sono exausto, e sua tripulação, não sabendo o que havia na bolsa de couro, começou a suspeitar que continha um valioso tesouro que Éolo teria dado a Ulisses.

Ficaram enciumados, sentindo que tinham enfrentado as situações difíceis com Ulisses, devendo também compartilhar suas recompensas: acabaram por abrir a bolsa e acidentalmente libertaram os ventos. Ulisses acordou no meio de uma medonha tempestade, que soprou o navio de volta a Eólia. Desta vez a recepção dada a Ulisses e a seus companheiros foi bastante diferente. Eles pediram que Éolo lhes desse uma nova chance, mas, este declarando que Ulisses devia ser um homem odiado pelos deuses, negou-se terminantemente a ajudá-los, mandando embora Ulisses e seus companheiros.

Circe

Na sua seguinte chegada à terra, Lestrigônia, todos os navios, com exceção o de Ulisses, foram perdidos num calamitoso encontro com os monstruosos habitantes; assim foi num estado considerável de pesar e depressão que Ulisses e seus camaradas sobreviventes viram-se na ilha de Aca.

Desembarcando, permaneceram deitados dois dias e duas noites na praia, completamente exaustos pelos seus esforços e desmoralizados pelos horrores que tinham passado.

No terceiro dia, Ulisses levantou-se para explorar a ilha, e a partir de um outeiro percebeu fumaça saindo de uma habitação na floresta. Decidindo prudentemente a não fazer um reconhecimento imediato, retornou ao barco para contar a novidade aos companheiros.

Previsivelmente ficaram amedrontados, lembrando dos Lestrigões e do Ciclope, mas, como Ulisses estava determinado a explorar, dividiu sua companhia em dois grupos, um comandado por ele próprio e o outro por um homem chamado Euríloco.

Os dois grupos tinham a sorte e a tarefa da exploração recaiu em Euríloco, enquanto Ulisses permaneceu no navio. O grupo de Euríloco acabou chegando à casa na floresta. Do lado de fora existiam lobos e leões, que cabriolavam e faziam festas aos homens; eram de fato seres humanos que tinham sido transformados em animais pela feiticeira Circe, cujo lindo canto podia ser escutado no interior da casa. Quando os marinheiros gritaram para chamar sua atenção, saiu e os convidados a entrar; apenas Euríloco, suspeitando de algum truque, permaneceu do lado de fora. Circe ofereceu comida aos homens, no qual continha uma droga que os faria esquecer de sua terra natal; quando terminaram de comer, os tocou com sua varinha e os conduziu ao chiqueiro, pois agora possuíam a forma externa de porcos, apesar de infelizmente lembrarem quem realmente eram.

Em pânico, Euríloco voltou correndo ao navio para relatar o desaparecimento de seus companheiros. Ulisses ordenou que o levasse de volta à casa de Circe, e quando se recusou, partiu só para o resgate.

No seu caminho através da ilha, encontrou Hermes, disfarçado como um jovem; o deus deu-lhe uma planta mágica, a qual, misturada com a comida de Circe, seria um antídoto para sua droga; também o instruiu como lidar com a feiticeira: quando Circe o tocasse com sua varinha, deveria avançar sobre ela como se para matá-la; ela então recuaria com medo e o convidaria a compartilhar de sua cama. Deveria concordar com isso, mas deveria fazê-la jurar solenemente a não tentar truques enquanto estivesse vulnerável.

Os fatos se passaram como Hermes tinha previsto. Após terem ido para a cama, Circe banhou Ulisses e o vestiu com roupas finas e lhe preparou um suntuoso banquete, mas Ulisses sentou-se numa abstração silenciosa, recusando toda a atenção. Circe acabou lhe perguntando o que estava errado, e disse-lhe que ela não poderia esperar que estivesse de corpo e alma na festa enquanto metade de sua tripulação estava chafurdando no chiqueiro. Então Circe libertou os novos porcos de seu confinamento e os untou com ungüento mágico. Seus pêlos rijos caíram e se tornaram novamente homens, porém mais jovens e mais bonitos do que tinham sido antes. Ulisses e seus homens choraram com alívio e alegria e pararam apenas quando Circe sugeriu que deveriam chamar o restante de sua companhia para que se juntassem à celebração. Ficaram com Circe por todo um ano, comendo, bebendo e se divertindo, esquecendo os percalços que tinham passado.

O Mundo Inferior

Eventualmente, Ulisses foi lembrado por alguns dos companheiros que talvez fosse tempo de se pensar em Ítaca.

Circe avisou-o que antes de zarpar para casa deveria primeiro visitar o Mundo Inferior (ou reino dos mortos) para consultar o profeta tebano Tirésias: apenas Tirésias poderia dar-lhe instruções para seu retorno. Assim, Ulisses velejou com seu navio através do Rio de Oceano e atracou o barco perto do bosque de choupos de Perséfone. Lá, na margem, cavou uma vala na qual colocou libações aos mortos, compostas de mel, água, leite e vinho; sobre a vala cortou a garganta de um carneiro e de uma ovelha negra. Atraídos pelo cheiro de sangue, as almas dos mortos surgiram para beber, mas Ulisses sacou sua espada e os manteve a distância, esperando pelo aparecimento da alma de Tirésias. O primeiro a aparecer foi um elemento de sua tripulação, Elpenor, que tinha caído do teto da casa da Circe onde estava dormindo na manhã da partida e o qual, na ânsia dos outros em partir, tinha ficado sem enterro nem velório; Ulisses prometeu resolver este caso assim que possível. Quando Tirésias apareceu, Ulisses o deixou beber o sangue, e o profeta então disse-lhe que havia uma boa possibilidade para seu retorno a salvo para casa, mas deveria certificar-se em não pilhar o Rebanho do Sol na ilha de Trinácia; também o alertou sobre a situação que encontraria em Ítaca, onde pretendentes astutos estavam cercando sua fiel esposa Penélope.

Após ter ouvido o que Tirésias poderia contar-lhe, Ulisses deixou outras almas se aproximarem e beber o sangue, o que lhes possibilitou conversar com Ulisses.

A primeira que surgiu era sua velha mãe, que relatou-lhe como tinha morrido e fez um triste relato do estado lamentável de seu pai Laerte e os bravos esforços de Penélope para repelir seus pretendentes. Ulisses, tocado pelo pesar e desejando confortar tanto a si próprio como a sua mãe, tentou três vezes abraça-la, mas nas três vezes se desvaneceu entre seus braços e o deixou segurando o ar. Outras heroínas aproximaram-se e conversaram, e a seguir veio Agamenon, que contou a Ulisses sobre sua morte sangrenta, confortando-o com a idéia que Penélope nunca agiria como Clitemnestra. Aquiles também se aproximou, e Ulisses saudou-o como o homem mais afortunado que já havia vivido, um poderoso príncipe entre os vivos e os mortos. Aquiles respondeu que preferiria ser um escravo vivo do que um rei morto, mas Ulisses o consolou com notícias das façanhas de seu filho Neoptólemo, e partiu feliz.

Durante esta visita Ulisses viu alguns dos famosos componentes do mundo dos mortos; Sísifo eternamente empurrando sua grande pedra montanha acima, com ela escorregando de volta assim que chegava ao topo; e Tântalo, enfiado até o pescoço dentro de uma pequena lagoa com água, a qual desaparecia quando se inclinava para bebê-la, com ramos de frutas pendentes sobre sua cabeça que sumiam quando ele tentava alcança-las.

Ulisses queria ver mais, e encontrou o fantasma do poderoso Hércules, mas antes de poder encontrar outros heróis de gerações anteriores, foi assustado por uma grande onde de mortos que vieram aos milhares em sua direção e elevaram a sua volta seus brados lúgubres e dolorosos; em pânico, retornou ao navio, soltou as amarras e cruzou de volta ao mundo dos vivos.

As Sereias, Cila e Caribde

Ulisses retornou à ilha de Circe, e assim que Elpenor foi adequadamente sepultado, Circe deu a Ulisses mais instruções para a sua jornada e para prepará-lo para os males que ainda estavam por vir. O navio velejou primeiro para a ilha das Sereias, terríveis criaturas com cabeças e vozes de mulheres, mas com corpos de pássaros, que existiam com o propósito de atrair marinheiros para as rochas de sua ilha com doces canções. Quando o barco se aproximou, uma calmaria mortal se abateu sobre o mar, e a tripulação utilizou os remos. De acordo com as instruções de Circe, Ulisses tampou os ouvidos da tripulação com cera, enquanto ele próprio foi amarrado ao mastro, de modo que pudesse passar a salvo pelo perigo e ainda ouvir a canção.

“Venha para perto, Ulisses”, cantavam as Sereias: Ulisses gritou para seus homens para que o soltassem, mas remaram resolutamente para a frente, e o perigo acabou passando.

A próxima tarefa era navegar os dois locais perigosos de Cila e Caribde. Caribde era um terrível redemoinho, que alternativamente sugava e aatirava para cima a água; os marinheiros prudentes que escolheram evitá-lo foram forçados a encontrar, ao invés, a igualmente terrível Cila. Cila ocultava-se numa caverna localizada no alto de um rochedo, disfarçada pela névoa e vapor de água dos vagalhões abaixo; possuía doze pés que balançavam no ar e seis pescoços, cada um equipado com uma monstruosa cabeça com três fileiras de dentes. Da sua caverna exigia uma taxa de vítimas humanas dos barcos que passavam abaixo.

Ulisses, alertado por Circe, decidiu não contar a seus marinheiros sobre Cila; passando mais ao largo possível de Caridbe, eles passaram diretamente abaixo do rochedo de Cila, e, apesar de Ulisses estar armado e preparado para lutar com ela pela vida da tripulação, conseguiu escapar de sua vigilância e teve sucesso em arrebatar seis vítimas aos berros.

O Rebanho do Sol

A seguir, o navio aproximou-se da ilha de Trinácia, um local de pasto farto onde Apolo mantinha seu rebanho do gado gordo.

Ulisses tinha sido alertado tanto por Circe como por Tirésias que, se esperava alcançar Ítaca vivo, deveria evitar este local e, a qualquer custo, não tocar neste gado. Explicou isto a seus homens, mas, cansados e deprimidos pela perda de mais seis camaradas, insistiram em lançar âncora e passar a noite na praia.

Deparando-se com um motim, Ulisses tinha poucas opções além de concordar, mas os fez jurar que deixariam o gado em paz. Naquela noite formou-se uma tempestade, e por todo um mês o vento soprou do sul, sendo impossível continuarem sua viagem.

Enquanto possuíam as provisões que Circe tinha lhes dado, os homens mantiveram sua promessa e não tocaram no gado. Mas sua comida acabou por terminar e, movidos pela fome, aproveitaram a oportunidade de uma ausência temporária de Ulisses para abater alguns dos mais belos exemplares do rebanho; consideravam que se os sacrificassem em honra dos deuses, os deuses dificilmente ficariam irados.

Ulisses retornou sentindo o odor da carne assada; repreensão era inútil, pois o mal estava feito, e os deuses estavam determinados a vingar o crime. Quando a carne terminou, o vento amainou, assim o navio pode zarpar; mas nem bem estava no mar quando uma terrível borrasca surgiu e o barco foi primeiramente esmagado pela força das ondas, e a seguir feito em pedaços por um raio. Toda a tripulação se perdeu, salvo o próprio Ulisses, que conseguiu agarrar-se aos destroços do mastro e quilha, no qual permaneceu por dez dias até que foi jogado nas areias da ilha de Pgigia, morada da linda ninfa Calipso.

Calipso

Calipso tornou Ulisses seu amante e ficou com ela por sete anos, pois não tinha meios de escapar. A deusa Atena acabou enviando Hermes, mensageiro dos deuses, para explicar à ninfa que era chegada a hora de deixar seu visitante seguir seu caminho. Calipso, apesar de relutante em perdê-lo, sabia que devia obedecer, assim forneceu a Ulisses material para a confecção de uma jangada, deu-lhe comida e bebida e invocou um vento suave para levá-lo de volta a Ítaca.

Sem incidentes, aproximou-se da terra dos Feácios, grandes marinheiros que estavam destinados a levá-lo na última etapa de sua viagem.

Mas então Posídon interviu: detestava Ulisses pelo que tinha causado a seu filho, o Ciclope Polifemo, e agora estava irado por vê-lo tão próximo do fim de sua jornada. Então, enviou outra tempestade, que partiu o mastro da jangada e a deixou ser levada pelo vento.

Como o vento norte na época da colheita arremessa pelos campos uma bola de cardo, o mesmo ocorreu com a sua jangada, indo para cima e para baixo sobre as ondas. Agora o Vento Sul o jogaria para o Norte como um jogo, e agora o Leste o deixaria para ser perseguido pelo Oeste.

Ulisses foi salvo da morte certa pela intervenção da ninfa marinha Ino. Ela deu-lhe seu véu, instruindo-o a atá-la ao redor da cintura e então a abandonar o barco e se dirigir para a praia. Como uma grande onda despedaçou sua jangada, Ulisses fez o que tinha lhe sido dito. Por dois dias e duas noites nadou em frente, mas no terceiro dia alcançou as praias de Feácia e acabou conseguindo chegar à costa rochosa na foz de um rio. Atirou o véu de Ino de volta ao mar e deitou-se numa moita espessa para dormir.

Fonte: http://www.mundodosfilosofos.com.br

Nascimento

Como todo herói, o rei de Ítaca teve um nascimento meio complicado.

Desde a Odisséia a genealogia de Odisseu é mais ou menos constante: é filho de Laerte e de Anticléia, mas as variantes alteraram-lhe sobremodo os antepassados mais distantes. É assim que, do lado paterno, seu avô, desde a Odisséia, chamava-se Arcísio, que era filho de Zeus e de Euriodio.

Do lado materno o herói tinha por avô Autólico, onde seu bisavô era nada mais nada menos que Hermes, embora o mesmo se apresnte com algumas variantes, o que é comum no mito. Se bem que desconhecida dos poemas homéricos, existe uma tradição segundo a qual Anticléia já estava grávida de Sísifo, quando se casou com Laerte.

Ulisses nasceu na ilha de Ítaca, sobre o monte Nérito, um dia em que sua mãe fora ali surpreendida por um grande temporal.

Semelhante anedota deu ensejo a um trocadilho sobre o nome (odysseús), suja interpretação estaria contida na frase grega (Katà tèn hodòn hýsen ho Dzeús), ou seja, “Zeus chovia sobre o caminho”, o que impediu Anticléia de descer o monte Nérito.

A Odisséia, XIX, 406-409, no entanto, cria outra etimologia par ao pai de Telêmaco: o próprio Autólico, que fora a Ítaca visitar a filha e o genro e lá encontrara o neto recém-nascido, “por ter-se irritado” com muitos homens e mulheres que encontrara pela terra fecunda”, aconselhou aos pais que dessem ao menino o nome de (Odysseús), uma vez que o epíteto lembra de fato o verbo (odýssomai) “eu me irrito, eu me zango).

Na realidade, ainda não se conhece com precisão a etimologia de Odysséus, apesar dos esforços de Albert Carnoy, que isolando a final -eus, frequentemente o sacrifício das vacas do deus Hélio (Sol), bem como o cegamento do ciclope Polifemo com um tronco de oliveira incandescido, como fez o Lug céltico com Balor.

Desse modo, conclui o filólogo belga, seria possível identificar (lykjo) com o deus germânico Loki, cuja vinculação com o fogo é evidente: a base etimológica seria então o indo-europeu lug-io a par de luk-io.

Filho de Sísifo, o mais astuto e atrevido dos mortais, neto de Autólico, o maior e mais sabido dos ladrões e ainda bisneto de Hermes, o deus também dos ardis e trapaças, o trickster por excelência, Ulisses só poderia ser mesmo, ao lado da inteligência exuberante, da coragem e da determinação, um herói (polýmétis), cheio de malícia e de habilidade e um (polytropos), um solerte e manhoso em grau superlativo.

Educado, como tantos outros nobres, pelo centauro Quirão, ainda muito jovem o herói de Ítaca deu início às suas aventuras.

Durante uma curta permanência na corte de seu avô Autólico participou de uma caçada no monte Parnaso e foi ferido no joelho por um javali.

A cicatriz, pouco acima do joelho, produzida pela mordidela da fera, se tornou indelével e servirá como sinal de reconhecimento, quando o egrégio neto de Autólico regressar a Ítaca. Pausânias relata com precisão que a luta entre o herói e o javali, com o conseqüente ferimento daquele, se passara exatamente no local em que se construiu o Ginásio de Delfos, igualmente no monte Parnaso.

A mando de Laerte, Ulisses dirigiu-se a Messena, para reclamar uma parte do rebanho de seu pai, que lhe havia sido furtada. Na corte do rei Orsíloco, tendo-se encontrado com Ífito, filho de Êurito e herdeiro do famoso arco paterno, o dois heróis resolveram, com penhor de amizade, trocar de armas.

O futuro rei de Ítaca presenteou Ífito com sua espada e lança e deste deu a Ulisses o arco divino com que o esposo de Penélope matará mais tarde os soberbos pretendentes.

Completada a (dokimasía), as primeiras provas iniciáticas, traduzidas na morte do javali, símbolo da aquisição do poder espiritual e da obtenção do arco, imagem do poder real e da iniciação dos cavaleiros, Ulisses recebeu de seu pai Laerte – que se recolheu, certamente por inaptidão ao poder – o reino de Ítaca, com todas as suas riquezas, consistentes sobretudo em rebanhos.

O rei, obrigatoriamente, no entanto, se completa ao casamento. Cortejou, por isso mesmo, em primeiro lugar, Helena, filha de Tíndaro, mas, percebendo que o número de pretendentes era excessivo, voltou-se para a prima da futura esposa de Menelau, Penélope, filha de Ícaro.

Esta união lhe traria tantas vantagens (Ulisses sempre foi um homem prático) quantas lhe proporcionaria a união com Helena. A mão de Penélope foi conseguida ou por gratidão de Tíndaro, ou como é mais provável, por uma vitória obtida pelo herói numa corrida de carros instituída por seu futuro sogro entre os pretendentes da filha. De qualquer forma, o pai de Helena sempre foi muito grato a Ulisses por um conselho que este lhe dera.

Como o número de pretendentes à mão de Helena fosse muito grande, o rei de Ítaca sugeriu a Tíndaro que os ligasse por dois juramentos, respeitar a decisão de Helena, quanto à escolha do noivo, ajudando-o a conservá-la; e se o eleito fosse, de alguma forma, atacado ou gravemente ofendido, os demais deveriam socorrê-lo.

Pressionada pelo pai a permanecer em Esparta com o marido, Penélope, dando provas de seu amor conjugal, preferiu, como era desejo de Ulisses, seguir com ele para Ítaca.

Diga-se, aliás, de passagem, que, apesar de Esparta ter sido considerada sobretudo à época clássica como a cidade das mulheres virtuosas e corretas e de Penélope, através da Odisséia, ser apontada como símbolo da fidelidade conjugal, existem outras versões, como veremos, que a acusam formalmente de haver traído o marido tanto antes quanto após o retorno do mesmo.

Seja como for, do casamento com o rei de Ítaca, Penélope foi mãe de Telêmaco.

Este ainda estava muito novinho, quando chegou ao mundo grego a triste notícia de que Páris raptara Helena e de que Menelau, valendo-se do juramento dos antigos pretendentes à mão de sua esposa, exigia de todos o comprimento da solene promessa, para que pudesse vingar-se do príncipe troiano.

O Papel de Ulisses na Guerra de Tróia

Preparativos para a guerra

Embora autor intelectual do famoso juramento, o rei de Ítaca, não por falta de coragem, mas por amor à esposa e ao filho, procurou de todas as maneiras fugir ao compromisso assumido. Quando lhe faltaram argumentos, fingiu-se de louco. Em companhia de seu primo, o astuto e inventivo Palamedes, Menelau dirigiu-se à Ítaca. Lá encontraram Ulisses, que havia atrelado um burro e um boi a uma charrua e abria sulcos nos quais semeava sal. Outros dizem que tentava arar as areias do mar.

Palamedes, todavia, não se deixou enganar com o embuste e colocou o pequenino Telêmaco diante das rodas do arado. Ulisses deteve os animais a tempo de salvar o menino. Desmascarado, o herói dedicou-se inteiro à causa dos atridas, mas nunca perdoou Palamedes e no decurso da Guerra de Tróia vingou-se cruel e covardemente do mais inteligente dos heróis da Hélade.

Acompanhado de Misico, que Laerte lhe dera como conselheiro, e com a missão de velar sobre o filho em Tróia, Ulisses se engajou na armada aquéia. De saída, acompanhou Menelau a Delfos para consultar o oráculo e, logo depois, em companhia do mesmo Menelau e de Palamedes, participou da primeira embaixada a Tróia com o fito de resolver pacificamente o incidente do rapto de Helena. Reclamaram Helena e os tesouros carregados pelo casal. Páris se recusou a devolver tanto Helena quanto os tesouros e ainda tentou convencer os troianos a matarem o rei de Esparta, que foi salvo por Antenor, companheiro e prudente conselheiro do velho Príamo. Com a recusa de Páris e sua traição a Menelau, a guerra se tornou inevitável. Em seguida foi em busca de Aquiles, que sua Mãe Tétis havia escondido, mas cuja presença e participação, segundo o adivinho Calcas, eram indispensáveis para a tomada de Ílion. Tétis sabedora do triste destino que aguardava seu filho, levou-o secretamente para a corte de Licomedes, na ilha de Ciros, onde o herói passou a viver como linda donzela “ruiva” no meio das filhas do rei, como nome falso de Pirra, já que o herói tinha os cabelos louro-avermelhados. Disfarçado em mercador, o astuto Ulisses conseguiu penetrar no gineceu do palácio de Licomedes. As moças logo se interessaram pelos tecidos e adornos, mas Pirra, a “ruiva”, tendo voltado sua atenção exclusivamente para as armas, Ulisses pôde com facilidade identificá-lo e conduzi-lo para a armada aquéia. Conta uma outra versão que o filho de Tétis se deu a conhecer porque se emocionou, ouvindo os sons bélicos de uma trombeta.

Ainda como embaixador, o rei de Ítaca foi enviado juntamente com Taltíbio, arauto de Agamêmnon, à corte de Chipre, onde reinava Cíniras, que, após o incesto involuntário com sua filha Mirra, fora exilado de Biblos e se tornara o primeiro rei da grande ilha grega do mar Egeu, onde introduziu, aliás, o culto de Afrodite. Cíniras prometeu enviar cinquenta naus equipadas contra os Troianos, mas, usando de um estratagema, mandou apenas uma.

Reunidos finalmente os reis helenos, a armada velejou rumo a Tróada, mas, não conhecendo bem a rota, a grande frota, sob o comando de Agamêmnon, abordou em Mísia, na Ásia Menor e, dispersados por uma grande tempestade, os chefes aqueus regressaram a seus respectivos reinos. Somente oito anos mais tarde congregaram-se novamente em Áulis, porto da Beócia. O mar, no entanto, permanecia inacessível aos audazes navegantes, por causa de prolongada calmaria. Consultado, o adivinho Calcas explicou que o fenômeno se devia à cólera de Artemis, porque Agamêmnon, matando uma corça, afirmara que nem a deusa o faria melhor que ele. A ultrapassagem do métron por parte do rei de Micenas era grave e, para suspender a calmaria, Artemis exigia, na palavra do adivinho, o sacrifício da filha primogênita do rei, Ifigênia.

Foi nesse triste episódio, maravilhosamente repensado por Eurípedes em sua tragédia Ifigênia em Áulis, que Ulisses continuou a mostrar sua inigualável astúcia e capacidade de liderança.

Agamêmnon, a conselho de seu irmão Menelau e de Ulisses, enviara à esposa Clitemnestra, em Micenas, uma mensagem mentirosa, solicitando-lhe que conduzisse Ifigênia a Áulis, a fim de casá-la com o herói Aquiles. Mas, logo depois, horrorizado com a idéia de sacrificar a própria filha, tentou mandar uma segunda missiva, cancelando a primeira. Menelau, todavia, interceptou-a e Clitemnestra, acompanhada por Ifigênia e o pequenino Orestes, chega ao acampamento aqueu.

O solerte rei de Ítaca, percebendo as vacilações de Agamêmnon e os escrúpulos de Menelau no tocante ao cumprimento do oráculo, excitou os chefes e a soldadesca aquéia contra os atridas, que se viram compelidos a sacrificar a jovem inocente. Não fora a pronta intervenção de Artemis, que substituindo Ifigênia por uma corça, fato comum no mito do sacrifício do primogênito, Agamêmnon, Menelau e Ulisses teriam agravado ainda mais sua hýbris, já bastante intumescida. Ainda bem que, no mundo antigo, se levavam em conta os atos e não as intenções.

Uma derradeira intervenção da argúcia e bom-senso de Ulisses, antes da carnificina de Tróia, pode ser detectada na correta interpretação do oráculo relativo à cura de Télefo por Aquiles. O esposo de Penélope demonstrou uma precisão absoluta que o restabelecimento da saúde do rei de Mísia teria que ser operado “pela lança de sua arma predileta sobre o ferimento de Télefo, que imediatamente o teve cicatrizado.

A Viagem de Ida

Consoante o Catálogo das Naus Ulisses levou a Tróia doze navios lotados com heróis, soldados e marujos provenientes das ilhas de Cefalênia, os magnânimos cefalênios; de Ítaca, de Nérito, de Egílipe, de Zacinto e de Same.

Considerado por todos como um dos grandes heróis, sempre participou do conselho dos chefes que sitiariam Ílion. Na rota para Tróia aceitou o desafio do rei de Lesbos, filomelides, e o matou na luta. Esse episódio, recordado pela Odisséia, IV, 343sq., foi reinterpretado posteriormente como um verdadeiro assassinato cometido por Ulisses e seu parceiro inseparável em tais casos, o violento Diomedes.

Em Lemnos, durante um banquete dos chefes aqueus, ainda segundo a Odisséia, Ulisses e Aquiles discutiram asperamente: o primeiro elogiava a prudência e o segundo exaltava a bravura. Agamêmnon, a quem Apolo havia predito que os aqueus se apossariam de Tróia, quando reinasse a discórdia entre os chefes helenos, viu no episódio o presságio de uma rápida vitória. Os mitógrafos posteriores deturparam o fato e atribuíram a querela a Agamêmnon e Aquiles, primeiro sintoma da grave contenda entre estes dois heróis, o que se constituirá no assunto da Ilíada. Foi ainda em Lemnos ou numa ilhota vizinha, chamada Crises, que, a conselho de Ulisses, os chefes aqueus resolveram abandonar Filoctetes.

Um outro acontecimento desconhecido pelos poemas homéricos é a denominada segunda missão de paz a Tróia: tendo a frota grega chegado à ilha de Tênedos, bem em frente à fortaleza de Príamo, Menelau e Ulisses dirigiram-se novamente a Ílion na tentativa de resolver o grave problema do rapto de Helena de maneira pacífica e honrosa. Dessa feita, porém, foram muito mal recebidos, porque Páris e seus partidários não só recusaram quaisquer propostas de paz, mas ainda, por intermédio de seu amigo Antímaco, o raptor de Helena tentou amotinar o povo para que matasse Menelau e certamente também Ulisses. Salvou-os o prudente Antenor, conselheiro de Príamo e amigo de alguns chefes aqueus.

Com isso a guerra se tornou inevitável. Foi ainda por sugestão pacífica de Antenor que se tentou obter a decisão acerca da permanência em Tróia de Helena e dos tesouros roubados à corte de Menelau ou de seu retorno à Esparta por meio de um combate singular entre Páris e Menelau.

Mas, como nos mostra a Ilíada, III 347sqq., no momento em que o atrida estava para liquidar o inimigo, Afrodite o envolveu numa nuvem e o levou de volta para o tálamo perfumado de Helena. Pândaro, aliado dos Troianos, rompe sacrilegamente as tréguas e lança uma seta contra Menelau. Recomeçou a sangrenta seara de Ares, que haveria de se prolongar por dez anos.

Estratagemas durante a Guerra

Pois bem, por todo esse tempo o heroísmo e a astúcia de Ulisses brilharam intensamente. Durante todo o certo a Ìlion o rei de Ítaca mostrou extraordinário bom-senso, destemor, audácia, inteligência prática e criatividade.

Convocavam-no para toda e qualquer missão que demandasse, além de coragem, sagacidade, prudência e habilidade oratória. (Polymékhanos), “industrioso, fértil em recursos”, é o epíteto honroso, que lhe outorga Atena logo no canto Segundo.

É assim que sua solércia e atividade diplomáticas se desdobram desde os primeiros cantos do poema. Foi o comandante da nau que conduzia uma hecatombe a Apolo e levava a bela Criseida de volta a seu pai Crises; organizou o combate singular entre Páris e Menelau; na assembléia dos soldados reduziu Tersites ao silêncio e, com um discurso inflamado, revelando um grande presságio, persuadiu os aqueus a permanecerem em Tróada, quando o desânimo já se apossara de quase todos eles.

Participou igualmente, acompanhado de Fênix e Ájax, da embaixada junto a Aquiles, para que este, uma vez desagravado por Agamêmnon, voltasse ao combate, o que, ainda dessa feita, não aconteceu, apesar do belo e convincente discurso do rei da Ítaca.

Em parte através da Odisséia e sobretudo de poetas posteriores ficamos sabendo de outras missões importantes do mais astuto dos Helenos. Como a guerra se prolongasse além do esperado, Ulisses, em companhia de Menelau, dirigiu-se à corte de Ânio, rei e sacerdote de Delos, como atesta Vergílio na Eneida, 3,80.

Esse Ânio, filho de Apolo e de Reá, a “Romã”, era pai de três filhas: Elaís, Espermo e Eno, cujos nomes lembram, respectivamente, óleo, trigo e vinho.

Como houvessem recebido de seu ancestral Dionisio o poder de fazer surgir do solo esses três produtos indispensáveis, os chefes aqueus, dado o prolongamento da guerra, mandaram buscá-las. De bom grado as filhas do rei de Delos acompanharam os embaixadores gregos, mas, já cansadas de uma tarefa incessante, fugiram. Perseguidas pelos Helenos, pediram proteção a Dionisio, que as metamorfoseou em pombas. Por isso mesmo, na ilha de Delos, era proibido matar pombas.

Além da já citada incumbência de trazer Filoctetes de volta às fileiras aquéias, Ulisses, juntamente com Fênix ou Diomedes, foi encarregado de trazer da ilha de Ciros Neoptólemo, filho de Aquiles e de Deidamia, e cuja presença, após a morte de Aquiles, era também imprescindível para a queda de ìlion, segundo vaticinaria Heleno.

Os feitos do rei de Ítaca durante a Guerra de Tróia não se reduzem, todavia, a embaixadas. Audacioso, destemido e sobretudo caviloso, o herói arriscou muitas vezes a vida em defesa da honra ofendida da família grega.

Numa sortida noturna e perigosa, ele e Diomedes, no chamado episódio de Dolonia, obtêm dupla vitória. Dólon, espião troiano, é aprisionado pelos dois heróis aqueus. Após revelar tudo quanto os dois desejavam saber, Diomedes, impiedosamente, apesar das súplicas de Dólon, cortou-lhe a cabeça. Guiados pelas informações do troiano, penetram no acampamento inimigo e surpreenderam dormindo o herói trácio Reso, que viera em auxílio dos Troianos no décimo ano da guerra. Mataram-no e levaram-lhe os brancos corcéis, rápidos como o vento. Conta-se que a audaciosa expedição dos dois bravos aqueus contra Reso fora inspirada pelas deusas Hera e Atena, pois um oráculo predissera que, se Reso e seus cavalos bebessem da água do rio Escamandro, o herói trácio seria invencível.

O tema da morte desse herói foi retomado no Séc. IV a.e.c. na tragédia Reso, que durante longo tempo foi erradamente incluída entre as peças de Eurípedes.

Desejando penetrar como espião em Ílion, para não ser reconhecido, fez-se chicotear até o sangue por Toas, filho de Andrêmon e chefe de um contingente etólio, consoante o Catálogo das Naus. Ensangüentado e coberto de andrajos, apresentou-se em Tróia como trânsfuga. Conseguiu furtivamente chegar até Helena, que, após a morte de Páris, estava casada com Deífobo e a teria convencido a trair os Troianos. Relata-se igualmente que Helena teria denunciado Hécuba, rainha de Tróia, a presença de Ulisses, mas este, com suas lágrimas, suas manhas e palavras artificiosas, teria convencido a esposa de Príamo a prometer que guardaria segredo a seu respeito. Desse modo foi-lhe possível retirar-se ileso, matando antes as sentinelas que vigiavam a entrada da fortaleza.

Quando da morte de Aquiles e da outorga de suas armas ao mais valente dos aqueus, Ájax Télamon, o grande Ájax, o mais forte e destemido dos gregos, depois do filho de Tétis, disputou-as com Ulisses nos jogos fúnebres em memória do pelida. Face ao embaraço de Agamêmnon, que não sabia a qual dos dois premiar, Nestor, certamente por instigação de Ulisses, aconselhou que fossem interrogados os prisioneiros troianos; e estes, por unanimidade, afirmaram que o rei de Ítaca fora o que mais danos causara a Tróia. Inconformado com a derrota, aliás injusta, e ferido em sua timé, Ájax, num acesso de loucura massacrou um pacífico rebanho de carneiros, pois acreditava estar matando os gregos, que lhe negaram as armas do pelida. Voltando a si, compreendeu ter praticado atos de demência e, envergonhado, mergulhou a própria espada na garganta.

Outra versão, talvez antiga, atesta que, após a queda de Ílion, Ájax pediu a morte de Helena como pena de seu adultério. Tal proposta provocou a ira dos atridas. Ulisses, com sua solércia, salvou a princesa e conseguiu que a mesma fosse devolvida a Menelau. Logo após este acontecimento, o destemido Ájax solicitou, como parte dos despojos, que lhe fosse entregue o Paládio, a pequena estátua de Atena, dotada de propriedades mágicas. Por instigação, mais uma vez, de Ulisses, os atridas não lhe atenderam o pedido.

O filho de Télamon fez-lhes, então graves ameaças. Assustados, Agamêmnon e Menelau cercaram-se de guardas, mas, no dia seguinte, pela manhã, Ájax foi encontrado morto, varado com a própria espada.

Sófocles, em sua tragédia Ajax, sem inocentar Ulisses, procura desviar o infortúnio da personagem para sua hýbris, seu descomedimento intolerável, sobretudo em relação a Atena, que pune o filho de Télamon com a loucura. Dessa maneira, a grande deusa estaria prestando homenagem a seu protegido Ulisses.

Este, porém, porta-se com mais dignidade que a deusa da inteligência.

Quando esta, para mostrar extensão da desgraça de Ájax e o poder dos deuses, pergunta a Ulisses se, porventura, conhece um herói mais judicioso e valente, a resposta do filho de Sísifo não se faz esperar:

Não, não conheço nenhuma, embora seja meu inimigo, lamento seu infortúnio. Esmaga-o terrível fatalidade. Em seu destino entrevejo me próprio destino. Todos quantos vivemos, nada mais somos que farrapos de ilusão e sombras vãs.

O maior cometimento de Ulisses na Guerra de Tróia foi, sem dúvida, o já referido e genial estratagema do Cavalo de Tróia, objeto das descrições de Homero e Públio Vergílio Marão.

Não se esgotam aqui, todavia, as gestas e crueldade do sagaz Ulisses. Foi o primeiro a sair da machina fatalis, a fim de acompanhar Menelau, que apressadamente se dirigiu à casa de Deífogo, para se apossar de Helena; e segundo uma versão, o rei de Ítaca impediu o atrida de assassinar ali mesmo sua linda esposa.

Conforme outra variante, Ulisses salvou-a da morte certa: escondeu-a e esperou que a cólera dos helenos se mitigasse, evitando que a rainha de Esparta fosse lapidada, como desejavam alguns chefes e a soldadesca. Foi um dos responsáveis diretos pela morte do filho de Heitor e Andrômaca, o pequenino Astíanax, que, no sangue de Tróia, foi lançado de uma torre. Por instigação de Ulisses, a filha caçula de Príamo e Hécuba, Políxena, foi sacrificada sobre o túmulo de Aquiles por seu filho Neoptólemo ou pelos comandantes gregos. Tal sacrifício, complementar do de Ifigênia, teria por finalidade proporcionar ventos favoráveis para o retorno das naus aquéias a seus respectivos reinos.

Consoante outra versão, Aquiles, que amara Políxena em vida, apareceu em sonhos ao filho e exigiu o sacrifício da filha de Príamo. Na tragédia de Eurípedes, Hécuba, Políxena arrancada dos braços da rainha por Ulisses, aliás com anuência da própria vítima, que preferia a morte à escravidão, é degolada por Neoptólemo sobre o túmulo paterno.

Odisséia: a volta para casa

A Caminho de Ítaca

Ainda fumegavam as cinzas de Tróia, quando os reis aqueus, que haviam sobrevivido aos fios da Moîra, aprestaram-se para o (nóstos) o longo “retorno” ao lar.

Uns eram aguardados com sofreguidão, com lágrimas de júbilo e com muito saudade; outros, pela instigação vingativa de Náuplio ou pelos próprios acontecimentos que precederam ou se seguiram à guerra, eram esperados com ódio e com as lâminas afiadas de machadinhas homicidas. Penélope e sua prima Clitemnestra são o termômetro da polaridade desse imenso (póthos), desse insofrido “desejo da presença de uma ausência”.

Dada a controvérsia entre os dois atridas a respeito do momento propício para o regresso, Menelau, apressado e desejoso de afastar Ílion de sua memória, partiu primeiro com sua Helena e com o velho e sábio Nestor. As naus de Ulisses singraram na esteira branca e salgada dos navios dos dois heróis aqueus. Na ilha de Tênedos, porém, como se malquistasse com ambos, retornou a Tróada e se reuniu a Agamêmnon, que lá permanecera por mais uns dias, a fim de conciliar com presentes as boas graças da sensível deusa Atena. Quando Agamêmnon desfraldou suas velas, o prudente Ulisses o seguiu, mas uma grande borrasca os separou e o filho de Sísifo abordou na Trácia, na região dos Cícones. Penetrando em uma de suas cidades, Ísmaro, o herói e seus marujos, numa incursão digna de piratas, a pilharam e passaram-lhe os habitantes a fio da espada. Somente pouparam a um sacerdote de Apolo, Marão, que, além de muitos presentes, deu ao rei de Ítaca doze ânforas de um vinho delicioso, doce e forte. Com este precioso licor de Baco será embriagado o monstruoso ciclope Polifemo. Num contra-ataque rápido os Cícones investiram-se contra os gregos, que perderam vários companheiros.

Novamente no bojo macio de Posídon, os aqueus singraram para o sul e dois dias depois avistaram o cabo Maléia, mas um vento extremamente violento, vindo do norte, lançou-os ao largo da ilha de Cítera e durante nove dias erraram no mar piscoso, até que, no décimo, chegaram ao país dos Lotófagos, que se alimentavam de flores. Três marujos aqueus provaram do loto, “o fruto saboroso, mágico e amnéstico”, porque lhes tirou qualquer desejo de regressar à pátria.

E aquele que saboreava o doce fruto do loto, não mais queria trazer notícias nem voltar, mas preferia permanecer ali entre os Lotófagos, comendo loto, esquecido do regresso.

A custo o herói conseguiu trazê-los de volta e prendê-los no navio.

Dali partiram de coração triste, e chegaram à terra dos ciclopes, tradicionalmente identificada com a Sicília:

Dali continuamos viagem, de coração triste, e chegamos à terra dos soberbos ciclopes, infensos às leis, que, confiados nos deuses imortais, não plantam, nem lavram, mas tudo lhes nasce sem semear nem lavrar.

Deixando a maioria de seus companheiros numa ilhota, o experimentado rei de Ítaca, com apenas alguns deles, embicou sua nau para uma terra vizinha. Escolheu doze entre os melhores e resolveu explorar a região desconhecida, levando um odre cheio de vinho de Marão. Penetrou numa “elevada gruta, à sombra de loureiros”, redil de gordos rebanhos, e lá aguardou, para receber de quem quer que habite a caverna os dons da hospitalidade.

Só à tardinha chegou o ciclope Polifemo:

Era um monstro horrendo, em nada semelhante a um homem que come pão, mas antes a um pico alcandorado de altos montes, que aparece isolado dos outros.

Polifemo já havia devorado seis de seus marujos, quando Ulisses, usando de sua costumeira solércia, embebedou-o com o vinho forte de Marão e vazou-lhe o olho único que possuía no meio da fronte. Sem poder contar com o auxílio de seus irmãos, que o consideraram louco, por gritar que Ninguém o havia cegado (foi este realmente o nome com que o astuto esposo de Penélope se apresentou ao gigante), o monstro, louco de dor e de ódio, postou-se à saída da gruta, para que nenhum dos aqueus pudesse fugir. O sagaz Ulisses, todavia engendrou novo estratagema e, sob o ventre dos Ianosos carneiros, conseguiu escapar com seus companheiros restantes do antropófago filho de Posídon.

Salvos do bronco Polifemo, os helenos navegaram em direção ao reino do senhor dos ventos, a ilha Eólia, possivelmente Lípari, na costa oeste da Itália meridional:

Chegamos à ilha Eólia. Ali habitava Éolo, filho de Hipotes, caro aos deuses imortais, numa ilha flutuante, cingida em toda a volta por infrangível muralha de bronze.

Éolo acolheu-os com toda a fidalguia e durante um mês os hospedou. Na partida, deu ao rei aqueu um odre que continha o curso dos ululantes ventos. Em liberdade ficara apenas o Zéfiro que, com seu hálito suave, fazia deslizar as naus no seio verde de Posídon, Durante nove dias as naus aquéias avançaram alimentadas pelas saudades de Ítaca. No décimo já se divisavam ao longe os lumes que faiscavam na terra natal. O herói, exausto, dormia. Julgando tratar-se de ouro, os nautas abriram o odre, o cárcere dos perigosos ventos. Imediatamente terrível lufada empurrou os frágeis batéis na direção contrária.

Ulisses, que despertara sobressaltado, ainda teve ânimo para uma reflexão profunda:

Mas eu que despertara, refletia em meu irrepreensível espírito se devia morrer, lançando-me nas ondas ou se permaneceria em silêncio e continuaria entre os vivos. Resolvi sofrer e ir vivendo…

E voltou à ilha de Éolo. De lá expulso como amaldiçoado dos deuses, Ulisses retornou às ondas do mar e chegou no sétimo dia a Lamos, cidade da Lestrigônia, terra dos gigantes e antropófagos lestrigões, povos que habitavam a região de Fórmias, ao sul do Lácio, ou o porto siciliano de Leontinos… Tribos de canibais, sob a ordem de seu rei, o gigante e antropófago Antífates, precipitaram-se sobre os enviados do herói de Ítaca, devorando logo um deles.

Arremessando, em seguida, blocos de pedra sobre a frota ancorada em seu porto, destruíram todas as naus, menos a de Ulisses, que ficara mais distante:

Depois, de cima dos rochedos, lançaram sobre nós pedras imensas. Levantou-se logo das naus o grito medonho dos que morriam e o estrépito das naus que se partiam. E os lestrigões, cortando os homens como se fossem peixes, levavam-nos para um triste banquete.

Agora, com um único navio e sua equipagem, o herói fugiu precipitadamente para o alto-mar e navegou em direção à ilha de Eéia, cuja localização é totalmente impossível: identificá-la com Malta ou com uma ilha situada na entrada do Mar Adriático é contribuir para enriquecer a fantástica geografia de Homero.

Relata-nos o poeta que, tendo chegado a esta ilha fabulosa, residência da feiticeira Circe, filha de Hélio e Perseida e irmã do valente Eetes, Ulisses enviou vinte e três de seus nautas para explorarem o lugar. Tendo eles chegado ao palácio deslumbrante da maga, esta os recebeu cordialmente; fê-los sentar-se e preparou-lhes uma poção. Depois, tocando-os com uma varinha mágica, transformou-os em animais “semelhantes a porcos”. Escapou do encantamento apenas Euríloco que, prudentemente, não penetrara no palácio da bruxa. Sabedor do triste acontecimento, o herói pôs-se imediatamente a caminho em busca de seus nautas.

Quando já se aproximava do palácio, apareceu-lhe Hermes, sob a forma de belo adolescente, e ensinou-lhe o segredo para escapar de Circe: deu-lhe a planta mágica móli que deveria ser colocada na beberagem venenosa que lhe seria apresentada. Penetrando no palácio, a bruxa ofereceu-lhe logo a bebida e tocou-o com a varinha.

Assim, quando a feiticeira lhe disse toda confiante:

Vai agora deitar com os outros companheiros na pocilga.

Grande foi a surpresa, ao ver que a magia não surtira efeito. De espada em punho, como lhe aconselhara Hermes, o herói exigiu a devolução dos companheiros e acabou ainda usufruindo por um ano da hospitalidade e do amor da mágica. Diga-se logo que desses amores, conforme a tradição, nasceram Telégono e Nausítoo.

Afinal, após um ano de ociosidade, Ulisses partiu. Não em direção a Ítaca, mas à outra vida, ao mundo ctônio. Todo grande herói, não pode completar o Uróboro, sem uma (katábasis), sem uma descida “real” ou simbólica ao mundo das sombras.

Foi a conselho de Circe que Ulisses, para ter o restante de seu itinerário e o fecho de sua própria vida traçados pelo adivinho cego Tirésias, navegou para os confins do Oceano:

Ali está a terra e a cidade dos Cimérios, cobertas pela bruma e pelas nuvens: jamais recebem um único raio de sol brilhante.

A catábase do rei de Ítaca foi “simbólica”. Ele não desceu à outra vida, ao Hades. Deixando a nau junto aos bosques consagrados a Perséfone e, por tanto, à beira-mar, andou um pouco para abrir um fosso e vazar sobre ele as libações e os sacrifícios rituais ordenados pela maga.

Tão logo o sangue das vítimas negras penetrou no fosso, “os corpos astrais, os eídola abúlicos” recompostos temporariamente, vieram à tona:

…o sangue negro corria e logo as almas dos mortos, subindo do Hades, se ajuntaram

O herói pôde, assim, ver e dialogar com muitas “sombras”, particularmente com Tirésias, que lhe vaticinou um longo e penoso caminho de volta e uma morte tranqüila, longe do mar e em idade avançada.

De volta, ainda uma pequena permanência na ilha de Eéia e, após ouvir atento e aterrorizado as informações precisas de Circe acerca das serias, dos monstros Cila e Caribdes e da proibição de se comerem as vacas e ovelhas de Hélio na ilha Trinácria, o esposo de Penélope partiu para novas aventuras, que vão arrastá-lo na direção do oeste. Seu primeiro encontro seria com os perigosos rochedos das sereias, cuja localização é extremamente difícil. Existem realmente três rochedos ao longo das costas italianas, na baía de Salerno. Segundo se diz, encontraram-se ossadas humanas em grutas existentes no interior desses penhascos, mas é preciso não esquecer que exatamente o maior deles, Briganti, foi durante os séculos XIII e XIV d.e.c. uma sólida base de piratas. É preferível, por isso mesmo,localizá-los, miticamente no Mediterrâneo Ocidental, não muito distante de Sorrento.

Circe preveniu bem o herói de que as sereias antropófagas, tentariam encantá-lo com sua voz maviosa e irresistível: atirá-lo-iam nos recifes, despedaçando-lhe a nau e devorariam todo os seus ocupantes. Para evitar a tentação e a morte, ele e seus companheiros deveriam tapar os ouvidos com cera.

Se, todavia, o herói desejasse ouvir-lhes o canto perigoso, teria que ordenar a seus nautas que o amarrassem ao mastro do navio e, em hipótese alguma, o libertassem das cordas.

Quando a nau ligeira se aproximou do sítio fatídico, diz Homero, a ponto de se ouvir um grito, as sereias iniciaram seu cântico funesto e seu convite falaz:

Aproxima-te daqui, preclaro Ulisses, Glória ilustre dos aqueus! Detém a nau para escutares nossa voz, Jamais alguém passou por aqui, em escura nave, sem que primeiro ouvisse melíflua que sai de nossas bocas. Somente partiu após se haver deitado com ela e de ficar sabendo muitas coisas. Em verdade sabemos tudo…

Vencida a sedução das sereias, os aqueus remaram a toda velocidade para escaparem de dois escolhos mortais, Cila e Caribdes. A localização dos temíveis penhascos em que se escondiam os dois monstros é tradicionalmente defendida como o estreito de Messina, situado entre a Itália e a Sicília. Outros, porém, como Estrabão, acham que é difícil passagem é o estreito de Gibraltar, por contar “com uma quantidade de turbilhões verdadeiramente perigosos”. Seja como for, os formidáveis recifes, que ladeavam um dos dois estreitos, camuflavam as devoradoras Cila e Caribdes: quem escapasse de uma, fatalmente seria tragado pela outra. A conselho de Circe, para não perecer com todos os seus companheiros, o herói preferiu passar mais próximo de Cila. Mesmo assim, perdeu seis de seus melhores nautas.

De coração triste, o herói navegou em direção à ilha de Hélio Hiperíon, identificada miticamente como Trinácria, isto é, com a Sicília onde por força dos ventos permaneceu um mês inteiro. Acabada a provisão, os insensatos marinheiros, apesar do juramento feito, sacrificaram as melhores vacas do deus. Quando novamente a nau aquéia voltar às ondas do mar, Zeus, a pedido de Hélio, levantou uma imensa procela e terríveis vagalhões, que, de mistura com os raios celestes, sepultaram a nave e toda a tripulação no seio de Posídon. Apenas Ulisses, que não participara dos sacrílegos banquetes, escapou à ira do pai dos deuses e dos homens.

Agarrando-se à quilha, que apressadamente amarrara ao mastro da nave, o rei de Ítaca deixou-se levar pelos ventos.

Partindo dali errei por nove dias; na décima noite os deuses conduziram-me para a ilha de Ogígia, onde mora Calipso, de linda cabeleira.

A ilha de Ogígia, como quase todas as paragens oníricas da Odisséia, tem sido imaginada quer na região de Ceuta, na costa marroquina, em frente a Gibraltar, quer na ilha de Madeira. Apaixonada pelo herói, a deusa o reteve por dez anos; por oito, segundo alguns autores; por cinco, consoante outros o apenas por um.

De seus amores teriam nascido dois filhos: Nausítoo e Nausínoo.

Por fim, penalizado com as saudades de Ulisses, Zeus atendeu às súplicas de Atena, a protetora inconteste e bússola do peregrino de Ítaca, e enviou Hermes à ninfa imortal, para que permitisse a partida do esposo de Penélope. Embora lamentasse sua imortalidade. Pois desejava morrer de saudades de seu amado, Calipso pôs-lhe à disposição o material necessário para o fabrico de pequena embarcação. No quinto dia, quando a Aurora de dedos cor-de-rosa começou a brincar de esconder no horizonte, Ulisses desfraldou as velas. Estamos novamente em pleno mar, guiados pela luz dos olhos garços de Atena. Posídon, no entanto, guardava no peito e na lembrança as injúrias feitas a seu filho, o ciclope Polifemo, e descarregou sua raiva e rancor sobre a frágil jangada do herói;

Assim dizendo, Posídon reuniu as nuvens, empunhou o tridente e sacudiu o mar. Transformou todos os ventos em procelas e, envolvendo em nuvens a terra e o mar, fez descer a noite do céu.

Sobre uma prancha da jangada, mas segurando contra o peito um talismã precioso, o véu, que, em meio à borrasca, lhe emprestara Ino Leucotéia, o náufrago vagou três dias sobre a crista das ondas. Lutou com todas as forças até que, nadando até a foz de um rio, conseguiu pisar terra firme. Derreado de fadiga, recolheu-se a um bosque e Atena derramou-lhe sobre os olhos o doce sono. Havia chegado à ilha dos Feaces, uma como que ilha de sonhos, uma espécie de Atlântida de Platão. Chamavam-na Esquéria, mais tarde identificada com Corfu.

Por inspiração de Atena, a princesa Nausícaa, filha dos reis de Esquéria, Alcínoo e Aret, dirige-se ao rio para lavar seu enxoval de casamento. Após o serviço, começou a jogar com suas companheiras. Despertado pela algazarra, o herói pede a Nausícaa que o ajude. Esta envia-lhe comida e roupa, pois o rei de Ítaca estava nu, e convida-o a visitar o palácio real. Os Feaces, que eram como os Ciclopes, aparentados com os deuses, levavam uma vida luxuosa e tranqüila e, por isso mesmo, Alcínoo ofereceu ao herói uma hospitalidade digna de um rei.

Durante um lauto banquete em honra do hóspede, o cego Demódoco, por solicitação do próprio rei de Ítaca, cantou ao som da lira, o mais audacioso estratagema da Guerra de Tróia, o ardil do cavalo de madeira, o que emocionou profundamente Ulisses. Vendo-lhe as lágrimas, Alcínoo pediu-lhe que narrasse suas aventuras e desditas. Com o famoso e convicto (Eím Odysseús), eu sou Ulisses, o herói desfilou para o rei e seus comensais o longo rosário de suas gestas gloriosas, andanças e sofrimentos na terra e no mar, desde Ílion até a ilha de Esquéria.

No dia seguinte, o magnânimo soberano de Esquéria fez com que seu ilustre hóspede, que recusou polidamente tornar-se seu genro, subisse, carregado de presentes, para uma das naus mágicas dos Feaces:

Ela corria com tanta segurança e firmeza, que, nem mesmo o falcão, a mais ligeira das aves, poderia segui-la.

Com a tal velocidade, os marujos de Alcínoo em uma noite alcançaram Ítaca, onde o saudoso Ulisses chegou dormindo. Colocaram-no na praia com todos os presentes, que habilmente esconderam junto ao tronco de uma oliveira.

Posídon, todavia, estava vigilante, e, tão logo a nau ligeira dos Feaces, em seu retorno, se aproximava de Esquéria, transformou-a num rochedo, para cumprir velha predição.

A Caminho de Ítaca

Ainda fumegavam as cinzas de Tróia, quando os reis aqueus, que haviam sobrevivido aos fios da Moîra, aprestaram-se para o (nóstos) o longo “retorno” ao lar. Uns eram aguardados com sofreguidão, com lágrimas de júbilo e com muito saudade; outros, pela instigação vingativa de Náuplio ou pelos próprios acontecimentos que precederam ou se seguiram à guerra, eram esperados com ódio e com as lâminas afiadas de machadinhas homicidas. Penélope e sua prima Clitemnestra são o termômetro da polaridade desse imenso (póthos), desse insofrido “desejo da presença de uma ausência”.

Dada a controvérsia entre os dois atridas a respeito do momento propício para o regresso, Menelau, apressado e desejoso de afastar Ílion de sua memória, partiu primeiro com sua Helena e com o velho e sábio Nestor. As naus de Ulisses singraram na esteira branca e salgada dos navios dos dois heróis aqueus. Na ilha de Tênedos, porém, como se malquistasse com ambos, retornou a Tróada e se reuniu a Agamêmnon, que lá permanecera por mais uns dias, a fim de conciliar com presentes as boas graças da sensível deusa Atena. Quando Agamêmnon desfraldou suas velas, o prudente Ulisses o seguiu, mas uma grande borrasca os separou e o filho de Sísifo abordou na Trácia, na região dos Cícones. Penetrando em uma de suas cidades, Ísmaro, o herói e seus marujos, numa incursão digna de piratas, a pilharam e passaram-lhe os habitantes a fio da espada. Somente pouparam a um sacerdote de Apolo, Marão, que, além de muitos presentes, deu ao rei de Ítaca doze ânforas de um vinho delicioso, doce e forte. Com este precioso licor de Baco será embriagado o monstruoso ciclope Polifemo. Num contra-ataque rápido os Cícones investiram-se contra os gregos, que perderam vários companheiros.

Novamente no bojo macio de Posídon, os aqueus singraram para o sul e dois dias depois avistaram o cabo Maléia, mas um vento extremamente violento, vindo do norte, lançou-os ao largo da ilha de Cítera e durante nove dias erraram no mar piscoso, até que, no décimo, chegaram ao país dos Lotófagos, que se alimentavam de flores. Três marujos aqueus provaram do loto, “o fruto saboroso, mágico e amnéstico”, porque lhes tirou qualquer desejo de regressar à pátria.

E aquele que saboreava o doce fruto do loto, não mais queria trazer notícias nem voltar, mas preferia permanecer ali entre os Lotófagos, comendo loto, esquecido do regresso.

A custo o herói conseguiu trazê-los de volta e prendê-los no navio. Dali partiram de coração triste, e chegaram à terra dos ciclopes, tradicionalmente identificada com a Sicília:

Dali continuamos viagem, de coração triste, e chegamos à terra dos soberbos ciclopes, infensos às leis, que, confiados nos deuses imortais, não plantam, nem lavram, mas tudo lhes nasce sem semear nem lavrar.

Deixando a maioria de seus companheiros numa ilhota, o experimentado rei de Ítaca, com apenas alguns deles, embicou sua nau para uma terra vizinha. Escolheu doze entre os melhores e resolveu explorar a região desconhecida, levando um odre cheio de vinho de Marão. Penetrou numa “elevada gruta, à sombra de loureiros”, redil de gordos rebanhos, e lá aguardou, para receber de quem quer que habite a caverna os dons da hospitalidade.

Só à tardinha chegou o ciclope Polifemo:

Era um monstro horrendo, em nada semelhante a um homem que come pão, mas antes a um pico alcandorado de altos montes, que aparece isolado dos outros.

Polifemo já havia devorado seis de seus marujos, quando Ulisses, usando de sua costumeira solércia, embebedou-o com o vinho forte de Marão e vazou-lhe o olho único que possuía no meio da fronte. Sem poder contar com o auxílio de seus irmãos, que o consideraram louco, por gritar que Ninguém o havia cegado (foi este realmente o nome com que o astuto esposo de Penélope se apresentou ao gigante), o monstro, louco de dor e de ódio, postou-se à saída da gruta, para que nenhum dos aqueus pudesse fugir. O sagaz Ulisses, todavia engendrou novo estratagema e, sob o ventre dos Ianosos carneiros, conseguiu escapar com seus companheiros restantes do antropófago filho de Posídon.

Salvos do bronco Polifemo, os helenos navegaram em direção ao reino do senhor dos ventos, a ilha Eólia, possivelmente Lípari, na costa oeste da Itália meridional:

Chegamos à ilha Eólia. Ali habitava Éolo, filho de Hipotes, caro aos deuses imortais, numa ilha flutuante, cingida em toda a volta por infrangível muralha de bronze.

Éolo acolheu-os com toda a fidalguia e durante um mês os hospedou. Na partida, deu ao rei aqueu um odre que continha o curso dos ululantes ventos. Em liberdade ficara apenas o Zéfiro que, com seu hálito suave, fazia deslizar as naus no seio verde de Posídon, Durante nove dias as naus aquéias avançaram alimentadas pelas saudades de Ítaca. No décimo já se divisavam ao longe os lumes que faiscavam na terra natal. O herói, exausto, dormia. Julgando tratar-se de ouro, os nautas abriram o odre, o cárcere dos perigosos ventos. Imediatamente terrível lufada empurrou os frágeis batéis na direção contrária. Ulisses, que despertara sobressaltado, ainda teve ânimo para uma reflexão profunda:

Mas eu que despertara, refletia em meu irrepreensível espírito se devia morrer, lançando-me nas ondas ou se permaneceria em silêncio e continuaria entre os vivos. Resolvi sofrer e ir vivendo…

E voltou à ilha de Éolo. De lá expulso como amaldiçoado dos deuses, Ulisses retornou às ondas do mar e chegou no sétimo dia a Lamos, cidade da Lestrigônia, terra dos gigantes e antropófagos lestrigões, povos que habitavam a região de Fórmias, ao sul do Lácio, ou o porto siciliano de Leontinos… Tribos de canibais, sob a ordem de seu rei, o gigante e antropófago Antífates, precipitaram-se sobre os enviados do herói de Ítaca, devorando logo um deles. Arremessando, em seguida, blocos de pedra sobre a frota ancorada em seu porto, destruíram todas as naus, menos a de Ulisses, que ficara mais distante:

Depois, de cima dos rochedos, lançaram sobre nós pedras imensas. Levantou-se logo das naus o grito medonho dos que morriam e o estrépito das naus que se partiam. E os lestrigões, cortando os homens como se fossem peixes, levavam-nos para um triste banquete.

Agora, com um único navio e sua equipagem, o herói fugiu precipitadamente para o alto-mar e navegou em direção à ilha de Eéia, cuja localização é totalmente impossível: identificá-la com Malta ou com uma ilha situada na entrada do Mar Adriático é contribuir para enriquecer a fantástica geografia de Homero.

Relata-nos o poeta que, tendo chegado a esta ilha fabulosa, residência da feiticeira Circe, filha de Hélio e Perseida e irmã do valente Eetes, Ulisses enviou vinte e três de seus nautas para explorarem o lugar. Tendo eles chegado ao palácio deslumbrante da maga, esta os recebeu cordialmente; fê-los sentar-se e preparou-lhes uma poção. Depois, tocando-os com uma varinha mágica, transformou-os em animais “semelhantes a porcos”. Escapou do encantamento apenas Euríloco que, prudentemente, não penetrara no palácio da bruxa. Sabedor do triste acontecimento, o herói pôs-se imediatamente a caminho em busca de seus nautas. Quando já se aproximava do palácio, apareceu-lhe Hermes, sob a forma de belo adolescente, e ensinou-lhe o segredo para escapar de Circe: deu-lhe a planta mágica móli que deveria ser colocada na beberagem venenosa que lhe seria apresentada. Penetrando no palácio, a bruxa ofereceu-lhe logo a bebida e tocou-o com a varinha. Assim, quando a feiticeira lhe disse toda confiante:

Aquiles: A antiga e rica lenda de Aquiles ilustra a assertiva de que “os eleitos dos deuses morrem jovens”, já que o herói preferiu uma vida gloriosa e breve a uma existência longa, mas rotineira e apagada.

Aquiles era filho de Tétis (a ninfa marinha, e não a deusa do oceano) e de Peleu, rei dos mirmidões da Tessália. Ao nascer, a mãe o mergulhou no Estige, o rio infernal, para torná-lo invulnerável. Mas a água não lhe chegou ao calcanhar, pelo qual ela o segurava, e que assim se tornou seu ponto fraco – o proverbial “calcanhar de Aquiles“.

Segundo uma das lendas, Tétis fez Aquiles ser criado como menina na corte de Licomedes, na ilha de Ciros, para mantê-lo a salvo de uma profecia que o condenava a morrer jovem no campo de batalha. Ulisses, sabedor de que só com sua ajuda venceria a guerra de Tróia, recorreu a um ardil para identificá-lo entre as moças.

Aquiles, resoluto, marchou com os gregos sobre Tróia.

No décimo ano de luta, capturou a jovem Briseida, que lhe foi tomada por Agamenon, chefe supremo dos gregos. Ofendido, Aquilesretirou-se da guerra. Mas persuadiram-no a ceder a seu amigo Pátroclo a armadura que usava.

Pátroclo foi morto por Heitor, filho do rei de Tróia, Príamo. Sedento de vingança, Aquiles reconciliou-se com Agamenon.

De armadura nova, retornou à luta, matou Heitor e arrastou seu cadáver em torno da sepultura de Pátroclo. Pouco depois, Páris, irmão de Heitor, lançou contra Aquiles uma flecha envenenada; dirigida por Apolo, atingiu-lhe o calcanhar e matou-o.

As proezas de Aquiles e muitos temas correlatos foram desenvolvidos na Ilíada, de Homero, que relata a guerra de Tróia.

O cadáver de Aquiles, segundo a versão mais comum, foi enterrado no Helesponto junto ao de Pátroclo.

Fonte: http://www.nomismatike.hpg.ig.com.br

A antiga e rica lenda de Aquiles ilustra a assertiva de que “os eleitos dos deuses morrem jovens”, já que o herói preferiu uma vida gloriosa e breve a uma existência longa, mas rotineira e apagada.

Aquiles era filho de Tétis (a ninfa marinha, e não a deusa do oceano) e de Peleu, rei dos mirmidões da Tessália. Ao nascer, a mãe o mergulhou no Estige, o rio infernal, para torná-lo invulnerável. Mas a água não lhe chegou ao calcanhar, pelo qual ela o segurava, e que assim se tornou seu ponto fraco – o proverbial “calcanhar de Aquiles”.

Segundo uma das lendas, Tétis fez Aquiles ser criado como menina na corte de Licomedes, na ilha de Ciros, para mantê-lo a salvo de uma profecia que o condenava a morrer jovem no campo de batalha. Ulisses, sabedor de que só com sua ajuda venceria a guerra de Tróia, recorreu a um ardil para identificá-lo entre as moças. Aquiles, resoluto, marchou com os gregos sobre Tróia.

No décimo ano de luta, capturou a jovem Briseida, que lhe foi tomada por Agamenon, chefe supremo dos gregos.

Ofendido, Aquiles retirou-se da guerra. Mas persuadiram-no a ceder a seu amigo Pátroclo a armadura que usava.

Pátroclo foi morto por Heitor, filho do rei de Tróia, Príamo.

Sedento de vingança, Aquiles reconciliou-se com Agamenon.

De armadura nova, retornou à luta, matou Heitor e arrastou seu cadáver em torno da sepultura de Pátroclo. Pouco depois, Páris, irmão de Heitor, lançou contra

Aquiles uma flecha envenenada; dirigida por Apolo, atingiu-lhe o calcanhar e matou-o.

As proezas de Aquiles e muitos temas correlatos foram desenvolvidos na Ilíada, de Homero, que relata a guerra de Tróia.

O cadáver de Aquiles, segundo a versão mais comum, foi enterrado no Helesponto junto ao de Pátroclo.

Estátua de Aquiles

Na mitologia grega, Aquiles ou Achilleus ou Akhilles, foi não só o maior guerreiro na guerra de Tróia como o ponto central da Ilíada de Homero.

Aquiles era filho de Peleu, Rei de Mirmidon na Tessália, e da ninfa Tétis. Zeus e Poseidon a levaram até um oráculo que viu na sua mão que ela teria um filho que seria maior que o próprio pai e por isso resolveram dá-lo para outra pessoa.

De acordo com a lenda, Tétis tentou tornar Aquiles invencível mergulhando-o no rio da Estige, mas esqueceu que segurando-o pelo calcanhar esta parte ficaria vulnerável, podendo levá-lo à morte. Homero deliberadamente não mencionou isto; Aquiles não poderia ser herói se não corresse risco.

No entanto, um oráculo disse que se Aquiles fosse para Tróia ele morreria lá. Sua mãe escondeu-o na corte de Licurgo em Scyrus disfarçado de mulher. Lá teve um romance com Deidamia resultando numa criança, Neoptolemo. Foi descoberto por Odisseu disfarçado de vendedor ambulante de bugigangas e armamentos.

Aquiles foi apontado por mulheres que sabiam do seu gosto por coisas ilegais. Foi desmascarado por um toque de trombeta quando se viu compelido a não se acovardar e tomar a lança de um atacante. Daí precisou de pouca coisa para decidir ir a Tróia.

Aquiles é uma das duas únicas pessoas na Ilíada descritas como um deus. Não só pela sua capacidade superior de luta mas pela atitude. Mostrava uma completa e total devoção pela excelência de sua arte e como um Deus, nenhum respeito pela vida. Seu modo de pensar era com relação se a morte fosse rápida desde que gloriosa e não como qualquer morte. Sua cólera era absoluta. A humanização de Aquiles nos episódios da guerra é o tema de Ilíada.

Imediatamente após a morte de Hector, Aquiles derrotou Memnon da Etiópia e logo depois foi morto por Páris por uma flechada no calcanhar, ou de acordo com antiga versão, por uma punhalada nas costas quando visitava uma princesa troiana.

Ambas as versões negam ao matador qualquer valor e mostram que Aquiles não foi derrotado no campo de batalha. Seus ossos foram misturados aos de Pátroclo e juntos foram enterrados. Uma luta por causa de sua armadura ocasionou a morte de Ajax.

Criseida raptada e violada por Aquiles durante a guerra de TróiaNa Odisséia, também de Homero, há uma passagem onde Odisseu navega para o mundo inferior e conversa com as almas.

Uma delas é Aquiles que, cumprimentado como abençoado na vida e abençoando na morte, responde que preferia ser um escravo do que estar morto. É interpretado como uma rejeição à vida de guerreiro e à indignidade pelo seu martírio desprezado.

O rei de Épiro reclama ser descendente de Aquiles através de seu filho. Também Alexandre, o Grande, tendo por mãe uma princesa epirana, reclama sua descendência e de muitas formas aspira a ser como seu grande ancestral; diz ter visitado sua tumba quando esteve em Tróia.

Aquiles foi cultuado como um deus do mar em muitas colônias do mar Morto.

Aquiles foi o maior dos guerreiros gregos na mitologia grega.

Quando criança, sua mãe o imergiu no rio Estige, tornando-o imortal.

A única parte do seu corpo que não foi submersa foi o calcanhar, por onde sua mãe o segurou.

Aquiles lutou e foi vitorioso em muitas batalhas até ser mortalmente ferido no calcanhar por Páris, que o encontrou quando, por estar apaixonado pela filha de Priamo, entrou desarmado no templo de Apolo.

Aquiles o maior dos guerreiros gregos e descendente de Zeus era conhecido por sua implacável fúria, mas aprendeu na batalha que a “vida é só triteza” e monstrou uma compaixão nova permitindo um funeral honroso ao seu inimigo Heitor.

Ajax , que vinha logo depois de Aquiles em bravura, compreendeu que havia procedido de maneira irracional para com seus amigos e suicidou-se.

Agamemnon, comandante dos gregos e cunhado de Helena , foi morto por sua esposa Clitemnestra por ter sacrificado a vida da filha a Artemis.

Ulisses, famoso pela sua astúcia, teve a idéia do cavalo de Tróia.

Fonte: www.geocities.com

Um dos heróis mais célebres da antiga Grécia, que tanto toca o real como o mitológico, será sem dúvida Aquiles.

Celebrado originalmente na cultura popular e na Íliada de Homero, Aquiles o guerreiro será um dos personagens de maior destaque no episódio da guerra de Tróia.

O nome Aquiles, deriva da conjunção das palavras Akhos (angústia) e Laos (povo, tribo), ou seja, Aquiles poderá ser interpretado como a angústia do povo, ou de uma nação.

Aquiles, segundo reza a lenda, seria filho de Peleus, rei dos Mirmidões e de Thetis, uma ninfa do mar. Segundo poema escrito numa época mais tardia (Séc. 1 dc, sendo que Aquiles teria vivido no Séc. 13 ou 12 ac) Thetis, querendo conferir a imortalidade a seu filho, terá mergulhado o mesmo no rio Styx, mas por lapso terá deixado de fora o calcanhar, que se terá revelado o seu ponto fraco e a sua fatalidade.

Aquiles terá desenvolvido a sua capacidade de guerrear mais profundamente dado que não foi criado por seus pais mas sim por Chiron o Centauro, que conta entre os seus pupilos o semi-deus Héracles (vulgo Hércules).

Aquiles terá sido um dos poucos mortais que terá tido alguma relevância entre os deuses, de uma forma bastante irónica. Zeus e Poseídon seriam rivais na conquista de Thetis, mas foram alertados por Prometeu o Titã, que Thetis traria no seu ventre um homem maior que o seu pai, o que de certo modo intimidou o deus supremo e o deus do mar, desistindo desta forma da sua conquista cedendo a mão de Thetis a Peleus.

Aquiles será também, dada a sua natureza supra-humana, o único mortal segundo a mitologia grega que é tocado pela Menis, uma raiva avassaladora que afeta unicamente os imortais.

Leia-se as duas primeiras linhas da Ilíada:

Raiva – canta Deusa, a Raiva de Aquiles, o filho de Peleus, a Raiva destruidora que trouxe incontáveis angústias aos Aqueus…

Fonte: mitoseafins.sapo.pt

Aquiles é um semi-deus da mitologia grega, considerado o guerreiro mortal mais forte e talentoso que já existiu. É filho do rei Peleu e da ninfa Tétis. Esta procurou evitar o seu destino de mortal por ser filho de um homem.

Segundo a lenda terá mergulhado Aquiles, quando era bebé num grande lago mágico, segurando-o pelo calcanhar que assim se tornou no seu único ponto fraco.

Aquiles era adolescente quando teve início a guerra de Tróia. Tétis sabia, por oráculos, que se o seu filho participasse nessa guerra seria morto e, por isso, tudo fez para impedir a sua partida. Os reis aqueus, porém, haviam consultado o adivinho Calcas que os havia informado que a cidade inimiga só seria destruída com a ajuda de Aquiles. Foi Ulisses quem falou com o rei Peleu que autorizou a sua partida.

A guerra de Tróia deu-se porque Paris, príncipe de Tróia, raptou a bela Helena, mulher do rei aqueu de Esparta Menelau e durou 10 anos. No último ano da guerra, Patrócolo, primo de Aquiles, rouba-lhe a armadura para participar no combate e é morto por Heitor, filho do rei de Tróia.

Aquiles fica furioso e desafia o príncipe Heitor para um duelo.

Heitor sabe que Aquiles é o maior guerreiro do mundo mas não pode recusar o combate sem parecer um covarde.

Abrem-se as portas da fortaleza de Tróia para que Heitor saia com a sua armadura reluzente. O seu pai e o seu irmão Paris apreciam tudo do cimo da torre.

Dá-se assim uma luta feroz e Aquiles, espeta a sua espada num ombro de Heitor e mata-o.

Aquiles, desrespeitando os costumes para com os mortos vencidos em combate, prendeu o cadáver ao seu carro e deu uma vergonhosa volta às muralhas de Tróia arrastando-o pelo chão e levando-o para a sua tenda.

Chegou a noite e o pai de Heitor saiu do castelo disfarçado e foi implorar a Aquiles que lhe devolvesse o cadáver do filho para que o pudesse enterrar como ele merecia e os deuses queriam. Aquiles entrega o cadáver.

Enquanto o pai de Heitor lhe faz o funeral, Ulisses e os seus companheiros pensaram numa bela estratégia para entrar em Tróia e destruí-la. Deveriam construir um cavalo gigante em madeira e deixá-lo em frente às muralhas. Fazer umas cerimónias aos deuses e, depois, fingir que abandonavam o local e regressavam a casa. Dentro do cavalo deveriam ficar alguns guerreiros.

Assim fizeram e, quando os troianos viram partir os aqueus e deixarem aquela oferta para os deuses, ficaram cheios de curiosidade e trouxeram o cavalo para dentro das muralhas. De madrugada, os guerreiros que estavam dentro do cavalo, saíram às escondidas e abriram as portas da cidade. Os aqueus que tinham regressado, invadiram a cidade queimando-a.

Aquiles, que se havia apaixonado por Briseis, prima dos príncipes de Tróia, correu para a salvar da fúria dos guerreiros invasores. Paris, irmão de Heitor, viu-o e resolveu vingar a morte do irmão. Tirando o seu arco, disparou uma seta acertando no calcanhar de Aquiles que era o seu único ponto mortal. Briseis, a amada de Aquiles ainda correu para o salvar mas só conseguiu ouvir as últimas palavras de amor de Aquiles que assim morreu nos braços da sua amada como os oráculos tinham previsto.

Aquiles, após a morte, recebeu a justa recompensa por toda uma vida de feitos heróicos e de combates. Zeus, a pedido de Tétis, conduziu-o à ilha dos Bem-aventurados, onde ele casou com uma heroína. Deste casamento teria nascido um filho alado, Euforião, que é identificado com a brisa da manhã.

Ainda hoje em dia quando se quer referir o principal defeito ou ponto fraco de uma pessoa, usa-se a expressão: “É o seu calcanhar de Aquiles”.

Débora Teixeira

Fonte: http://www.eb23-diogo-cao.rcts.pt

Outros mitos sobre Aquiles

No livro 11 da Odisseia o mesmo Odisseu viaja ao mundo inferior e lá conversa com as sombras, as almas dos mortos.

Uma destas é Aquiles, que, quando saudado como sendo “abençoado na vida, abençoado na morte”, responde que preferia ser um escravo sob o pior dos senhores do que um rei de todos os mortos.

Aquiles então pergunta a Odisseu sobre os feitos de seu filho na Guerra de Tróia, e quando aquele lhe descreve os atos heróicos de Neoptólemo, o herói se enche de satisfação – o que dá ao leitor um intrigante senso de ambiguidade na maneira com que Aquiles vê a vida heróica.

Aquiles foi venerado como deus marinho em muitas das colônias gregas do mar Negro, onde se localizada a semi-mítica “Ilha Branca” (Leuca) onde ele teria habitado, após sua morte, juntamente com diversos outros heróis.

Os reis do Épiro alegavam descendência de Aquiles através de seu filho, Neoptólemo. Alexandre, o Grande, filho da princesa epirota Olímpia, alegava por este mesmo motivo esta descendência – e em diversas maneiras tentou ser como o seu suposto ancestral, tendo até mesmo visitado seu túmulo ao passar por Tróia.

Aquiles lutou e matou em combate a amazona Helena. Algumas versões de sua lenda dizem que teria se casado com Medeia, e que após a morte dos dois ambos teriam sido reunidos nos Campos Elísios do Hades – como Hera havia prometido a Tétis, na Argonáutica de Apolônio.

A cólera de Aquiles

No decurso do décimo ano de guerra, Aquiles e Agamémnon envolveram-se em grande disputa. Tudo isto porque, como Agamémnon se vira obrigado a libertar a filha do sacerdote, Criseida, exigiu como compensação a serva de Aquiles, Briseis. Injuriado e furioso, Aquiles decidiu abandonar a guerra e retirou-se para o seu acampamento, pondo assim em causa a possível vitória dos gregos.

A história da coléra de Aquiles, em Tróia, é o tema da Ilíada, a obra mais lida de toda a Antiguidade, que é responsável pela enorme notoriedade do herói grego.

A situação dos gregos não tardou a tornar-se aflitiva. Pátroclo, sem a autorização de Aquiles furta-lhe a armadura e vai para o campo de batalha onde acabou por encontrar a morte às mãos de Heitor, marido de Andrómaca, o mais valente dos filhos do rei Príamo (verdadeiro herói da Ilíada, subtendido por Homero).

Enlouquecido de dor pela perda de seu amante-amigo e primo, Aquiles saltou sem armas para o campo de batalha produzindo um bramido demente que o exército troiano achou se tratar de um louco insano. A sua contenda com Agamémnon fora esquecida, pois agora Aquiles só pensava em vingar-se da morte de Pátroclo.

E é Heitor quem Aquiles persegue com seu ódio e é ele quem pretende sacrificar em homenagem a Pátroclo.

Certo dia, ao acaso da guerra, Aquiles encontra-se com Heitor no campo de batalha derrotando-o num combate extenso e singular, matando-o somente após uma topada numa pedra a luz de um Sol escaldante (topada a qual desorientou todos os sentidos do guerreiro troiano). Depois, desrespeitando a ética dos rituais fúnebres dos vencidos em combate, prendeu o cadáver ao seu carro e deu a vergonhosa volta às muralhas de Tróia, onde só largou o corpo ensanguentado e desfeito do honrado Heitor quando o já velho rei Príamo lhe veio suplicar indulgência.

A tradição pós-homérica acrescentou, ainda, outros feitos atribuídos a Aquiles. Entre estas, pode-se destacar a sua luta contra a rainha das amazonas, Pentesileia, que veio com as suas tropas em socorro dos troianos e perdeu a vida às suas mãos. No último momento, quando Aquiles viu o rosto da sua vítima inflamado por uma súbita e impossível paixão, chorou sobre o seu corpo.

Relata-se, igualmente, o seu encontro com Mérnnon, filho da Aurora, que terminou com a morte do troiano, e foi uma fonte inesgotável de lágrimas para sua mãe.

Teseu

O lendário herói grego Teseu derrotou o Minotauro, monstro que habitava o célebre labirinto mantido pelo rei Minos, na ilha de Creta.

Teseu era filho de Egeu, rei de Atenas, e Etra, filha do sábio Piteu, rei de Trezena, na Argólida, onde nasceu.

Egeu, antes de retornar a seu reino, escondera sua espada sob uma pesada rocha e recomendara a Teseu que só a procurasse quando fosse bastante forte para levantá-la. Com 16 anos, Teseu pôde realizar a façanha e foi ao encontro do pai.

Decidido a livrar Atenas do pesado tributo devido a Creta, de sete moças e sete rapazes que eram devorados pelo Minotauro todos os anos, o herói seguiu para essa cidade como se fosse um dos jovens sacrificados. Antes de penetrar no labirinto do Minotauro, recebeu de Ariadne, filha de Minos, rei de Creta, um novelo de lã para marcar o caminho de volta.

Assim, conseguiu matar o monstro e se salvar com os companheiros. Por descuido, o barco de Teseu retornou a Atenas com as velas pretas que indicavam luto.

Desesperado, Egeu se jogou no mar.

O herói assumiu então o governo: uniu os povos da Ática, com capital em Atenas, adotou o uso da moeda, criou o Senado, promulgou leis e instaurou a base da democracia.

Cumpridas essas tarefas, Teseu retomou à vida de aventuras. Depois de lutar contra as amazonas, uniu-se à rainha delas, Antíope.

Por motivos políticos, casou-se com Fedra, que depois apaixonou-se por Hipólito, filho de Teseu com Antíope. Ao lado do amigo Pirítoo, raptou Helena de Esparta, mais tarde resgatada por seus irmãos Castor e Pólux, e desceu aos infernos para tentar raptar também Perséfone, esposa de Plutão, mas este os manteve presos em suas cadeiras durante um banquete.

Anos depois, Teseu foi salvo por Hércules. Ao voltar a Atenas, Teseu encontrou-a dilacerada por lutas internas, pois os cidadãos o julgavam morto. Triste, desistiu do poder, mandou os filhos para a Eubéia e, amaldiçoando a cidade, exilou-se na ilha de Ciros, onde foi morto por seu primo Licomedes.

Fonte: http://www.nomismatike.hpg.ig.com.br

Chama-se Teseu o moço forte que acaba de dizer essas palavras resolutas a Egeu, o velho rei de Atenas.

O rei está triste. E com razão. Chegou o momento em que, como todos os anos, deve enviar a Creta sete rapazes e sete moças para servirem de comida ao Minotauro. Alguns anos atrás, Minos, rei dos cretenses, venceu uma guerra contra Atenas, e desde então, todo ano, catorze adolescentes atenienses partem para Creta num navio de vela negra, que sempre volta vazio. O Minotauro, monstro com cabeça de touro e corpo de homem, devora-os em seu covil, o Labirinto.

Cansado dessas mortes inúteis, Teseu resolve tomar o lugar de uma das vítimas e, se puder, matar a terrível criatura.

Egeu acaba cedendo:

– Então, vá. Mas, se você voltar são e salvo, troque a vela negra do navio por uma branca. Assim, vendo o barco, eu já de longe fico sabendo que você está vivo.

Teseu promete obedecer ao pai e embarca para Creta.

Minos, em seu suntuoso palácio de Cnossos, recebe com amabilidade os catorze atenienses. Mas. comunica que no dia seguinte entrarão no Labirinto, no centro do qual vive Astérion, o Minotauro.

Durante toda a noite, Teseu esforça-se para tranqüilizar seus companheiros. De repente, anunciam ao jovem príncipe ateniense que alguém quer falar com ele.

Muito surpreso, Teseu vê entrar uma bela moça, que ele já viu ao lado do trono de Minos.

Ela lhe diz:

– Jovem estrangeiro, eu me chamo Ariadne e sou a filha do rei Minos. Quando vi seu ar decidido, compreendi que você veio para matar o Minotauro. Mas será que já pensou numa coisa? Mesmo que mate o monstro, nunca vai conseguir sair do Labirinto…

Teseu fica confuso, pois Ariadne tem razão. Ele não pensou nesse problema!

Percebendo o constrangimento do rapaz, ela acrescenta:

– Desde que o vi, fiquei interessada por você. Estou disposta a ajudá-lo se, depois, você se casar comigo e me levar para Atenas.

Assim fica combinado.

No dia seguinte, na entrada do Labirinto, Ariadne dá ao herói um novelo de um fio mágico, que lhe permite não só procurar o Minotauro mas também encontrar a saída.

Teseu encoraja os trêmulos companheiros, e todos penetram naquele lugar sinistro. O príncipe vai na frente, desenrolando com uma mão o fio, cuja extremidade fixou na soleira da porta de entrada. Dali a pouco, o grupo de jovens, confundido por corredores sempre idênticos, está completamente perdido no Labirinto.

Teseu, cauteloso, pára e vigia os mínimos esconderijos, sempre com a mão no punho da espada que Ariadne lhe deu.

Acordando de repente, o Minotauro salta mugindo sobre o rapaz. Mas o herói está alerta e, sem medo nem hesitação, abate de um só golpe o monstro.

Graças ao fio, que volta a enrolar no novelo, Teseu e seus companheiros saem do Labirinto. Ariadne joga-se nos braços do herói e abraça-o com paixão.

Depois, ela conduz os atenienses ao porto. Antes de subir a bordo de seu navio, Teseu tem o cuidado de fazer furos nos cascos dos barcos cretenses mais próximos. Em seguida, embarca com Ariadne e seus amigos.

Quando fica sabendo do que aconteceu, o rei Minos enfurece-se e ordena à frota que impeça a fuga. Os navios que ainda estão em condições de navegar tentam bloquear o barco grego, e começa uma batalha naval. Mas, com o cair da noite, Teseu aproveita-se da escuridão e consegue escapar esgueirando-se entre as naus inimigas.

Alguns dias depois, o navio chega à ilha de Naxo.

Teseu resolve fazer uma escala para reabastecimento.

Vaidoso com a vitória, só tem um pensamento na cabeça: a glória que encontrará em Atenas.

Imaginando sua volta triunfal, os gritos de alegria e de reconhecimento da multidão que virá aclamá-lo, apressa-se em partir. Dá ordem de levantar âncora, esquecendo Ariadne, que fica adormecida na praia.

Quando desperta, a princesa vê o navio já ao longe, quase desaparecendo no horizonte. Só lhe resta lamentar sua triste sina. Mas felizmente o deus Dioniso passa por ali e sabe consolá-la muito bem.

Enquanto isso, Teseu aproxima-se de Atenas. Está tão entretido com seus sonhos de glória que também esquece de, conforme prometeu ao pai, trocar a vela negra por uma branca.

Desde a partida do filho, o velho Egeu não teve um único momento de repouso. Todos os dias, subia à Acrópole e ficava olhando as ondas, esperando avistar o navio com a vela branca. Pobre Egeu! Quando o barco enfim aparece, está com a vela preta.

Certo de que Teseu está morto, o rei desespera-se e quer morrer também. Joga-se ao mar e afoga-se. Por isso, desde esse tempo o grande mar que banha a Grécia chama-se mar Egeu.

Sem saber do suicídio do pai, Teseu desembarca, radiante de felicidade. Sua alma entristece-se quando fica sabendo da trágica notícia. Culpando-se amargamente por sua irresponsabilidade, começa a chorar. Apesar da triunfal acolhida que Atenas lhe dá, ele fica de luto.

Depois, porém, compreende que não deve lamentar seu ato de heroísmo. Já que subiu ao trono, só lhe resta ser um bom soberano. É o que tenta fazer, sempre reinando com grande respeito pelas leis e garantindo o bem-estar de seu povo. Sob seu sábio governo, a Grécia conhece a paz. E Atenas, a prosperidade.

Fonte: http://www.geocities.com

Quanto à genalogia do herói ateniense observa-se em suas veias o sangue divino de três deuses: descende longinquamente de Zeus, está “bem mais próximo” de Hefesto e é filho de Posídon.

Herói essencialmente de Atenas, Teseu é o Héracles da Ática. Tendo vivido, consoante os mitógrafos, uma geração antes da Guerra de Tróia, dois de seus filhos, Demofoonte e Ácamas, participaram da mesma.

Bem mais jovem que o filho de Alcmena, foi-lhe, no entanto, associado em duas grandes expedições coletivas: a busca do Velocino de Ouro e a guerra contra as Amazonas.

Nascimento

Como todo herói, “o filho de Posídon” teve uma origem deveras complicada. Segundo o mito, Egeu, rei de Atenas, não conseguindo ter um filho com várias esposas sucessivas, dirigiu-se a Delfos para consultar Apolo. A Pítia respondeu-lhe com um oráculo tipicamente ‘Lóxias’, proibindo-lhe “desatar a boca do odre antes de chegar a Atenas”. Não tendo conseguido decifrar o enigma, Egeu decidiu passar por Trezena, cidade da Argólida, onde reinava o sábio Piteu. Foi no decorrer do percurso Delfos-trezena que o rei de Atenas aportou em Corinto, exatamente no momento em que Medéia, no relato de Eurípedes, Medéia, já decidida a matar Creonte, a princesa Creúsa e os próprios filhos, mas sem saber para onde fugir, resolveu tomar a decisão tremenda. É que tendo recebido do rei de Atenas a promessa de asilo, em troca de “fazê-lo gerar uma descendência, por meio de determinados filtros”, a desventurada esposa de Jasão encontrou, afinal, a saída tão ansiosamente esperada.

Eis suas palavras de júbilo, após o juramento do soberano da cidade de Palas Atena:

Oh Zeus, ó Justiça de Zeus, ó luz de Hélio! Agora, amigas, bela vitória teremos sobre meus inimigos, e já estamos a caminho.

Agora tenho esperança de que meus adversários serão castigados: este homem surgiu quando estávamos a ponto de naufragar, como porto seguro de minhas resoluções, porto em que ataremos as cordas da popa, quando chegarmos à cidade e à acrópole de Palas.

Egeu haveria de lamentar, um pouco mais tarde, como se verá, o asilo inviolável prometido à mágica da Cólquida.

De Corinto o rei de Atenas navegou diretamente para Trezena. Piteu, após ouvir a recomendação da Pítia, compreendeu-lhe, de imediato, a mensagem. Embriagou o hóspede e, mandando levá-lo para o leito, pôs junto dele sua filha Etra.

Acontece, todavia, que na mesma noite em que passara ao lado do rei de Atenas, a princesa tivera um sonho: aparecera-lhe Atena, ordenando-lhe que fosse a uma ilha bem próxima do palácio real, a fim de oferecer-lhe um sacrifício. Ali lhe surgiu pela frente o deus Posídon, que fez dela sua mulher. Foi desse encontro, nas horas caladas da noite, que Etra ficou grávida de Teseu, que o rei de Atenas sempre pensou tratar-se de um filho seu.

Temendo seus sobrinhos, os palântidas, que lhe disputavam a sucessão, o rei, após o nascimento de Teseu, se preparou para retornar a Atenas, deixando o filho aos cuidados do avô, o sábrio Piteu e a um grande pedagogo, Cônidas, ao qual os atenienses, à época histórica, sacrificavam um carneiro, às vésperas das (Theseîa), festas solenes em honra de Teseu. Antes de partir, entretanto, escondeu ritualmente, sob enorme rochedo, sua espada e sandálias, recomendando a Etra que, tão logo o menino alcançasse a adolescência, se fosse suficientemente forte para erguer a rocha, retirasse os objetos escondidos e o procurasse em Atenas.

P. Diel oferece, ao nosso ver, magnífica interpretação dessa primeira prova iniciática a que será submetido o furuto soberano da Ática.

Depois de ponderar que, como filho de Posídon, no plano mítico, Teseu percorria o roteiro trágico de todo herói, afirma o mestre francês:

“Teseu não seria, por conseguinte, um herói, se porventura sucumbisse sem lutar, se não tivesse uma firme disposição espiritual, se o espírito, sob forma positiva, não fosse igualmente seu pai mítico. Lega a seu filho as insígnias da sublimidade e da espiritualidade. Obrigado a retornar a Atenas, esconde sob um rochedo sua espada (a arma do herói, combatente espiritual) e suas sandálias (cuja função, na marcha através da vida, é “armar”, proteger o pé, símbolo da alma).

Atingida a adolescência, Teseu se mostrou capaz de seguir o apelo do espírito. O entusiasmo da juventude lhe assegurou força suficiente para erguer a rocha, configuração do peso esmagador da terra (desejo telúrico). Empunhou a espada, calçou as sandálias e foi ao encontro do pai, seu “pai corporal” e igualmente seu pai mítico. O herói partiu em busca do espírito”.

Na realidade, tãologo atingiu a adolescência, após oferecer, segundo o costume, parte de seu cabelo a Apolo, em Delfos, o jovem foi informado por Etra do segredo de seu nascimento e do esconderijo das sandálias e da espada paterna. Sem dificuldade alguma, como Artur ou Sigmund, que arrancavam sua Nothung, a (espada) “necessária”, de uma pedra ou de uma árvore, o herói ateniense ergueu a rocha e retirou os objetos “necessários” para as provas que iriam começar.

Aconselhado pela mãe e pelo avô a dirigir-se a Atenas por mar, Teseu preferiu a rota terrestre, ao longo do Istmo de Corinto, infestado de bandidos, uma vez que, com o exílio de Héracles na Lídia, junto a Ônfale, salteadores e facínoras até então camuflados, haviam retomado suas atividades. Competia, pois, ao herói ático reiniciar a luta para “libertar-se” e libertar a Grécia de tantos monstros.

A Caminho de Atenas

O primeiro grande encontro foi com Perifetes, um malfeitor cruel, filho de Hefesto e Anticléia. Coxo, apoiava-se numa muleta ou clava de bronze com que atacava os peregrinos que se dirigiam a Epidauro.

Teseu o matou e fez da clava uma arma terrível na eliminação de tantos outros bandidos que encontraria pela vida.

Comentando esta primeira vitória do filho de Posídon, Paul Diel faz uma observação deveras interessante: “esta arma simbólica, a maça de Perifetes, está destinada a exercer uma função precisa na história de Teseu. É necessário lembrar que o esmagamento sob o peso da terra, de que a clava é uma forma de expressão, pode significar tanto a ruína devida à perversidade quanto sua punição legal. A maça na mão do criminoso é a configuração da perversidade destruidora; manejada pelo herói, converte-se em símbolo da destruição e da perversidade. De posse da arma do malfeitor, Teseu a usará com mais frequência que a espada recebida de Egeu. A clava de Perifetes, porém, não poderá jamais substituir legitimamente a arma “outorgada pela divindade”. Embora nas mãos de um herói, ela continua a ser uma transformação da brutalidade. A troca de arma é o primeiro sinal de uma transformação secreta que toma corpo na atitude do filho de Etra. A vitória sobre o assassino de Epidauro traduz a advertência ainda latente de que a ligação filial com Posídon não tardará a manifestar-se. De outro lado, também Perifetes é filho de Posídon. Teseu vence e mata, por conseguinte, seu irmão mítico e simbólico; triunfa de seu próprio perigo, mas sua vitória permanece incompleta. Apossando-se da arma do assassino, prepara-se para exercer o papel do vencido.

A vitória sobre Pefifetes, como o próprio nome indica, é a peripécia da vida de Teseu: esse triunfo marca o princípio da ruína do herói.

O sengundo encontro vitorioso do filho de Etra foi com o perigoso e cruel gigante Sínis que, com músculos de aço, vergava o tronco de um pinheiro até o solo e obrigava os que lhe caíam nas mãos a mantê-lo neste estado. Vencidos pela retração violenta da árvore, os infelizes eram lançados a grande distância, caindo despedaçãdos. Não raro, Sínis vergava duas árvores de uma só vez e amarrava a cabeça do condenado à copa de uma delas e os pés à outra, fazendo a vítima dilacerar-se.

Submetido à primeira prova, Teseu vergou o pinheiro com tanta força, que lhe quebrou o tronco; e depois subjugou Sínis, amarrou-o e o submeteu à segunda prova, despedaçando-o no ar.

Em honra do arqueador de pinheiros, como lhe chama Aristóteles, que era igualmente filho de Posídon, Teseu teria instituído os Jogos Istmicos, considerados como os agônes fúnebres de Sínis.

Acrescente-se que ssa personagem tinha uma filha, chamada Perigune, que se escondera numa plantação de aspargo, enquanto seu pai lutava com Teseu.

Unindo-se, depois, ao herói ateniense, foi mãe de Melanipo, que, por sua vez, foi pai de Ioxo, cujos descendentes tinham devoção particular pelos aspargos, aos quais, afinal das contas, deviam o fato de “ter nascido”.

Prosseguindo em sua caminhada, o jovem herói enfrentou a monstruosa e antropófaga Porca de Crômion, filha de Tifão e Équidna e que se chamava Féia, nome de uma velha bruxa que a criara e alimentava. O filho de Egeu a eliminou com um golpe de espada.

Consoante Chevalier e Gheerbrant, a Porca é o símbolo da fecundidade e da abundância, rivalizando, sob esse aspecto, com a vaca. Divindade selênica, a Porca é a mãe de todos os astros, que ela devora e devolve alternadamente, se são diurnos ou noturnos, para permitir-lhes viajar pela abóbada celeste. Desse modo, engole as estrelas, ao aproximar-se a aurora e as pare novamente ao crepúsculo, agindo de maneira inversa com seu filho,o sol. Vítima predileta de Deméter, a Porca simboliza o princípio feminino, reduzido à sua única prerrogativa de reprodução.

No caso em pauta, a Porca de Crômion configura o princípio feminino devorador.

Tendo chegado às Rochas Cirônicas, Teseu enfrentou o assassino e perverso Cirão. Filho de Pélops ou Posídon, segundo alguns mitógrafos, instalou-se estrategicamente à beira-mar, nas terras de Mégara, nos denominados Rochedos Cirônicos, por onde passava a estrada, ladeando a costa; obrigava os transeuntes a lavarem-lhe os pés e depois os precipitava no mar, onde eram devorados por monstruosa tartaruga.

Teseu, em vez de lavar-lhe os pés, o enfrentou vitoriosamente e jogou-lhe o cadáver nas ondas, para ser devorado pela tartaruga gigante.

Existe uma variante, segundo a qual Cirão era filho não de Pélops ou Posídon, mas de Caneto e Heníoque, filha de Piteu. Nesse caso, Cirão e Teseu eram primos germanos. Supunha-se por isso mesmo, que, para expiar esse crime, Teseu fundara, não em honra de Sínis, mas em memória do primo, os Jogos Ístmicos.

Para Paul Diel, Cirão é um símbolo muito forte: “Esse gigante monstruoso obrigava os que lhe caíam às mãos, os viajantes (da vida), a lavar-lhe os pés, isto é, forçava-os à servidão humilhante, na qual a banalização mantém os vencidos. O homem, escravo da banalização, é forçado a servir ao corpo, e a exigência de Cirão simboliza esta servidão em seu aspecto mais humilhante. “Lavar os pés” é um símbolo de purificação. Mas esse ato de purificar a alma morta do monstro banal (banalização – morte da alma), em vez de significar uma autopurificação, vale apenas como um trabalho insensato, simples pretexto para eliminação da vítima.

O monstro (a banalização), sentado no topo de um rochedo, enquanto sua infeliz vítima está absorvida na tarefa humilhante, precipita-a no abismo do mar profundo, onde está devorada por gigantesca tartaruga. O rochedo e os abismos marinhos são símbolos já suficientemnte explicados. Quanto à tartaruga, seu traço mais característico é a lentidão de movimentos.

Imaginada como monstruosa e devoradora, retrata o aspecto que é inseparável da agitação banalmente ambiciosa: o amortecimento de qualquer aspiração”.

A quinta e arriscada tarefa de Teseu foi a luta com o sanguinário Damastes ou Polipêmon, apelidado Procrusto, isto é, “aquele que estica”.

O criminoso assassino usava de uma “técnica” singular com suas vítimas: deitava-as em um dos dois leitos de ferro que possuía, cortando os pés dos que ultrapassavam a cama pequena ou distendia violentamente as pernas dos que não preenchiam o comprimento do leito maior. O herói ático deu-lhe combate e o matou, preparando-se par a sexta vitória contra o herói eleusino Cércion, filho de Posídon ou de Hefesto e de uma filha de Anfíction. O gigante de Elêusis obrigava os transeuntes a lutarem com ele e, dotado de força gigantesca, sempre os vencia e matava.

Teseu o enfrentou: levantou-o no ar e, lançando-o violentamente no solo, o esmagou.

Cércion é apenas mais um primo liquidado por Teseu, mas Procrusto merece um ligeiro comentário: reduzindo suas vítimas às dimensões que desejava, o “monstro de Elêusis” simboliza “a banalização, a redução da alma a um acerta medida convencional”. Trata-se, no fundo, como asseveram, com propriedade, Chevalier e Gheerbrant, da perversão do ideal em conformismo. Procrusto configura a tirania ética e intelectual exercida por pessoas que não toleram e nem aceitam as ações e os julgamentos alheios, a não ser para concordar. Temos, assim, nessa personagem sanguinária, a imagem do poder absoluto, quer se trate de um homem, de um partido ou de um regime político.

Vencida a primeira etapa, derrotados os monstros que a ele se opuseram, do Istmo de Corinto a Elêusis, o herói chegou aos arredores de Atenas. Com tanto sangue parental derramado, Teseu dirigiu-se para as margens do rio Cefiso, o pai de Narciso, onde foi purificado pelos Fitálidas, os ilustres descendents de um herói epônimo ateniense, Fítalo. Coberto com uma luxuosa túnica branca e com cabelos cuidadosamente penteados, o herói foi posto em ridículo por alguns pedreiros que trabalhavam no templo de Apolo Delfínio. Sem dizer palavra, Teseu ergueu um carro de bois e atirou-o contra os operários.

Feito isso, penetrou incógnito na sede de seu futuro reino, mas, apesar de não se ter identificado, precedia-o uma grande reputação de destruidor de monstros, pelo que o rei temeu por sua segurança, pois que Atenas vivia dias confusos e difíceis.

Medéia, que se exilara na cidade, com o fito de dar a Egeu uma “bela descendência”, fizera uso de filtros diferentes: casara-se com o rei e propriamente se apossara das rédeas do governo.

Percebendo logo de quem se tratava, a mágica da Cólquida, se dar conhecimento a Egeu de quanto sabia, mas, pelo contrário, procurando alimentar-lhe o medo com uma rede de intrigas em torno do recém-chegado, facilmente o convenceu a eliminar o “perigoso estrangeiro”, durante um banquete que lhe seria oferecido.

Com pleno assentimento do marido, Medéia preparou uma taça de veneno e colocou-a no lugar reservado ao hóspede.

Teseu, que ignorava a perfídia da madrasta, mas querendo dar-se a conhecer de uma vez ao pai, puxou da espada, como se fosse para cortar a carne, e foi, de imediato, reconhecido por Egeu. Este entornou o veneno preparado pela esposa, abraçou o filho diante de todos os convivas e proclamou-o seu sucessor.

Quanto a Medéia, após ser repudiada publicamente, mas uma vez foi execrada e exilada, dessa feita para a Cólquida.

Existe uma variante, certamente devida aos trágicos, no que se refere ao reconhecimento de Teseu pelo pai. Conta-se que, antes de tentar o envenenamento do enteado, Medéia o mandou capturar o touro gigantesco que assoalva a planície de Maratona e que não era outro senão o célebre Touro de Creta, objeto do sétimo trabalho de Héracles.

Apesar da ferocidade do animal, que lançava chamas pelas narinas, o herói o capturou e, trazendo-o peado para Atenas, ofereceu-o em sacrifício a Apolo Delfínio. Ao puxar a espada para cortar os pêlos da fronte do animal, com estipulavam os ritos de consagração, foi reconhecido pelo pai.

O episódio da captura do Touro de Maratona é significativo para Diel: capturando e matando o animal, símbolo da dominação perversa, Teseu dá provas de que pode governar e, por isso mesmo, é convidado a compartilhar do trono com Egeu, “seu pai corporal, símbolo do espírito”.

Foi durante a caçada desse touro que se passou a estória de Hécale. Hécale era uma anciã, que habitava o campo e teve a honra de hospedar o herói na noite que precedeu a caçada ao Touro de Maratona. Havia prometido oferecer um sacrifício a Zeus, se Teseuregressasse vitorioso de tão arrojada empresa. Ao retornar, tendo-a encontrado morta, o filho de Egeu instituiu em sua honra um culto a Zeus Hacalésio.

Se bem que marcado, aliás como todo herói, pela Hýbris e por um índice normal de enfraquecimento, Teseu, com a captura e morte do Touro de Maratona, provará dentro em breve a todos os seus súditos que a força que subsiste nele resulta de sua timé e areté, vale dizer, de sua ascendência divina. Com o espírito bem armado e a alma protegida, o filho de Posídon soube e saberá, graças à inocência de sua juventude, ultrapassar todas as barreiras que ameaçavam barrar-lhe a caminhada para o “trágico e para a glória”. Uma vez reconhecido pelo pai e já compartilhando o poder, teve logo conhecimento da conspiração tramada pelos primos e, de imediato (o herói nasceu para o movimento e para as grandes e perigosas tarefas) se aprestou para a luta. Os Palântidas, que eram cinquenta, inconformados com a impossibilidade de sucederem a Egeu no trono de Atenas, resolveram eliminar Teseu.

Dividiram suas forças, como bons estrategistas, em dois grupos: um atacou a cidade abertamente e o outro se emboscou, procurando surpreender pela retaguarda.

O plano dos conspiradores foi, todavia, revelado por seu próprio arauto, Leos, e Teseu modificou sua tática: massacrou o contingente inimigo emboscado e investiu contra os demais, que se dispersaram e foram mortos. Relata-se que, para expiar o sangue derramado de seus primos, o herói se exilou, passando um ano em Trezena. Esta é a versão seguida por Eurípedes em sua tragédia, belíssima por sinal, Hipólito Porta-Coroa. Mas, como o poeta ateniense acrescenta que Teseu levara em sua companhia a Hipólito, o filho do primeiro matrimônio com Antíope, uma das Amazonas, já falecida, bem como a segunda esposa, Fedra, que se apaixonara pelo enteado, dando origem à tragédia, segue-se qua a “cronologia” foi inteiramente modificada por Eurípedes. Com efeito, colocar a expedição contra as Amazonas antes do massacre dos Palântidas é contrariar toda uma tradição mítica.

O Minotauro

Com a morte de Androgeu, filho de Pasífae e Minos, rei de Creta, morte essa atribuída indiretamente a Egeu, que, invejoso das vitórias doherói cregense nos Jogos que mandara celebrar em Atenas, o enviara para compatar o Touro de Maratona – eclodiu um aguerra sangrenta entre Creta e Atenas. A morte de Androgeu se deveria, narra uma variante, não a Egeu, mas aos próprios atletas atenienses, que, ressentidos com tantas vitórias do filho de Minos, maratam-no. Haveria, por outro lado, um motivo político, pois que Androgeu teria sido assassinado por suas ligações com os Palântidas.

De qualquer forma, Minos, com poderosa esquadra, após apossar-se de Mégara, marchou contra a cidade e Palas Atena. Como a guerra se prolongasse e uma peste (a pedido de Minos a Zeus) assolasse Atenas, o rei de Creta concordou em retirar-se, desde que, anualmente, lhe fossem enviados sete moços e sete moças, que serial lançados no Labirinto, para servirem de pasto ao Minotauro.

Teseu se prontificou a seguir para Creta com as outras treza vítimas, porque, sendo já a terceira vez que se ia pagar o tributo ao rei cretense, os atenienses começavam a irritar-se contra Egeu.

Relata-se ainda que Minos escolhia pessoalmente os quatorze jovens e dentre eles o futuro rei de Atenas, afirmando que, uma vez lançados inermes no Labirinto, se conseguissem matar o Minotauro, poderiam regressar livremente à sua pátria.

O herói da Ática partiu com um basco ateniense, cujo piloto, Nausítoo, era da ilha de Salamina, uma vez que Menestres, neto de Ciro, rei desta ilha, contava-se entre os jovens exigidos por Minos. Entre eles estava também Eribéia ou Peribéia, filha de Alcátoo, rei de Mégara.

Uma variante insiste que Minos viera pessoalmente buscar o tribuo anual e na travessia para Creta se apaixonara por Peribéia, que chamou Teseu em seu auxílio.

Este desafiou o rei de Cnossos,diendo-lhe ser tão nobre quanto ele, embora Minos fosse filho de Zeus. Para provar a areté do príncipe ateniense, o rei de Creta lançou no mar um anel e ordenou ao desafiante fosse buscá-lo.

Teseu mergulhou imediatamente e foi recebido no palácio de Posídon, que lhe devolveu o anel. Mais tarde, Teseu se casou com Peribéia, que se celebrizou muito tempo depois como mulher de Télamon, pai de Ájax, personagem famosa da Ilíada e da tragédia homônima de Sófocles.

À partida, Egeu entregou ao filho dois jogos de vela para o navio, um preto, outro branco, recomendando-lhe que, se porventura regressasse vitorioso, içasse as velas brancas; se o navio voltasse com as pretas, era sinal de que todos haviam perecido.

O construtor do labirinto foi Dédalo; o que significa que Dédalo, atilado e pérfido, teceu a intriga que anulou a sabedoria de Minos. Por um enganoso racioncínio, deu respaldo aos conselhos de Pasífae, conseguindo assim vencer a resistência e as hesitações do rei. Este raciocínio, ilusório mas aparentemente válido, é uma construção complicada, labiríntica. No labirinto do inconsciente a dominação perversa de minos, o Touro de minos, continua a viver. O rei, no entanto, é incessantemente obrigado a opor-se à sua sabedoria, a “nutrir” sua atitude monstruosa com base em motivos falsos e a “alimentar” seu remorso obsedante, seu arrependimento não confessado, por um raciocínio ilusório, o que o torna incapaz de reconhecer seu erro e renunciar às condições infligidas aos atenienses.

As condições tirânicas realmente impostas encontram-se, nesse caso, substituídas pelo tributo simbólico destinado a alimentar o monstro: o sacrifício anual dos jovens inocentes de Atenas.

O ilogismo do mito, os símbolos “Minotauro” e “Labirinto” tornam-se assim reduzidos à verdade psicológica, à realidade, frequente e banal, de uma intriga palaciana. Essa tradução do sentido oculto do nascimento do monstro e da história de sua prisão se patenteia na medida em que se mostra válida para traduzir igualmentet o episódio central do mito, isto é, o combate do herói contra o monstro.

Teseu decide, pois combater o Minotauro, isto é, resolve opor-se à dominação exercida por Minos sobre os atenienses, abolindo a imposição tirânica.

Mas pelo mesmo fato de o Labirinto, em que está escondido o monstro simbólico, ser o inconsciente de Minos, este adquire, de per si, uma significação simbólica: retrata o “homem” mais ou menos secretamente habitado pela tendência perversa da dominação. Até mesmo o rei Minos, até mesmo o homem dotado de sabedoria (da justa medida) pode sucumbir à tentação dominadora. Esta generalização representativa estende-se igualmente ao herói convocado para lutar contra o monstro.

Teseu não se curvará à opressão provinda de outrem, mas enfrentando-a, mesmo vitoriosamente, corre o risco de se tornar prisioneiro da fraqueza banal inerente à natureza humana: a vaidade de acreditar que o descomedimento da justa medida nas relações humanas seria uma prova de força, e assim justificar a tentação de reprimir seus semelhantes com medidas injustas. É pois muitíssimo significativo que o monstro acantonado no Labirinto do inconsciente, sendo irmão mítico de Teseu por descendência de Posídon, constitui o perigo essencial para o herói. Como todo herói que combate um monstro, Teseu, ao se defrontar com o Minotauro, luta contra sua própria flata essencial, contra a tentação perversa que o habita secretamente.

Uma vez em Creta, Teseu e os treza jovens foram, de imediato, encerrados no Labirinto, uma complicada edificação construída por Dédalo, com tantas voltas e ziguezagues, corredores e caminhos retorcidos, que, quem ali penetrasse, jamais encontraria a saída.

O amor, porém, torna todo impossível possível! Ariadne, talvez a mais bela das filhas de Minos, se apaixonara pelo herói ateniense. Para que pudesse, uma vez no intricado covil do Minotauro, encontrar o caminho de volta, dera-lhe um novelo de fios, que ele ia desenrolando, à medida que penetrava no Labirinto. Conta uma variante que o presente salvador da pincesa minóica fora não um novelo, mas uma coroa luminosa, que Dionisio lhe oferecera como presente de núpcias.

Uma terceira variante atesta que a coroa luminosa, que orientou e guiou Teseu nas trevas, lhe havia sido dada por Afrodite, quando o herói desceu ao palácio de Anfitrite para buscar o anel de Minos. Talvez a junção fio e coroa luminosa, “foi condutor de luz”, seja realmente o farol ideal para espancar trevas inferiores!

Ariadne condicionou seu auxílio a Teseu: livre do Labirinto, ele a desposaria e levaria para Atenas.

Derrotado e morto o Minotauro, o herói escapou das trevas com todos os companheiros e, após inutilizar os navios cretenses, para dificultar qualquer perseguição, velejou de retorno à Grécia, levando consigo Ariadne. O navio fez escala na ilha de Naxos. Na manhã seguinte, Ariadne, quando acordou, estava só.

Longe, no horizonte, o navio de velas pretas desaparecia: Teseu a havia abandonado.

Há variantes: uns afirmam que Teseu abandonou a filha de Minos porque amava outra mulher, Egle, filha de Panopleu. Outros acham que o herói foi forçado a deixá-la em Naxos, porque Dionisio se apaixonara por ela ou até mesmo a teria raptado durante a noite; e após desposá-la, a teria levo para o Olimpo. Como prensente de núpcias o deus lhe teria dado um diadema de ouro, cinzelado por Hefesto. Tal diadema foi, mais tarde, transformado em constelação.

Com Dionisio, Ariadne teria tido quatro filhos: Toas, Estáfilo, Enópion e Pepareto.

De Naxos Teseu navegou para a Ilha de Delos, onde fez escala, a fim de consagrar num templo uma estátua de Afrodite, com que Ariadne o havia presenteado.

Ali ele e seus companheiros executaram uma dança circular de evoluções complicadas, representando as sinuosidades do Labirinto. Tal rito subsistiu na ilha de Apolo por muito tempo, ao menos até a época clássica.

Triste com a perda de Ariadne, ou castigado por havê-la abandonado, ao aproximar-se das costas da Ática o herói se esqueceu de trocas as velas negras do seu navio, sinal de luto, pelas brancas, sinal de vitória.

Egeu, que ansiosamente aguardava na praia a chegada do barco, ao ver as velas negras, julgou que o filho houvesse perecido em Creta e lançou-se nas ondas do mar, que recebeu seu nome: “Mar Egeu”.

Relata-se ainda que o rei esperava o filho no alto da Acrópole, exatamente no local onde se ergue o templo da Vitória Áptera. Ao ver de longe o navio com as velas negras, precipitou-se do penhasco e morreu.

Consoante a interpretação simbólica de Diel, “a vitória só poderia ser difinitiva para o herói na medida em que tivesse sobrepujado seu próprio perigo, quer dizer, após a destuição do monstro existente nele próprio.

Diante de tareja tão essencial, Teseu fracassou. Triunfou tão-somente da pervesidae de Minos, atacando apenas o monstro no adversário. Um pormenor do combate simbólico, negligenciado até o momento como de pouca importância, mas capaz de sclarecer toda a situação psicológica e resumir-lhe todas as consequências, é o fato de Teseu haver liquidado o Minotauro com a clava que pertencera ao facínora Perifetes.

Este traço simbólico mosta que o herói, aceitando o auxílio de Ariadne, usa de uma arma pérfida: seu amor pela princesa é somente pretexto e cálculo, comportando-se ele próprio realmente como um facínora. A arma da vitória, a clava de Perifetes, faz prever que seu triunfo sobre o monstro não traduz um ato de coragem e nem trará benefícios. Se o herói, graças ao poder do amor, soube derrotar a Minos, não se aproveitará, todavia, da vitória conseguida por esse poder, uma vez que este não lhe pertence. Longe de ser heróico, o triunfo sobre o Minotauro não passa de uma façanha perversa, uma traição. Explorou o amor de Ariadne para atingir seus objetivos e logo depois a traiu. Ora, o “fio de Ariadne” deveria conduzí-lo não apenas apra fora do dédalo insconsciente de Minos, mas igualmente para fora do labirinto de seu próprio inconsciente.

Teseu se perde e esse extravio há de decidir toda sua história futura”. Seu amor pela irmã de Ariadne, Fedra, lhe trará sérias consequências.

O principe ateniense não deixa Creta como herói, mas como um bandido e traidor. Abandonando Ariadne, apesar da vitória sobre o Touro de Minos, seu Êxito se convert em derrota essencial. Em sua traição a Ariadne se acham conjugados tanto os signos da perversidade dominadora quanto os da perversão sexual. As velas negras, sinal de luto, com que Teseu partiu, tornam-se o símbolo da perversão, insígnia das forças das trevas. O herói navegará de agora em diante sob seu império. Não penetra em Atenas como vencedor e, fato importante, de uma significação mítica profunda, o herói se esquce de içar as velas brancas, que lhe traduziriam a vitória. Egeu, contemplando as velas negras, precipita-se no mar. O rei, enquanto pai corporal, mata-se de desespero, persuadido de que o filho havia corporalmente, perecido.

O rei, pai mítico, lançando-se nas profundezas das águas, simboliza algo de muito sério: o herói será doravante e definitivamente abandonado pelo espírito, que está introjetado nas profundezas marinhas, símbolo do inconsciente. Outro pai mítico, Posídon, passará a comandar o destino do herói.

O Rei de Atenas

Reforma

Após a morte de Egeu, Teseu assumiu o poder na Ática. Realizou o célebre (synoikismós), sinecismo, isto é, reuniu em uma só polis os habitantes até então disseminados pelo campo. Atenas tournou-se a capital do Estado. Mandou construir o Pritaneu e a Bulé, o Senado. Promulgou leis; adotou o uso da moeda; instituiu a grande festa das Panatenéias, símbolo da unidade política da Ática.

Dividiu os cidadãos em três classes: eupátridas, artesãos e camponeses. Instaurou, miticamente, em suas linhas gerais, a democracia. Conquistou a cidade de Mégara e anexou-a ao estado recém-criado; na fronteira entre a Ática e o Peloponeso, mandou erigir marcos para separar o território jônico do dórico; e reorganizou em Corinto os jogos Ístmicos, em honra a seu pai Posídon.

Executadas essas tarefas políticas, o rei de Atenas retomou sua vida “heróica”. Como Etéocles houvesse expulso de Tebas a seu irmão Polinice, este, casando-se com Argia, filha de Adrasto, rei de Argos, conseguiu organizar sob o comando do sogro a célebre expedição dos sete chefes (Adrasto, Anfiarau, Capaneu, Hipómedon, Partenopeu, Tideu e Polinice).

A expedição foi um desastre: somente escapou Adrasto, que se pôs sob a proteção de Teseu. Este, que já havia acolhido como exilado a Édido, como nos mostra Sófocles no Édipo em Colono, marchou contra Tegas e, tomando à força os cadáveres de Seis chefes, deu-lhes condigna sepultura em Elêusis.

Teseu contra as Amazonas

A tradição insiste numa guerra entre os habitantes da Ática e as Amazonas, que lhes teriam invadido o país. As orignes da luta diferem de um mitógrafo para outro. Segundo uns, tendo-se engajado, na expedição de Héracles contra as Amazonas, Teseurecebera, com prêmio de suas proezas, a amazona Antíope, com a qual tivera um filho, Hipólito.

Segundo outros, Teseu viajara sozinho ao país dessas temíveis guerreiras e tendo convidado a bela Antíope para visitar o navio, tão logo a teve a bordo, navegou a toda a vela de volta à pátria. Para vingar o rapto de sua irmã, as Amazonas invadiram a Ática. A batalha decisiva foi travada nos pés da Acrópole e, apesar da vantagem inicial, as guerreiras não resistiram e foram vencidas por Teseu, que acabou perdendo a esposa Antíope. Esta, por amor, lutava ao lado do marido contra as próprias irmãs.

Para comemorar a vitória de seu herói, os atenienses celebravam, na época clássica, as festas denominadas Boedrômias.

Existe ainda outra variante. A invasão de Atenas pelas amazonas não se deveu ao rapto de Antíope, mas ao abandono desta porTeseu, que a repudiara, para se casar com a irmã de Ariadne, Fedra. A própria Antíope comandara a expedição e tentara. à base da força, penetrar na sala do festim, no dia mesmo do novo casamento do rei de Atenas. Como fora repelida e morta, as Amazonas se retiraram da Ática.

Hipólito e Fedra

De qualquer forma, o casamento de Teseu com Fedra, que lhe deu dois filhos, Ácamas e Demofoonte, foi uma fatalidade. Hipólito, filho de Antíope e Teseu, consagrara-se a Ártemis, a deusa virgem, irritando profundamente a Afrodite. Sentido-se desprezada, a deusa do amor fez que Fedra concebesse pelo enteado uma paixão irresistével. Repudiada violentamente por Hipólito e, temendo que este a denunciasse a Teseu, rasgou as próprias vestes e quebrou a porta da câmara nupcial, simulando uma tentativa de violação por parte do enteado. Louco de raiva, mas não querendo matar o próprio filho, o rei apelou para seu pai Posídon, que prometera atender-lhe três pedidos.

O deus, quando Hipólito passava com sua carruagem à beira-mar, tem Trezena, enviou das ondas um monstro, que lhe espantou os cavalos, derrugando o príncipe. Este, ao cair, prendeu os pés nas rédeas e, arrastado na carreira pelos animais, se esfacelou contra os rochedos. Presa de remorsos, fedra se enforcou. Existe uma variante, segundo a qual Asclépio, a pedido de Artemis, ressuscitara Hipólito, que foi transportado para o santuário de “Diana”, em Arícia, na Itália.

Ali, o filho de Teseu fundiu-se com o deus local, Vírbio, conforme se pode ver em Ovídio, Metamorfoses.

Eurípedes compôs duas peças acerca da paixão de Fedra por Hipólito.

Na primeira Hipólito, da qual possuímos apenas cerca de cinquenta versos, a rainha de Atenas, num verdadeiro rito do “motivo putifar”, entrega-se inteira à sua paixão desenfreada, delcarando-a ela própria ao enteado. Repelida por este, caluniou-o peranteTeseu, e só se enforcou após a morte trágica de seu grande amor. Na segunda versão, Hipólito Porta-Coroa, uma das tragédias mais bem elaboradas por Eurípedes, do ponto de vista literário e psicológico, Fedra confidencia à ama sua paixão fatal e esta, sem que a rainha o desejasse, ou lhe pedisse “explicitamente”, narra-a a Hipólito, sob juramento. Envergonhada com a recusa do jovem príncipe e temndo que este tudo revelasse ao pai, enforca-se, mas deixa um bilhete ao marido, em que mentirosamente acusa Hipólito de tentar seduzila.

A imprudente maldição de Teseu provoca a terrível desdita do filho, mas a verdade dos fatos é revedala por Artemis ao infortunado pai.

Com o filho agonizante nos braços, Teseu tem ao menos o consolo do perdão de Hipólito e a promessa de que esta há de receber horas perpétuas em Trenzena.

As jovens, antes do casamento, lhe ofertarão seus cabelos e Hipólito jamais cairá no esquecimento. “De fato, esse grande amor foi muitas vezes invocado, sobretudo na Phaedra de Lúcio Aneu Sêneca e na Phédre de Jean Racine.

Seja como for, o que se evidencia no mito transmutado em tragédia por Eurípedes é a superlativação do “páthos da paixão”.

O Rapto de Helena e Perséfone

Alguns Episódios da maturidade de Teseu estão intimamente ligados à sua grande amizade com o herói lápita Pirítoo. Conta-se que essa fraterna amizade entre o lápita e o ateniense se deveu à emulação de Pirítoo.

Tendo ouvido ruidosos comentários acerca das façanhas de Teseu, o lápita quis pô-lo à prova. No momento, porém de atacá-lo, ficou tão impressionado com o porte majestoso e a figura do herói da Ática, que renunciou à justa e declarou-se seu escravo. Teseu, generosamente, lhe concedeu sua amizade para sempre.

Com a morte de Hipodamia, Pirítoo, passou a compartilhar mais de perto das proezas de Teseu. Duas das aventuras mais sérias dessa dupla famosa no mito foram o rapto de Helena e a catábase ao Hades, no intuito de raptar também Perséfone.

Os dois episódios, aparentemente grotescos, traduzem ritos muito significativos: o rapto de mulheres, sejam elas deusas ou heroínas, fato comum na mitologia, configura, não só um rito iniciático, mas também o importante ritual da vegetação: chegados a seu termo os trabalhos agrícolas, é necessário “transferir a matriz”, a Grande Mãe, para receber a nova porção de “sementes”, que hão de germinar para a colheita seguinte. A catábase ao Hades, simboliza a anagnórisis, o autoconhecimento, a “queima” do que resta do homem velho, para que possa eclodir o homem novo.

Os dois heróis, por serem filhos de dois grandes deuses: Zeus e Posídon, resolveram que só se casariam dali em diante com filhas do pai dos deuses e dos homens e, para tanto, resolveram raptar Helena e Perséfone. A primeira seria a esposa de Teseu e a segunda, de Pirítoo. Tudo começou, portanto, com o rapto de Helena. O herói estava “à época”, com cinquenta anos e Helena nem sequer era núbil. Assustados com a desproporção da idade de ambos, os mitógrafos narraram diversamente esse rapto famoso. Não teriam sido Teseu e Pirítoo os raptores, mas Idas e Linceu, que confiaram Helena a Teseu, ou ainda o próprio pai da jovem espartana, Tíndaro, que, temendo que Helena fosse sequestrada por um dos filhos de Hipocoonte, entregara a filha à proteção do herói ateniense.

A versão mais conhecida é aquela em que se narra a ida dos dois herói a Esparta, quando então se apoderaram à força de helena, que executava uma dança ritual no templo de Artemis Órtia. Os irmãos da menina, Castor e Pólux, saíram-lhes ao encalço, mas detiveram-se em Tegéia. Uma vez em segurança, Teseu e Pirítoo tiraram a sorte para ver quem ficaria com a princesa espartana, comprometendo-se o vencedor a ajudar o outro no rapto de Perséfone. A sorte favoreceu o herói ateniense, mas como Helena fosse ainda impúbere, Teseu a levou secretamente para Afidna, demo da Ática, e colocou-a sob a proteção de sua mãe Etra. Isto feito, desceram ao Hades para conquistar Perséfone.

Durante a prolongada ausência do rei ateniense, Castor e Pólux, à frente de um grande exército, invadiram a Ática. Começaram a reclamar pacificamente a irmã, mas como os atenienses lhe assegurassem que lhe desconheciam o destino, tomaram uma atitude hostil. Foi então que um certo Academo lhes revelou o lugar onde Teseu a retinha prisioneira. Eis o motivo por que, quando das inúmeras invasões da Ática, os espartanos sempre pouparam a Academia, o jardim onde ficava o túmulo de Acadmo. Imediatamente os dois herói de Esparta invadiram Afidna, recuperaram a irmã e levaram Etra como escrava. Antes de abandonar a Ática, colocaram no trono de Atenas um bisneto de Erecteu, chamado Menesteu, que liderava os descontentes, particularmente os nobres irritados com as reformas de seu soberano, sobretudo com a democracia. Muito bem recebidos por Plutão, Teseu e Pirítoo, foram, todavia, vítimas de sua temeridade.

Convidados pelo rei do Hades a participar de um banquete, não mais puderam levantar-se de suas cadeiras. Héracles, quando desceu aos Infernos, tentou libertá-los, mas os deuses somente permitiram que o filho de Alcmena “arrancasse” Teseu de seu assento, para que pudesse retornar à luz. Pirítoo há de permanecer para sempre sentado na Cadeira do Esquecimento. Conta-se que, no esforço feito para se soltar da cadeira, Teseu deixou na mesma uma parcela de seu traseiro, o que explicaria terem o atenienses cadeiras e nádegas tão pouco carnudas e salientes.

Odsson Ferreira

Referência Bibliográfica

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol III. Petrópolis, Vozes, 2004

CHEVALIER J. e GHEERBRANT, A. Op. cit., p. 980

DIEL, Paul. Op. cit., p. 188sqq

DIEL, Paul. Le Symbolisme dans la Mythologie Grecque. Paris, Payot, 1966, p. 182.

Fonte: http://www.mitologiagrega.templodeapolo.net

Perseu: Temeroso de ver cumprida a previsão de um oráculo, segundo a qual sua filha Dânae daria à luz aquele que lhe roubaria o trono e a vida, Acrísio, rei de Argos, enclausurou-a numa torre.

Zeus, sob a forma de uma chuva de ouro, introduziu-se na torre e engravidou Dânae, que gerou Perseu.

Herói da mitologia grega, Perseu era filho de Zeus com a mortal Dânae. Logo após seu nascimento, o avô abandonou-o ao mar numa arca, em companhia da mãe, para que morressem. A correnteza, porém, arrastou a arca até a ilha de Sérifo, reino de Polidectes, que se apaixonou por Dânae.

Mais tarde, com o intuito de afastar Perseu da mãe, Polidectes encarregou Perseu de perigosa missão: trazer a cabeça da Medusa, a única Górgona mortal.

Com a ajuda de Atena, Hades e Hermes, que lhe emprestaram as armas e a armadura, Perseu venceu as Górgonas e, para evitar a visão da Medusa, que petrificava quem a fitasse, decapitou-a enquanto dormia, guiando-se por sua imagem refletida no escudo de Atena. Passou então a carregar sua cabeça como um troféu, com que petrificava inimigos.

Na Etiópia, Cassiopéia, esposa do rei Cefeu e mãe de Andrômeda, proclamara-se mais bela que as próprias ninfas. Posêidon, furioso, castigou-os com uma inundação e com a presença de um monstro marinho.

Um oráculo informou a Cefeu que a única maneira de salvar o reino seria expor Andrômeda ao monstro, o que foi feito. Perseu, em sua viagem de volta a casa, viu a bela princesa e apaixonou-se por ela. Com a cabeça da Medusa, petrificou o monstro e libertou a jovem, com quem se casou.

De volta à Grécia com a esposa, após resgatar sua mãe do castelo de Polidectes, Perseu restabeleceu o avô Acrísio no trono de Argos mas, como predissera o oráculo, terminou por matá-lo, embora acidentalmente.

Ao sair de Argos, fundou Micenas, e tanto a Grécia como o Egito o honraram como herói.

Fonte: http://www.nomismatike.hpg.ig.com.br

O matador da Górgona Medusa. Era filho de Zeus e de Danaê, filha de Acrísios, rei de Argos. Advertido de que seria morto pelo neto, Acrísios trancou a mãe e a criança numa arca, lançando-os ao mar.

Acabaram chegando à ilha de Sérifo, onde foram salvos e onde Perseu cresceu até a idade adulta. Polidectos, rei de Sérifo, apaixonou-se por Danaê e, temendo que Perseu talvez interferisse em seus planos, enviou-o numa missão para obter a cabeça da Medusa, um monstro para o qual quem voltasse o olhar, era transformado em pedra.

Auxiliado por Hermes, mensageiro dos deuses, Perseu abriu caminho por entre as Gréias, três velhas decrépitas que compartilhavam o mesmo olho entre elas e vigiavam a caverna que levava ao local onde estavam as Górgonas.

Perseu tomou-lhes o olho e recusou a devolvê-lo até que elas lhe dessem a direcção para alcançar a Medusa.

Recebeu das ninfas um par de sandálias aladas, um alforje mágico que guardaria qualquer coisa que fosse colocado dentro dele e um capacete que o tornava invisível. Equipado com uma espada de Hermes que nunca podia ser entortada ou quebrada, e um escudo da deusa Atena, que o protegeria de virar pedra. Perseu encontrou a Medusa e a matou.

Com seu capacete que o tornava invisível, ele foi capaz de escapar da ira de suas irmãs e com a cabeça do monstro em seu alforje, ele voou em suas sandálias aladas de volta para casa. Enquanto passava pela Etiópia, ele salvou a princesa Andrómeda que estava prestes a ser sacrificada para um monstro marinho e a tomou como sua esposa.

Em Sérifo ele libertou sua mãe de Polidectos usando a cabeça da Medusa para transformar o rei e seus seguidores em pedra. Então todos retornaram à Grécia, onde Perseu acidentalmente matou seu avô Acrísios com um disco, cumprindo assim a profecia.

De acordo com uma lenda, Perseu foi à Ásia, onde seu filho Perses governou os persas, povo que recebeu seu nome.

Perseu

Danae, filha do rei de Argos, Acrísio, foi trancada por seu pai em uma torre de bronze, porque o oráculo anunciara a este que o seu neto devia um dia usurpar-lhe a coroa e matá-lo; Júpiter mudou-se em uma chuva de ouro, e tendo conseguido introduzir-se na torre, tornou Danae mãe de Perseu. Tendo o rei sabido do nascimento dessa criança, fez expor a mãe e o filho no mar, em uma barca frágil que as ondas felizmente impeliram para as costas da ilha de Serifos.

Um pescador encontrou a barca e os dois desgraçados ainda com vida, e levou-os imediatamente ao Polidetes, que os recebeu bem, e tomou sobre si a educação do jovem prícipe.

Mais tarde Polidetes, apaixonado por Danae e querendo desposá-la, procurou um meio de afastar o filho, já que as leis não permitiam uma mulher com filho desposar outro que não fosse seu pai, e ordenou que fosse combater a Medusa (mulher que ousou se comparar em beleza com Minerva, a deusa ficou tão irritada com essa pretensão que transformou seus lindos cabelos em serpentes e deu a seus olhos o poder de mudar em pedra a tudo que vissem, muitas pessoas na ilha que eles moravam estavam sentindo os efeitos dos seus olhares) e trouxesse a cabeça dela.

Perseu, querendo pagar a bondade de Polidetes, parte nessa missão.

Amado pelos deuses, recebeu para êxito de sua missão a espada e o escudo de Minerva, o capacete da invisibilidade de Plutão e as sandálias com asas de Mercúrio.

Quando chegou ao templo da Medusa, com receio de ser petrificado, colocou diante de si o escudo da deusa, que por ser bem polido, refletia as imagens, e, na mão direita a espada, que com a aproximação do monstro, sem olhar para ela, fez cair sua cabeça, que desde então traz consigo em todas as expedições para petrificar os inimigos. Do sangue que saiu da ferida da Medusa, quando sua cabeça foi cortada, nasceu Pégaso (cavalo alado).

Desde que Pégaso viu a luz, voou para a morada dos imortais, o Olimpo, foi domado por Minerva, a quem desde então obedeceu.

Perseu voltou para a ilha de Serifos e, um dia em que num festim, Polidetes quis ultrajar Danae, Perseu, para defender sua mãe, apresentou ao rei a cabeça da Medusa, que imediatamente o petrificou.

Depois de algum tempo soube que a linda princesa Andrômeda seria sacrificada a um monstro marinho, resolveu salvá-la e pediu a ajuda de Minerva nesta missão.

Perseu montou no Pégaso que a deusa lhe emprestara e, através dos ares, transportou-se até o país da Etiópia.

Na Etiópia vivia uma princesa chamada Andrômeda, filha do rei Cefeu. Juno estava muito enciumada devido a grande beleza da princesa, que era maior que a sua. Netuno para vingar a deusa, instigou um monstro marinho que desolava o país. O oráculo, consultado para saber um meio de acalmar os deuses, respondeu que era preciso expor Andrômeda ao furor do monstro.

A jovem princesa foi amarrada em um rochedo, e o monstro estava prestes a devorá-la, quando Perseu, montado no Pégaso, petrificou e matou o monstro com a cabeça da Medusa. Quebrou as correntes de Andrômeda, entregou-a a seu pai, e tornou-se seu esposo.

A cerimônia de núpcias foi, porém, perturbada pelo ciúme de Fineu, esse príncipe, a quem Andrômeda tinha sido prometida em casamento, reuniu vários homens e entrou com eles na sala do banquete, provocando uma terrível carnificina.

Perseu teria morrido se não tivesse recorrido à cabeça de Medusa, a cuja vista Fineu e seus amigos foram petrificados.

Depois voltou a Argos, na Grécia com a jovem princesa. Se bem que tivesse motivos de sobras contra seu avô Acrísio, restabeleceu-o no trono, donde Proeto o expulsara e matou o usurpador.

Pouco tempo depois, porém, matou Acrísio com um disco, nos jogos que se celebravam, e assim cumpriu-se a profecia. Causo-lhe este acidente tão viva dor, que depois de um tempo, deixou Argos e fundou a cidade de Micenas.

Retirando-se para Micenas, cedeu generosamente o trono de Argos a Megapento, filho de Proeto, esperava assim fazer as pazes com ele.

Mas o príncipe preparou-lhe uma armadilha, e fê-lo morrer para vingar a morte de seu pai, que havia sido morto por ele. Esse herói foi colocado no céu, em forma de constelação, por seu pai Júpiter, junto com sua esposa, Andrômeda.

As Aventuras de Perseu

Acrísio, rei de Argos, só tinha uma filha, chamada Dânae.

Ele queria um filho, e perguntou ao oráculo o que o futuro lhe reservava. o oráculo respondeu: “Você não terá um filho homem e seu neto o matará”. O rei, aterrorizado, prendeu sua filha em uma torre altas, atrás de portas de bronze. Mas Zeus veio até ela em uma chuva de ouro e, no tempo certo, ela deu a luz à um filho, Perseu.

Temendo a ira de Zeus caso matasse sua filha e seu neto, Acrísio lançou Dânae e Perseu no mar, numa arca de madeira. Dânae pediu ajuda a Zeus e, em vez de ser engolida pelas águas, a arca chegou à ilha de Serifos. Com o tempo, o rei da ilha, Polidectes, acabou encontrando Dânae. Ele a desejou como esposa, mas ela o recusou.

Com Perseu agora já crescido para protegê-la, o rei sabia que não conseguiria fazê-la aceitá-lo.

Decidiu, então, se livrar de Perseu. Ofereceu um banquete para os jovens da aldeia.

Todos os convidados trouxeram presentes, exceto Perseu, que era muito pobre. Envergonhado, ele prometeu ao rei um presente. “Traga-me a cabeça da Górgona Medusa”, pediu Polidectes. Medusa era um monstro terrível, com cobras no cabelo e um olhar que transformava a pessoa em pedra. A tarefa era impossível.

Zeus teve piedade de Perseu e enviou dois imortais, Atena e Hermes para ajudá-lo.

Atena emprestou a Perseu seu escudo, dizendo: “Olhe apenas o reflexo de Atenas no escudo e você não se transformará em pedra”.

Hermes emprestou a Perseu uma foice para cortar a cabeça da Górgona. Também disse a Perseu como encontrar a Ninfa do Vento Norte, que lhe emprestaria sandálias aladas, uma rede para prender a cabeça de Medusa, e buscaria pra ele o Gorro da Invisibilidade de Hades, deus do Mundo dos Mortos. Usando as sandálias e o gorro, Perseu voou sem ser visto até o lugar onde estava Medusa e suas duas irmãs, dormindo ao lado das já carcomidas estátuas de outros heróis transformados em pedra por seu olhar. Olhando apenas para o reflexo da Medusa no seu escudo, Perseu arrancou a foice, cortou a cabeça da Górgona e a jogou na rede. Do corpo dela, saltou o maravilhoso cavalo alado, Pégaso.

Voltando para casa, Perseu viu uma moça amarrada em uma pedra. Seu nome era Andrômeda e ela estava prestes a ser sacrificada a um monstro marinho, para impedir que ele acabasse com o reino de seu pai. Quando a criatura se levantou das profundezas,Perseu puxou a cabeça da Medusa e transformou o monstro em pedra. Perseu e Andrômeda, que haviam se apaixonado à primeira vista, logo se casaram.

Quando Perseu retornou a Serifos, Polidectes transformara Dânae em escrava. O rei ficou surpreso ao ver Perseu vivo e não acreditou que ele tivesse matado a Medusa.

Perseu lhe mostrou a cabeça da Górgona e ele se transformou em estátua ali mesmo.

E a profecia do oráculo se concretizou, pois Perseu, no final, acabou matando seu avô. Um dia ele estava atirando discos, quando, pela vontade dos deuses, um disco atingiu Acrísio.

O cavalo alado Pégaso se tornou a montaria de outro herói, Belerofonte que o cavalgou quando foi matar a Quimera, monstro com cabeça de leão que expelia fogo, e tinha corpo de bode e rabo de serpente. Belerofonte matou-a, atirando uma lança em sua garganta. A lança tinha um pedaço de chumbo na ponta que derreteu com o fogo da respiração de Quimera, queimando-a por dentro.

Belerofonte era um homem tão grande que acabou se achando igual aos deuses. Ele foi com Pégaso ao Olimpo. mas Zeus mandou uma vespa ferroar Pégaso que corcoveou, atirando Belerofonte na terra, onde ele terminou seus dias como mendigo. Quanto a Pégaso, Zeus começou a usá-lo para carregar seus raios.

Fonte: http://www.geocities.com

Hércules

A figura de Hércules, aclamado como herói e depois adorado como deus, talvez corresponda originalmente a uma figura histórica, cuja bravura militar ensejou a lenda homérica de que venceu a morte.

Filho de Zeus, senhor dos deuses, e de Alcmena, mulher de Anfitrião, Hércules (Heracles para os gregos) foi concebido para tornar-se grande herói.

Um engenhoso estratagema de Zeus gerou a oportunidade: visitou Alcmena caracterizado como Anfitrião, enquanto este combatia Ptérela, rei de Tafos, para vingar afronta à família da esposa.

Hera, esposa de Zeus, enciumada com o nascimento de Hércules, pois desejava elevar o primo Euristeu ao trono da Grécia, enviou duas serpentes para matá-lo no berço, mas o herói, com sua força prodigiosa, destruiu-as.

Casado com Mégara, uma das princesas reais, Hércules matou-a, e aos três filhos, num acesso de fúria provocado por Hera.

Para expiar o crime, ofereceu seus serviços a Euristeu, que o incumbiu das tarefas extremamente arriscadas conhecidas como

Os 12 Trabalhos de Hércules:

(1) estrangulou um leão, de pele invulnerável, que aterrorizava o vale de Neméia;

(2) matou a hidra de Lerna, monstro de muitas cabeças;

(3) capturou viva a corça de Cerinéia, de chifres de ouro e pés de bronze;

(4) capturou vivo o javali de Erimanto;

(5) limpou os estábulos de três mil bois do rei Augias, da Élida, não cuidados durante trinta anos;

(6) matou com flechas envenenadas as aves antropófagas dos pântanos da Estinfália;

(7) capturou vivo o touro de Creta, que lançava chamas pelas narinas;

(8) capturou as éguas antropófagas de Diomedes;

(9) levou para Edmeta, filha de Euristeu, o cinturão de Hipólita, rainha das guerreiras amazonas;

(10) levou para o rei de Micenas o imenso rebanho de bois vermelhos de Gerião;

(11) recuperou as três maçãs de ouro do jardim das Hespérides, por intermédio de Atlas, que sustentava o céu sobre os ombros e executou por ele esse trabalho, enquanto Hércules o substituía;

(12) apoderou-se do cão Cérbero, guardião das portas do inferno, de três cabeças, cauda de dragão e pescoço de serpente.

Hércules realizou outros atos de bravura e participou da viagem dos argonautas em busca do velocino de ouro.

No fim, casou-se com Dejanira, que involuntariamente lhe causou a morte, ao oferecer-lhe um manto impregnado de sangue mortal, que ela acreditava ser o filtro do amor.

O corpo de Hércules foi transportado ao Olimpo, onde se reconciliou com Hera e casou-se com Hebe, deusa da juventude.

Fonte: http://www.nomismatike.hpg.ig.com.br

Os Trabalhos de Hércules

Hércules (ou Héracles), o maior de todos os heróis gregos, era filho de Zeus e Alcmena. Alcmena era a virtuosa esposa de Anfitrião e, para seduzi-la, Zeus assumiu a forma de Anfitrião enquanto este estava ausente de casa. Quando seu marido retornou e descobriu o que tinha acontecido, ficou tão irado que construiu uma grande pira e teria queimado Alcmena viva, se Zeus não tivesse mandado nuvens para apagar o fogo, forçando assim Anfitrião a aceitar a situação.

Nascido, o jovem Hércules rapidamente revelou seu potencial heróico.

Enquanto ainda no berço, ele estrangulou duas serpentes que a ciumenta Hera, esposa de Zeus, tinha mandado para atacá-lo ao seu meio-irmão Íflico; enquanto ainda um menino, ele matou um leão selvagem no Monte Citéron.

Na vida adulta, as aventuras de Hércules foram maiores e mais espetaculares do que as de qualquer outro herói. Por toda a antigüidade ele foi muito popular, o assunto de numerosas estórias e incontáveis obras de arte. Apesar das mais coerentes fontes literárias sobre suas façanhas datarem apenas do século III a.C., citações espalhadas por vários locais e a evidência de fontes artísticas deixam muito claro o fato que a maioria, se não todas, de suas aventuras era bem conhecida em tempos mais antigos.

Hércules realizou seus famosos doze trabalhos sob o comando de Euristeu, Rei de Argos de Micenas.

Existem várias explicações da razão pela qual Hércules se sentiu obrigado a realizar os pedidos cansativos e aparentemente impossíveis de Euristeu. Uma fonte sugere que os trabalhos eram uma penitência imposta ao herói pelo Oráculo de Delfos quando, num acesso de loucura, matou todos os filhos de seu primeiro casamento.

Enquanto os seis primeiros trabalhos se passam no Peloponeso, os últimos levaram Hércules a vários lugares na orla do mundo grego e além.

Durante os trabalhos, Hércules foi perseguido pelo ódio da deusa Hera, que tinha ciúmes dos filhos de Zeus com outras mulheres.

A deusa Atena, por outro lado, era uma defensora entusiasta de Hércules; ele também desfrutou da companhia e ajuda ocasional de seu sobrinho, Iolau.

O primeiro trabalho de Hércules era matar o leão de Neméia.

Como esta enorme fera era invulnerável a qualquer arma, Hércules lutou com ele e acabou estrangulando-o apenas com suas mãos. A seguir, ele removeu a pele utilizando uma de suas garras, e passou a utilizá-la como uma capa, com as patas amarradas ao redor de seu pescoço, as presas surgindo sobre sua cabeça, e a cauda balançando em suas costas.

O segundo trabalho exigiu a destruição da Hidra de Lerna, uma cobra aquática com várias cabeças, que estava flagelando os pântanos perto de Lerna. Sempre que Hércules decepava uma cabeça, duas cresciam em seu lugar, e, como se isso não fosse um problema suficiente, Hera enviou um caranguejo gigante para morder o pé de Hércules.

Este truque desleal foi demais para o herói, que decidiu pedir ajuda a Iolau; enquanto Hércules cortava as cabeças, Iolau cauterizava os locais com uma tocha flamejante, de modo que novas cabeças não pudessem crescer, e finalmente dando cabo do monstro.

A seguir, Hércules embebeu a ponta de suas flechas no sangue ou veneno da Hidra, tornando-as venenosas.

No Monte Erimanto, um feroz javali estava se portando violentamente e causando prejuízos. Euristeu rispidamente ordenou aHércules que trouxesse este animal vivo à sua presença, mas as antigas ilustrações deste episódio, as quais mostram principalmente Euristeu acovardado refugiando-se num grande jarro, sugerem que ele veio a se arrepender desta ordem.

Hércules levou um ano para realizar o trabalho a seguir, que era capturar a Corça do Monte Carineu. Este animal parecia ser mais tímido do que perigoso. Este animal era sagrado para a deusa Ártemis e, apesar de ser fêmea, possuía lindas aspas.

De acordo com a lenda, Hércules finalmente aprisionou a Corça e a estava levando para Euristeu, encontrou-se com Ártemis, que estava muito zangada e ameaçou matar Hércules pelo atrevimento em capturar seu animal; mas quando ficou sabendo sobre os trabalhos, ela concordou em deixar Hércules levar o animal, com a condição que Euristeu o libertasse logo que o tivesse visto.

Os Pássaros Estinfalos eram tão numerosos que estavam destruindo todas as plantações nas vizinhanças do Lago Estinfalo em Arcádia; várias fontes dizem que eles eram comedores de homens, ou pelo menos podiam atirar suas penas como se fossem flechas.

Não está muito claro como Hércules enfrentou este desafio: uma pintura de um vaso mostra Hércules atacando-os com um tipo de estilingue, mas outras fontes sugerem que ele os abateu com arco e flecha, ou os espantou para longe utilizando um címbalo de bronze feito especialmente para a tarefa pelo deus Hefesto.

O último dos seis trabalhos do Peloponeso foi a limpeza dos currais Augianos. O Rei Áugias de Élida possuía grandes rebanhos de gado, cujos currais nunca tinham sido limpos, assim o estrume tinha vários metros de profundidade. Euristeu deve Ter pensado que a tarefa de limpar os estábulos num único dia seria impossível, mas Hércules uma vez mais conseguiu resolver a situação, desviando o curso de um rio e as águas fizeram todo o trabalho por ele.

Euristeu pede agora que Hércules capture o selvagem e fez touro de Creta, o primeiro trabalho fora de Peloponeso.

Assim que Euristeu viu o animal, Hércules o soltou, este sobrevivendo até ser morto por Teseu em Maratona.

A seguir, Euristeu enviou Hércules à Trácia para trazer os cavalos devoradores de homens de Diomedes.

Hércules amansou estes animais alimentando-os com seu brutal senhor, e os trouxe de maneira segura a Euristeu. A seguir, ele foi imediatamente mandado, desta vez para as margens do Mar Negro, para buscar a cinta da rainha das Amazonas.

Hércules levou um exército junto consigo nesta ocasião, mas nunca precisaria dele se Hera não tivesse criado problemas.

Quando chegou à cidade das Amazonas de Temisquira, a rainha das Amazonas estava até feliz que ele levasse sua cinta; Hera, sentindo que estava sendo fácil demais, espalhou um boato que Hércules pretendia levar a própria rainha, iniciando-se uma sangrenta batalha.

Hércules, é claro, conseguiu escapar com a cinta, mas após apenas duros combates e muitas mortes.

Para realizar seus três últimos trabalhos, Hércules foi completamente fora das fronteiras do mundo grego. Primeiro foi mandado além da borda do Oceano para a distante Eritéia no extremo ocidente, para buscar o Rebanho de Gérião.

Gérião era um formidável desafio; não apenas tinha um corpo triplo, mas para ajudá-lo a tomar conta de seu maravilhoso rebanho vermelho também utilizava um feroz pastor chamado Euritão e um cachorro de duas cabeças e rabo de serpente chamado Orto. Orto era o irmão de Cérbero, o cão que guardava a entrada do Mundo Inferior, e o encontro de Hércules com Gérião é algumas vezes interpretado como seu primeiro encontro com a morte.

Apesar de Hércules Ter se livrado de Euritão e Orto sem muito dificuldade, Gérião, com seus três corpos pesadamente armados, provou ser um adversário mais formidável, e apenas após uma terrível luta Hércules conseguiu matá-lo.

Quando retornou à Grécia, Euristeu enviou para uma jornada ainda mais desesperadora, descer ao Mundo Inferior e trazer Cérbero, o próprio cão do Inferno.

Guiado pelo deus mensageiro Hermes, Hércules desceu ao lúgubre reino dos mortos, e com o consentimento de Hades e Perséfone tomou emprestado o monstro assustador e de três cabeças para mostrá-lo ao aterrorizado Euristeu; isto feito, devolveu o cachorro a seus donos de direito.

Mesmo assim, Euristeu solicitou um último trabalho: que Hércules lhe trouxesse os Pomos do Ouro de Hespérides. Estes pomos, a fonte da eterna juventude dos deuses, cresciam em um jardim nos confins da terra; foram um presente de casamento de Géia, a Terra, a Zeus e Hera. A árvore que dava as frutas douradas era cuidada pelas ninfas chamadas Hespérides e guardada por uma serpente. Os relatos variam sobre como Hércules resolveu este trabalho final.

As fontes que localizam o jardim abaixo das montanhas Atlas, onde o poderoso Atlas sustenta os céus em suas costas, dizem queHércules convenceu Atlas a pegar as maças por ele; enquanto fazia esta jornada Hércules sustentou, ele mesmo, o céu; quando Atlas retornou, Hércules teve algumas dificuldades em persuadi-lo a reassumir o seu fardo.

Outra versão da estória sugere que o próprio Hércules foi ao jardim lutando e matando a serpente ou conseguindo convencer as Hespérides a lhe entregar as maças. As maças de Hespérides simbolizavam a imortalidade, e este trabalho final significaria queHércules deveria ascender ao Olimpo, tomando seu lugar entre os deuses.

Além dos doze trabalhos, muitos outros feitos heróicos e aventuras foram atribuídos a Hércules. Na sua busca do jardim das Hespérides, teve que lutar com o deus marinho Nereu para compelir o deus a dar-lhe as informações que necessitava; em outra ocasião enfrentou outra deidade marinha, Tritão.

Tradicionalmente foi na Líbia que Hércules encontrou o gigante Anteu: Anteu era filho de Géia, a Terra, e ele era invulnerável enquanto mantivesse contato físico com sua mãe.

Hércules lutou com ele e ergueu-o do solo; desprovido da ajuda de sua mãe, ficou indefeso nos braços poderosos do herói.

No Egito Hércules escapou por pouco de ser sacrificado pelas mãos do Rei Busíris. Um advinho tinha dito a Busíris que o sacrifício de estrangeiros era um método infalível de se lidar com as secas. Como o advinho era Cipriota, tornou-se a primeira vítima de seu próprio conselho; quando o método se mostrou efetivo, Busíris ordenou que todo o estrangeiro temerário o suficiente a entrar em seu reino seria sacrificado.

Na vez de Hércules, deixou-se ser aprisionado e levado ao local do sacrifício antes de se voltar contra seus agressores e matar uma grande quantidade deles.

Hércules não raramente se envolvia em conflito com os deuses. Em uma ocasião, quando não recebeu uma resposta que estava esperando da sacerdotisa do Oráculo de Delfos, tentou fugir com o trípode sagrado, dizendo que iria criar um oráculo melhor por sua própria conta. Quando Apolo tentou detê-lo, ocorreu uma violenta discussão, que foi resolvida apenas quando Zeus arremessou um relâmpago entre eles.

Hércules era muito leal aos seus amigos; mais do que uma vez ele arriscou sua vida para ajudá-los, sendo o caso mais espetacular o de Alceste. Admeto, Rei de Feres na Tessália, tinha feito um acordo com Apolo que, quando chegasse a hora de sua morte, poderia continuar a viver se encontrasse alguém que quisesse morrer em seu lugar. Entretanto, quando Admeto estava se aproximando da hora da sua morte, mostrou-se ser mais difícil do que tinha calculado arranjar um substituto; após seus parentes mais velhos terem egoisticamente se recusado ao sacrifício, sua esposa Alceste insistiu para que fosse a sacrificada.

Quando Hércules chegou, ela já tinha descido ao Mundo Inferior, indo ele imediatamente atrás dela. Então lutou com a morte e venceu, trazendo-a de volta em triunfo ao mundo dos vivos.

Hércules era o super-homem grego, sendo muitas das estórias de seus feitos interessantes contos de realizações sobre-humanas e monstros fabulosos.

Ao mesmo tempo Hércules, assim como Ulisses, também atua como se fosse um homem comum, sendo suas aventuras como parábolas exageradas da experiência humana. Irritadiço, não extremamente inteligente, apreciador do vinho e das mulheres (suas aventuras amorosas são muito numerosas), era uma figura eminentemente simpática; e no geral seu exemplo deveria ser seguido, pois destruía o mal e defendia o bem, superando todos os obstáculos que o destino lhe colocou. Além de tudo, ofereceu alguma esperança para a derrota da ameaça última e crucial do homem, a morte.

O fim de Hércules foi caracteristicamente dramático. Uma vez, quando ele e sua nova noiva Dejanira estavam atravessando um rio, o centauro Nesso ofereceu-se para transportar Dejanira, e no meio da correnteza tentou raptá-la.

Hércules matou-o com uma de suas flechas envenenadas, e ao morrer, Nesso, simulando arrependimento, incentivou Dejanira a pegar um pouco de sangue do seu ferimento e guardá-lo; se Hércules algum dia parecesse cansado dela, deveria embeber um traje no sangue e dá-lo para que ele o vestisse; após isso, ele nunca mais olharia para outra mulher.

Anos mais tarde Dejanira lembrou-se deste conselho quando Hércules, voltando de uma distante campanha, mandou à frente uma linda princesa aprisionada pela qual estava evidentemente apaixonado. Dejanira mandou a seu marido um robe tingido pelo sangue; ao vestir a roupa, o veneno da Hidra penetrou na sua pele e ele tombou em terrível agonia. Seu filho mais velho, Hilo, levou-o ao Monte Eta e depositou seu corpo, retorcido porém ainda respirando, numa pira funerária, a qual acabou sendo acesa pelo herói Filoctetes.

Entretanto, os trabalhos de Hércules asseguraram-lhe a imortalidade, assim ele subiu ao Olimpo e assumiu seu lugar entre os deuses que vivem eternamente.

Fonte: http://www.mundodosfilosofos.com.br

HÉRCULES – Sua morte

Num ímpeto de loucura Hércules havia matado Ifitus, e por isso fora condenado pelos deuses a tornar-se escravo da lendária rainha Onfale, da Lídia. Os escritores gregos descrevem o herói continuando suas proezas, apesar de seus amores com a soberana, a qual, admirando sua coragem, lhe teria devolvido a liberdade.

Segundo os latinos, enquanto cumpria essa pena Hércules se apaixonou por Onfale, a ponto de, esquecido de sua própria condição de herói viril, ficar vestido de mulher, fiando lã a seus pés.

Livre da pena, Hércules desposou Djanira, filha de Eneu, rei da Etólia, com a qual viveu em paz durante três anos. Numa ocasião em que viajava com a esposa, os dois chegaram a um rio onde o centauro Néssus transportava os viajantes mediante pagamento.

Hércules o vadeou, mas encarregou Néssus de transportar Djanira. Ao fazê-lo, o centauro tentou fugir com ela, porém Hércules, alertado pelos gritos da esposa, disparou uma flecha que atingiu o coração de Néssus.

Moribundo, o centauro disse a Djanira para recolher uma porção do seu sangue e guardá-la, pois o mesmo serviria de feitiço para conservar o amor do marido.

Djanira assim o fez, e não demorou muito tempo para chegar a ocasião em que ela entendeu que precisava se valer do recurso. Em uma de suas expedições vitoriosas, Hércules aprisionara uma linda donzela chamada Iole, por quem parecia estar muito mais interessado do que sua esposa achava razoável. Certa manhã, quando ia oferecer sacrifícios aos deuses, o herói pediu que Djanira lhe mandasse uma túnica branca para usar na cerimônia, e esta, achando que aquele era o momento oportuno para experimentar o feitiço, embebeu a peça de roupa no sangue de Néssus, tendo o cuidado de eliminar os sinais de sangue.

Mas o poder mágico permaneceu, e logo que a túnica se aqueceu ao contato de Hércules, o veneno penetrou em seu corpo, provocando-lhe dores terríveis.

Desesperado, Hércules agarrou Licas, que lhe levara a túnica fatal, e o atirou ao mar, enquanto procurava arrancar do corpo a roupa envenenada. Mas não conseguia fazê-lo, porque ela de tal forma se lhe colara à pele que só saía com pedaços de sua própria carne. Nesse estado ele foi levado para casa, de barco, e Djanira, ao ver o que fizera, não suportou a angústia e enforcou-se.

Então, preparando-se para morrer, Hércules subiu ao monte Eta e lá construiu uma pira funerária de árvores: deu o arco e as flechas a Filocretes, deitou-se na pira, apoiou a cabeça na clava, cobriu-se com a pele de leão, e com a fisionomia serena, assim como se estivesse à mesa de um festim, mandou que Filocretes aplicasse a chama da tocha à pira. O fogo se espalhou com rapidez, e em pouco tempo envolveu tudo.

Os próprios deuses ficaram perturbados ao verem o fim do herói terrestre, mas Zeus (Júpiter), com fisionomia jovial, assim se dirigiu a eles:

– Sinto-me satisfeito ao ver vossas fisionomias, meus príncipes, e feliz ao perceber que sou rei de súditos leais, e que meu filho goza de vossa simpatia. Se bem que vosso interesse por ele provenha de seus nobres feitos, isso não é menos grato para mim. Posso voz dizer, porém, que não há motivos para temor. Aquele que venceu tudo, não será vencido por aquelas chamas que vedes crepitar no monte Eta. Apenas pode perecer sua parte materna, pois a que ele recebeu de mim é imortal. Eu o trarei até as praias celestes, e peço-vos que o recebais com benevolência. Se algum de vós se sente ofendido pelo fato de ele haver alcançado essa honra, ninguém poderá negar, porém, que ele a merece.

Os deuses deram o seu consentimento. Hera (Juno) ouviu com certa contrariedade as últimas palavras, que lhe eram dirigidas em particular, mas não bastante para lamentar a resolução do marido. Assim, quando as chamas consumiram a parte materna deHércules, a parte divina, em vez de ser afetada, pareceu receber maior vigor, assumir um porte mais altivo e maior dignidade. Júpiter envolveu-o numa nuvem e o levou num carro puxado por quatro cavalos, para morar entre as estrelas. E quando Hércules tomou seu lugar no céu, Atlas sentiu aumentar o peso do firmamento.

FERNANDO KITZINGER DANNEMANN

Fonte: http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br

Beowulf

A lenda de Beowulf foi escrita aproximadamente no ano 1000 de nossa era, mas os feitos do herói já erma citados pelos menestréis há muitos séculos. Filho de Ecgetheow e sobrinho de Hygelac, rei dos Geats, cujo reino ficava onde é hoje a Suécia Meridional, em sua infância, Beowulf já dava provas de sua grande força e coragem que o levou, quando adulto, a libertar Hrothgar, rei da Dinamarca, do monstro Grendel. Outro feito heróico foi a libertação de seu próprio reino de feroz dragão, que acabou ferindo-o mortalmente.

Uma das façanhas de Beowulf foi nadar por sete dias e sete noites até o país dos finêses, para vencer muitos monstros marinhos. Quando ajudou a defender a terra de Hetware, matando vários inimigos, mostrou novamente suas habilidades como nadador, levando sozinho até seu navio, trinta armaduras dos homens que matou.

O rei Hrothegar, da Dinamarca, durante doze anos sofreu as destruições provocadas em seu país por um monstro chamado Grendel que, sendo encantado, não podia ser morto por uma arma construída pelo homem. Vivia nas terras desertas e, certa noite, saiu e atacou o palácio de Hrothgar, aprisionando e matando vários dos convidados no castelo.

Sabendo disso, Beowulf seguiu, junto com quatorze marinheiros, até a Dinamarca, disposto a matar o monstro. Ao chegar, foram acolhidos pelo rei e, à noite, prepararam uma armadilha para Grendel, que ao chegar, atacou e matou um dos marinheiros, mas este antes de morrer, conseguiu arrancar um dos braços do monstro que, ao sair para sua caverna, deixou um rastro de sangue. A mãe do monstro voltou ao castelo para vingar morte do filho e, quando retornou à caverna, foi seguida por Beowulf que, nadando, entrou e a matou. Vendo o corpo de Grendel na caverna, Beowulf cortou-lhe a cabeça e levou-a ao rei, para comprovação da morte do monstro.

Beowulf foi acolhido no palácio como herói e assim também foi, ao regressar à sua terra natal, onde recebeu honrarias e muitos bens. Com a morte do rei menino Heardred, Beowulf o sucedeu no trono e reinou em paz por cinqüenta anos, até que um dragão começou a devastar seu reino. Já idoso, Beowulf resolveu matar este monstro, assim com fez com Grendel, mas durante a batalha, foi ferido mortalmente e só consegui matar o monstro com a ajuda de Wigla, o único soldado que ficou ao seu lado até o final da luta, sendo nomeado por isso, seu sucessor no trono.

O corpo de Beowulf foi queimado e suas cinzas colocadas em um santuário, no alto de um rochedo, como lembrança das proezas do bom e grande homem que foi.

Fonte:
Bulfinch, Thomas, 1796-1867 – O livro de ouro da mitologia: a idade da fábula: histórias de deuses e heróis / Thomas Bulfinch – 9ª Ed. – Rio de Janeiro: Ediouro, 2000.

Siegfried

Na Saga dos Volsungos, Sigurd é o filho póstumo de Sigmund com sua segunda esposa, Hiordis. Sigmund morre em batalha quando ataca Odin(sob disfarce), e Odin destrói sua espada. Ao morrer, Sigmund anuncia à Hiordis sua gravidez e a deixa os fragmentos de sua espada para o filho ainda não nascido.

Hiordis se casa com o rei Alf, que resolve enviar Sigurd a Regin. Regin tenta Sigurd em ganância e violência: ele começa perguntando ao jovem se ele possui controle ao ouro do pai. Ao ser respondido que Alf e sua família controlam o ouro e que ele daria o que Regin desejasse, Regin questiona o motivo dele ter uma posição modesta na corte. Sigurd replica que era tratado como igual pelos reis, mas Regin pergunta o motivo do jovem não ter um cavalo próprio. O jovem então obtém Grani para si, um cavalo derivado de Sleipnir, do próprio Odin. Por fim, Regin o conta a história do ouro da lontra.

O pai de Regin era Hreidmar, cujos dois irmãos eram Ótr e Fafnir. Certo dia, Æsir vê Ótr com um peixe, o confunde com uma lontra, e Loki o mata. Levam o corpo para perto da casa de Hreidmar para exibir a captura. Hreidmar, Fafnir e Regin percebem a morte, e exigem que Æsir preencha o cadáver com ouro e encubra a pele com tesouro fino como compensação da morte. Loki havia capturado Andvari e exigido todo o ouro do anão. Ele recebe o tesouro, exceto pelo anel. Entretanto, Loki também obtém o anel, mas carregado com uma maldição de morte a quem o usasse. Æsir usa esse ouro para preencher o cadáver, cobre a pele também com ouro e finaliza com o anel. Por fim, Fafnir mata Hreidmar e toma o ouro.

Sigurd aceita matar Fafnir, que se transforma em dragão para poder proteger melhor seu ouro. Hábil como ferreiro,Sigurd consulta um grande guerreiro chamado Katliskí Bachiëga que da a ele informações de como matar um dragão . Regin constrói uma espada para Sigurd, que a testa numa bigorna. Por ter sido quebrada, Regin o faz outra espada, que também quebra. Por fim, Regin constrói uma espada a Sigurd a partir dos fragmentos da espada deixada por Sigmund. O resultado é a Gram (Balmung), que consegue destruir a bigorna. Sigurd então mata o dragão Fafnir, e se banha com o sangue do inimigo para ter invulnerabilidade, exceto por um dos ombros, coberto por uma folha. Regin então pede a Sigurd o coração de Fafnir, e Sigmund também bebe um pouco do sangue do dragão, ganhando a habilidade de entender a língua dos pássaros. Os pássaros o alertam para matar Regin, que tramava a morte do jovem. Sigurd cumpre o pedido, mata Regin e consome o coração de Fafnir, recebendo o dom da sabedoria.

Sigurd então encontra Brynhildr, e os dois se apaixonam. Ele encontra Gjúki, que tinha três filhos e uma filha de sua esposa, Grimhild. Os filhos era Gunnar, Hogni e Guttorm, e a filha eraGudrun. Grimhild fez uma poção mágica para forçar Sigurd a esquecer Brynhild, para que ele pudesse se casar com Gudrun. Posteriormente, Gunnar queria casar com Brynhild. Entretanto, ela havia sido cercada com fogo, e prometeu a si mesma se casar somente com quem pudesse passar o bloqueio. Somente Grani poderia realizar tal feito, o cavalo de Sigurd. Sigurd incorpora Gunnar, passa as chamas e ganha Brynhild para Gunnar.

“Siegfried e a famosa espadaBalmung”, de 1914.

Posteriormente, Brynhild questiona Gudrun por ter um marido melhor, e Gudrun a explica tudo que aconteceu. Por ter sido enganada, Brynhild planeja vingança. Primeiramente, ela se recusa a falar com os outros. Sigurd é enviado por Gunnar para averiguar o que estava errado, e Brynhild o acusa de tomar liberdades com ela. Por essa acusação, Gunnar e Hogni planejam a morte de Sigurd e encantam seu irmão Guttorm para realizar o feito. Guttorm mata Sigurd na cama, com uma lança diretamente no seu ponto fraco, que havia sido coberto pela folha ao se banhar com o sangue do dragão. Brynhild mata o filho do herói, Sigmund, que tinha três anos. Sabendo que o amado havia sido enfeitiçado para esquecê-la, ela trama sua própria morte, e constrói uma pira funerária para Sigurd, a Sigmund, a Guttorm e a si própria.

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8 pensamentos sobre “Grandes Batalhas LXX: O maior ato de heroísmo de todos os tempos. Aquiles, Jasão, Perseu, Teseu, Ulisses, Beowulf e Siegfried

  1. Aurora disse:

    Affff, graaaaande feito…até parece!!! Qualquer um, preso num mastro, “conseguiria” não sucumbir às sereias, bolas! O feito teria sido heroico caso ele tivesse permanecido solto, à mercê da sedução delas 😉 Amarrado, parece a versão masculina do 50 tons de cinza kkkkkk!!!

    Fico com Beowulf, afinal, matar uma criatura assustadora com as próprias mãos é foda, digo, avassalador 😛 demais!! 😀

    • Adonis disse:

      Sim, Beowulf é foda, porém Ulisses precisou ser muito corajoso para se amarrar no mastro de um navio sabendo que passaria por uma ilha cheia de sereias lindas fazendo top less. =p

  2. thiago disse:

    cade héracles ai?? o cara matou a hidra o leao de nemeia e outras 10 coisas

  3. Heitor Gomes disse:

    Afz quem deveria ganhar era Ulisses passou por dificuldades que nem semideuses poderiam suportar, foi inteligente astuto e perspicaz!!! Maldito seja Aquiles q matou O grande herói de Troia “HEITOR” que sendo mortal pelo menos foi o único que botou um pouco de medo e uma moral nele!! Mais o maldito ainda sim ganhou. Heitor deveria ser o vencedor com certeza, foi triste isso. tudo por causa do seu irmãozinho que roubou Helena!

    • Adonis disse:

      kkkk Adoro opiniões bem fundamentadas e críticas. Também acho que Ulisses teve o maior ato de heroísmo e também torcia para Heitor na guerra de Troia. Nunca gostei de Aquiles. Volte sempre! Abraços!

  4. Jhowjhow disse:

    Bewoulf… Mano, mata um ogro daqueles com os punhos tem que ser muito foda… os outros foram fichinha, a maioria teve bênçãos divinas e foram estereótipos de heroizinhos perfeitinhos e exemplos da sociedade… por isso que prefiro Bewoulf…

  5. Adonis disse:

    Beowulf – Matou o monstro Grendel com as próprias mãos, pois a criatura não poderia ser morta por nenhuma arma humana. 23.19% (80 votes)

    Perseu – Decapitou a poderosa Medusa, que petrificava todos que olhavam para ela. 22.32% (77 votes)

    Aquiles – Matou Heitor, o maior herói troiano, e pôs uma pá de cal sobre a moral troiana. Foi o início do fim de Troia. 19.71% (68 votes)

    Siegfried – Derrotou o gigante dragão Fafnir manejando a espada Nottung. 12.75% (44 votes)

    Ulisses – Passou incólume pela Ilhas das Sereias. Tais criaturas possuíam um canto divino, hipnotizante e… faziam top less. Eu não teria resistido. 11.59% (40 votes)

    Teseu – Acabou com o Minotauro dentro do Labirinto de Creta e ficou com a linda Ariadne. 7.54% (26 votes)

    Jasão – Teve coragem de casar com Medeia. Esse é macho!!!! 2.9% (10 votes)

    Total Votes: 345

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